Saturday, 20 March 2010

Passeio - cidade velha

Hoje tinha o dia por minha conta, e resolvi ir passear para a cidade velha. Sendo sabado tudo esta fechado e não há transportes publicos, por isso pus pés ao caminho cedinho (tenho andado imenso estes dias!). Uma das coisas que gosto em Israel é a forma como a hora civil e solar estão sincronizadas: por volta das cinco da manhã é já dia, e fica noite antes das seis da tarde. É um horario em que me sinto particularmente bem, e comecei a acordar sem dificuldade mesmo muito cedo (e a deitar-me igualmente cedo), o que só por si me ajuda a ficar mais bem disposta. Quando voltar vou de certeza reagir ao ajuste no ciclo circadiano, mais do que as poucas (duas) horas de diferença é a diferença da luz que sinto sempre mais...

Jerusalém fica com uma atmosfera particularmente especial ao sabado, parece quase uma cidade fantasma. Por um lado aprecio a calma e o sossego, e simpatizo com o principio do shabbat, mas por outro lado pode ser chato e aborrecido, particularmente para quem esta a viajar, porque simplesmente não há muito que fazer... na cidade velha queria ir ao museu da torre de David, porque nunca tinha ido, mas mesmo a andar com calma e com uma breve paragem no complexo municipal, quando cheguei a entrada do museu eram cerca de 8 horas, e só abria às dez... Resolvi por isso andar pelo bairro arménio, que costuma mesmo em hora de movimento ser o mais calmo dos quatro, e então cedinho... era mesmo um sossego. As lojas arménias abrem ao sabado, mas ainda era suficientemente cedo para estar tudo fechado e as ruas quase vazias- uma maravilha!


Estava a andar mais ou menos sem destino (e mais uma vez sem mapa, que me oriento igualmente mal com ou sem) e fui dar ao bairro judeu, que curiosamente foi onde me senti menos à vontade. Também estava relativamente sossegado, mas os poucos judeus que encontrei (a ir para as celebrações do shabbat) deixavam-me desconfortavel. Desconfio dos arabes (porque acho que em geral são quase todos muito extremistas e anti-Israel) mas também desconfio dos judeus religiosos - não gosto nem de um nem de outro extremo. Neste caso senti que os arabes seriam menos perigosos, porque não têm interesse em chatear um estrangeiro e sofreriam represalias se isso acontecesse, enquanto que os judeus mais extremistas não querem a simpatia dos estrangeiros (nem do estado de Israel, quanto mais...) e não é garantido que sofram grandes consequências, se decidirem dar uma lição de modéstia. Note-se que eu estava vestida até ao pescoço, mas de calças e com a minha aparencia estava em flagrante delito de imodestia... e como estava sozinha, bem fora da zona turistica (é engraçado como a cidade velha é uma mistura de zonas ou desertas ou abarrotar de gente) resolvi atravessar o bairro judeu o mais rapidamente que podia (sem perder a dignididade) e voltar à zona cheia de turistas e lojas de souvenirs, just in case...


Como ainda tinha muito tempo livre pela frente, mesmo depois de uma caminhada razoável, fui até à igreja do redentor, na zona das igrejas cristãs. O santo sepulcro é horrivel, e nem sequer chego la perto (quanto mais entrar!) mas a igreja do redentor tem um ar muito mais civilizado (e muito menos povoado)... e melhor ainda tem uma torre! Ja tinha lido que valia a pena subir ao telhado, mas nunca tinha tentado. Desta vez tentei, e por acaso os guardas foram muito simpaticos, abriram-me a torre e fui a primeira "cliente" do dia a subir (abria as nove e cheguei um pouco antes). A entrada custa 5 shekels (cerca de 1 euro) e vale bem a pena. Depois de muitos, muitos, muitos degraus, a subir em caracol numa escada muito apertadinha, chega-se ao topo para uma vista incomparavel da cidade velha e de Jerusalem. Fisicamente é muito cansativo, mas a vista compensa tudo! E talvez pela exiguidade do espaço e dificuldade da subida não há excursões de turistas - esses vão ao santo sepulcro ;)



