Hoje tinha o dia por minha conta, e resolvi ir passear para a cidade velha. Sendo sabado tudo esta fechado e não há transportes publicos, por isso pus pés ao caminho cedinho (tenho andado imenso estes dias!). Uma das coisas que gosto em Israel é a forma como a hora civil e solar estão sincronizadas: por volta das cinco da manhã é já dia, e fica noite antes das seis da tarde. É um horario em que me sinto particularmente bem, e comecei a acordar sem dificuldade mesmo muito cedo (e a deitar-me igualmente cedo), o que só por si me ajuda a ficar mais bem disposta. Quando voltar vou de certeza reagir ao ajuste no ciclo circadiano, mais do que as poucas (duas) horas de diferença é a diferença da luz que sinto sempre mais...
Jerusalém fica com uma atmosfera particularmente especial ao sabado, parece quase uma cidade fantasma. Por um lado aprecio a calma e o sossego, e simpatizo com o principio do shabbat, mas por outro lado pode ser chato e aborrecido, particularmente para quem esta a viajar, porque simplesmente não há muito que fazer... na cidade velha queria ir ao museu da torre de David, porque nunca tinha ido, mas mesmo a andar com calma e com uma breve paragem no complexo municipal, quando cheguei a entrada do museu eram cerca de 8 horas, e só abria às dez... Resolvi por isso andar pelo bairro arménio, que costuma mesmo em hora de movimento ser o mais calmo dos quatro, e então cedinho... era mesmo um sossego. As lojas arménias abrem ao sabado, mas ainda era suficientemente cedo para estar tudo fechado e as ruas quase vazias- uma maravilha!

Estava a andar mais ou menos sem destino (e mais uma vez sem mapa, que me oriento igualmente mal com ou sem) e fui dar ao bairro judeu, que curiosamente foi onde me senti menos à vontade. Também estava relativamente sossegado, mas os poucos judeus que encontrei (a ir para as celebrações do shabbat) deixavam-me desconfortavel. Desconfio dos arabes (porque acho que em geral são quase todos muito extremistas e anti-Israel) mas também desconfio dos judeus religiosos - não gosto nem de um nem de outro extremo. Neste caso senti que os arabes seriam menos perigosos, porque não têm interesse em chatear um estrangeiro e sofreriam represalias se isso acontecesse, enquanto que os judeus mais extremistas não querem a simpatia dos estrangeiros (nem do estado de Israel, quanto mais...) e não é garantido que sofram grandes consequências, se decidirem dar uma lição de modéstia. Note-se que eu estava vestida até ao pescoço, mas de calças e com a minha aparencia estava em flagrante delito de imodestia... e como estava sozinha, bem fora da zona turistica (é engraçado como a cidade velha é uma mistura de zonas ou desertas ou abarrotar de gente) resolvi atravessar o bairro judeu o mais rapidamente que podia (sem perder a dignididade) e voltar à zona cheia de turistas e lojas de souvenirs, just in case...