Tirei imensas fotografias da vista, e depois enfrentei a descida dos 177 degraus. Estava cansada mas muito contente com moi meme, pelo que me resolvi compensar do esforço com um sumo de laranja natural na esplanada em frente à igreja. Recuperada a energia, fiz o percurso novamente até ao museu, desta vez pela zona ortodoxa grega, e cheguei pouco antes das dez, ainda esperei um bocadinho que abrisse. Não sei porque nunca me tinha dado para ir à torre de David, gostei imenso - agora tenho que arrastar o Ze novamente para Jerusalem, que sinto que na altura falhei como guia turista, só agora começo a descobrir as coisas mais engraçadas. A entrada na torre de David custa 30 shekels (cerca de 6 euros) e acho que vale bem a pena. Como qualquer museu israelita está extremamente bem organizado, e além da torre, muralhas e escavações arqueológicas em si, dá para percorrer diferentes exposições a acompanhar a historia de Jerusalem desde o inicio ate ao fim do mandato britânico. A visita começa com a exibição de um filme numa sala dentro da torre, o que além de ajudar a perceber melhor o resto da exposição (e se há coisa que um israelita preze é a história), é muitissimo confortavel. Estar sentadinha durante um pedaço em cadeiras muito confortaveis e a ver um filmezinho animado engraçado, tal qual cinema, cai mesmo muito bem depois de uma caminhada extensa pela cidade velha :)




Passei um bom pedaço no museu da torre de David, e depois voltei à zona dos turistas para almoçar. Ainda não era meio dia, mas já estava cheia de fome, que tinha tomado o pequeno almoço muito cedo... e assim pude comer o meu falafel na esplanada mais concorrida da cidade velha, sem grande confusão, que para os turistas ainda era cedo para almoçar... por mim estava terminado o passeio, mas tinha tanto trmpo livre antes do fim fo shabat que andei pelo bairro árabe o caminho todo até ao portão de Damasco. O caminho é uma confusão de cheiros, cores e gritos, e não é certamente a minha "praia", mas para passar um bocadinho diferente aguenta-se... notava-se que havia muitos soldados junto ao monte do templo, pelo que como de costume evitei essa zona, e depois fiz a "asneira" de entrar no recinto do muro das lamentações pelo lado arabe... mas la passei a segurança e estive um bocadinho junto ao muro, não muito tempo que não acho grande piada à coisa, e ao sabado os religiosos são mais picuinhas. Por isso limitei-me a andar e a fazer todo o caminho inverso pelo bairro judeu e armenio (agora muito mais movimentados) e já sem paciência para mais passeio arrastei-me para o hotel, e dei-me a uma actividade muito propria de shabat: dormir ;)

Friday, 19 March 2010

Passeio - Jerusalem

Hoje resolvi aproveitar a manhã para passear - afinal é fim de semana aqui ;) A semana foi ocupada com bastante trabalho, por isso resolvi aproveitar o fim de semana para (igualmente intensa) actividade social e "turistica". Conheço bastante bem Jerusalem, mas resolvi "obrigar-me a desacomodar" e procurar sítios onde nunca tivesse ido e coisas novas para fazer.

Decidir começar por ir ate a torre da YMCA, porque da janela do meu hotel parecia muito pertinho, e nunca la tinha ido. Mas não era assim tão perto como isso, e o "pertinho" é complicado pela minha tradicional deficiente capacidade espacial. Ainda por cima estava a navegar "à vista", i.e. sem mapa, que como antiga residente achei que não precisaria de mapa qual turista (e é sabido que a minha orientação espacial não melhor por aí além só por estar munida de mapa). Por isso lá ía a olhar para o céu, a tentar avistar a torre e seguir o melhor que podia nessa direcção, mas a tarefa era complicada, porque uma coisa é ver a torre (e mesmo isso nem sempre conseguia, que por vezes perdia-a) e outra bem diferente é chegar la. Ainda por cima depois do parque da independência tinha entre mim e a torre o consulado americano, com um array impressionante de segurança, pelo que resolvi esquecer temporariamente a torre e seguir em frente, que os guardas não pareciam para brincadeiras, e a minha justificação de estar "atrás da torre" até a mim parecia algo ridicula ;) Acabei por andar imenso, não completamente perdida mas também não exactamente "localizada", mas lá acabei por chegar à rua do rei David, e a partir daí foi facil dar com a YMCA. A entrada é muito engraçada, com um jardim muito agradável e acolhedor. Na YMCA la pedi para subir à torre, para ver a vista de Jerusalem, mas só podiam abrir a torre com um minimo de duas pessoas, e eu estava sozinha... de qualquer modo foram muito simpaticos e sugeriram que eu esperasse a ver se aparecia mais alguem que quisesse subir, mas resolvi que ficava para outra vez, em vez de estar à espera... de qualquer modo a atmosfera é muito agradável, até o guarda me deixou entrar de mochila sem qualquer revista, o que é de espantar, mas é uma quebra de segurança de algum modo consistente com o espirito muito pacifico do sitio.