Como ainda tinha muito tempo livre pela frente, mesmo depois de uma caminhada razoável, fui até à igreja do redentor, na zona das igrejas cristãs. O santo sepulcro é horrivel, e nem sequer chego la perto (quanto mais entrar!) mas a igreja do redentor tem um ar muito mais civilizado (e muito menos povoado)... e melhor ainda tem uma torre! Ja tinha lido que valia a pena subir ao telhado, mas nunca tinha tentado. Desta vez tentei, e por acaso os guardas foram muito simpaticos, abriram-me a torre e fui a primeira "cliente" do dia a subir (abria as nove e cheguei um pouco antes). A entrada custa 5 shekels (cerca de 1 euro) e vale bem a pena. Depois de muitos, muitos, muitos degraus, a subir em caracol numa escada muito apertadinha, chega-se ao topo para uma vista incomparavel da cidade velha e de Jerusalem. Fisicamente é muito cansativo, mas a vista compensa tudo! E talvez pela exiguidade do espaço e dificuldade da subida não há excursões de turistas - esses vão ao santo sepulcro ;)


Tirei imensas fotografias da vista, e depois enfrentei a descida dos 177 degraus. Estava cansada mas muito contente com moi meme, pelo que me resolvi compensar do esforço com um sumo de laranja natural na esplanada em frente à igreja. Recuperada a energia, fiz o percurso novamente até ao museu, desta vez pela zona ortodoxa grega, e cheguei pouco antes das dez, ainda esperei um bocadinho que abrisse. Não sei porque nunca me tinha dado para ir à torre de David, gostei imenso - agora tenho que arrastar o Ze novamente para Jerusalem, que sinto que na altura falhei como guia turista, só agora começo a descobrir as coisas mais engraçadas. A entrada na torre de David custa 30 shekels (cerca de 6 euros) e acho que vale bem a pena. Como qualquer museu israelita está extremamente bem organizado, e além da torre, muralhas e escavações arqueológicas em si, dá para percorrer diferentes exposições a acompanhar a historia de Jerusalem desde o inicio ate ao fim do mandato britânico. A visita começa com a exibição de um filme numa sala dentro da torre, o que além de ajudar a perceber melhor o resto da exposição (e se há coisa que um israelita preze é a história), é muitissimo confortavel. Estar sentadinha durante um pedaço em cadeiras muito confortaveis e a ver um filmezinho animado engraçado, tal qual cinema, cai mesmo muito bem depois de uma caminhada extensa pela cidade velha :)



Passei um bom pedaço no museu da torre de David, e depois voltei à zona dos turistas para almoçar. Ainda não era meio dia, mas já estava cheia de fome, que tinha tomado o pequeno almoço muito cedo... e assim pude comer o meu falafel na esplanada mais concorrida da cidade velha, sem grande confusão, que para os turistas ainda era cedo para almoçar... por mim estava terminado o passeio, mas tinha tanto trmpo livre antes do fim fo shabat que andei pelo bairro árabe o caminho todo até ao portão de Damasco. O caminho é uma confusão de cheiros, cores e gritos, e não é certamente a minha "praia", mas para passar um bocadinho diferente aguenta-se... notava-se que havia muitos soldados junto ao monte do templo, pelo que como de costume evitei essa zona, e depois fiz a "asneira" de entrar no recinto do muro das lamentações pelo lado arabe... mas la passei a segurança e estive um bocadinho junto ao muro, não muito tempo que não acho grande piada à coisa, e ao sabado os religiosos são mais picuinhas. Por isso limitei-me a andar e a fazer todo o caminho inverso pelo bairro judeu e armenio (agora muito mais movimentados) e já sem paciência para mais passeio arrastei-me para o hotel, e dei-me a uma actividade muito propria de shabat: dormir ;)
Jerusalém fica com uma atmosfera particularmente especial ao sabado, parece quase uma cidade fantasma. Por um lado aprecio a calma e o sossego, e simpatizo com o principio do shabbat, mas por outro lado pode ser chato e aborrecido, particularmente para quem esta a viajar, porque simplesmente não há muito que fazer... na cidade velha queria ir ao museu da torre de David, porque nunca tinha ido, mas mesmo a andar com calma e com uma breve paragem no complexo municipal, quando cheguei a entrada do museu eram cerca de 8 horas, e só abria às dez... Resolvi por isso andar pelo bairro arménio, que costuma mesmo em hora de movimento ser o mais calmo dos quatro, e então cedinho... era mesmo um sossego. As lojas arménias abrem ao sabado, mas ainda era suficientemente cedo para estar tudo fechado e as ruas quase vazias- uma maravilha!