Depois da YMCA fui até ao jardim mesmo junto ao "king David hotel". Ja tinha estado por la mais do que uma vez, mas não sei porquê nunca me tinha aventurado muito para o interior do jardim Bloomfield, que o que se via de fora não era muito impressionante... mas afinal o jardim é muito maior do que parece e muito bem cuidado! Estende-se colina abaixo e tem áreas verdes, banquinhos, canteiros de ervas aromáticas, canais de água (ouvir água a correr é um prazer muito especial para qualquer israelita), e uma boa vista das muralhas da cidade velha. Curiosamente o jardim estava quase deserto e tudo muito sossegado (talvez por ser dia da semana, e manhã cedo), e o tempo estava muito primaveril, o que tornou o passeio ainda mais agradavel. Na parte superior do jardim tem o celebre moinho de Jerusalem e uma vitrina com a carruagem do proprio Montefiore.



Ainda mais do que do jardim gostei de descobrir as ruas e casinhas de Mishkenot Shaananim. Parece que se está num outro mundo, tudo muito arranjadinho e sossegadinho. Não vi vivalma além dos gatos, que parecem ser particularmente queridos na zona - há muitos, gorduchos e de pêlo comprido e o que parecem ser pequenos sitios proprios para eles, com pequenas tabuletas a indicar para limpar as patas (!?). As ruas são muito estreitas, cheias de flores, e toda a área é particularmente agradavel para passear (e 100% livre de turistas, ao que parece) ;)


Depois do passeio seguiu-se o programa social. Apanhei o autocarro para Tel Aviv, e fui tomar café com uma amiga. Voltei para Jerusalem mesmo a tempo do shabat, mas já não havia sombra de autocarros em Jerusalem, e não tive outro remédio senão voltar para o hotel a pé. Ainda é um bocadinho desde a estação central, mas recusei-me apanhar um taxi, que sou forretinha, além de que é relativamente agradavel andar pelas ruas desertas de Jerusalem no shabat. Apanhei um taxi isso sim para ir jantar a casa de uns amigos, que aí já estava muito cansada para andar, mas não imaginei no que me metia, que o condutor era árabe, e tive que aturar um discurso inflamado, em que a conclusão básica era que tudo o que há de mal no mundo é por causa dos judeus, nem mais nem menos (textual!) - mal o homem sabia quem levava no carro ;)


PS: as fotos foram tiradas com a maquina nova (linda!) [muito hi-tech e sofisticada e simultaneamente muito pequenina] que o meu maridinho me ofereceu :)

Thursday, 18 March 2010

ארומה

O ארומה é um dos meus sitios favoritos para comer em Israel. É uma mistura muito bem sucedida de Starbucks e comida israelita, mas com muito melhor café (obviamente!) e ainda melhor comidinha. Alias suspeito que ja terei aumentado o perimetro novamente... logo agora que o Ze ate ja dizia que eu estava menos gorducha... ;)

Em Israel a comida é um assunto levado muito a sério. A qualidade é excelente, e o preço relativamente baixo (pelo menos tendo em conta a qualidade) pelo que é uma combinação "perigosa". Uma das coisas que mais gosto de comer em Israel é sopa, curiosamente. Costuma ser algo forte, com varias especiarias, mas sempre uma delicia. Agora o ארומה também tem sopa (uma excelente inovação!), e tenho tirado a barriguita de miserias (não so de sopa, mas tambem de café israelita com gelado e doces diversos) - para a semana entro em dieta ;)

A proposito de "INs"

Um dos mantras basicos do GTD é periodicamente (pelo menos uma vez por dia, segundo a minha experiencia) esvaziar os "IN" e um dos mais fundamentais é o inbox do e-mail, naturalmente. Isto a proposito de que notei hoje que um amigo meu tinha um inbox com 476 mensagens por ler e processar (e não são mensagens dos ultimos dias, é mesmo acumulação desmedida). 476?! Como é possivel? Eu tenho 9 mensagens no inbox (por estar fora, com acesso reduzido a rede e ocupada na conferencia, por isso tenho processado o que posso, mas muito menos sistematicamente do que o habitual) e mesmo assim ja me esta a fazer impressão essas mensagens a assombrar-me o inbox... como é que é possivel sobreviver com um IN tão pesado?!?

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