Estava a andar mais ou menos sem destino (e mais uma vez sem mapa, que me oriento igualmente mal com ou sem) e fui dar ao bairro judeu, que curiosamente foi onde me senti menos à vontade. Também estava relativamente sossegado, mas os poucos judeus que encontrei (a ir para as celebrações do shabbat) deixavam-me desconfortavel. Desconfio dos arabes (porque acho que em geral são quase todos muito extremistas e anti-Israel) mas também desconfio dos judeus religiosos - não gosto nem de um nem de outro extremo. Neste caso senti que os arabes seriam menos perigosos, porque não têm interesse em chatear um estrangeiro e sofreriam represalias se isso acontecesse, enquanto que os judeus mais extremistas não querem a simpatia dos estrangeiros (nem do estado de Israel, quanto mais...) e não é garantido que sofram grandes consequências, se decidirem dar uma lição de modéstia. Note-se que eu estava vestida até ao pescoço, mas de calças e com a minha aparencia estava em flagrante delito de imodestia... e como estava sozinha, bem fora da zona turistica (é engraçado como a cidade velha é uma mistura de zonas ou desertas ou abarrotar de gente) resolvi atravessar o bairro judeu o mais rapidamente que podia (sem perder a dignididade) e voltar à zona cheia de turistas e lojas de souvenirs, just in case...
Como ainda tinha muito tempo livre pela frente, mesmo depois de uma caminhada razoável, fui até à igreja do redentor, na zona das igrejas cristãs. O santo sepulcro é horrivel, e nem sequer chego la perto (quanto mais entrar!) mas a igreja do redentor tem um ar muito mais civilizado (e muito menos povoado)... e melhor ainda tem uma torre! Ja tinha lido que valia a pena subir ao telhado, mas nunca tinha tentado. Desta vez tentei, e por acaso os guardas foram muito simpaticos, abriram-me a torre e fui a primeira "cliente" do dia a subir (abria as nove e cheguei um pouco antes). A entrada custa 5 shekels (cerca de 1 euro) e vale bem a pena. Depois de muitos, muitos, muitos degraus, a subir em caracol numa escada muito apertadinha, chega-se ao topo para uma vista incomparavel da cidade velha e de Jerusalem. Fisicamente é muito cansativo, mas a vista compensa tudo! E talvez pela exiguidade do espaço e dificuldade da subida não há excursões de turistas - esses vão ao santo sepulcro ;)
Tirei imensas fotografias da vista, e depois enfrentei a descida dos 177 degraus. Estava cansada mas muito contente com moi meme, pelo que me resolvi compensar do esforço com um sumo de laranja natural na esplanada em frente à igreja. Recuperada a energia, fiz o percurso novamente até ao museu, desta vez pela zona ortodoxa grega, e cheguei pouco antes das dez, ainda esperei um bocadinho que abrisse. Não sei porque nunca me tinha dado para ir à torre de David, gostei imenso - agora tenho que arrastar o Ze novamente para Jerusalem, que sinto que na altura falhei como guia turista, só agora começo a descobrir as coisas mais engraçadas. A entrada na torre de David custa 30 shekels (cerca de 6 euros) e acho que vale bem a pena. Como qualquer museu israelita está extremamente bem organizado, e além da torre, muralhas e escavações arqueológicas em si, dá para percorrer diferentes exposições a acompanhar a historia de Jerusalem desde o inicio ate ao fim do mandato britânico. A visita começa com a exibição de um filme numa sala dentro da torre, o que além de ajudar a perceber melhor o resto da exposição (e se há coisa que um israelita preze é a história), é muitissimo confortavel. Estar sentadinha durante um pedaço em cadeiras muito confortaveis e a ver um filmezinho animado engraçado, tal qual cinema, cai mesmo muito bem depois de uma caminhada extensa pela cidade velha :)
Passei um bom pedaço no museu da torre de David, e depois voltei à zona dos turistas para almoçar. Ainda não era meio dia, mas já estava cheia de fome, que tinha tomado o pequeno almoço muito cedo... e assim pude comer o meu falafel na esplanada mais concorrida da cidade velha, sem grande confusão, que para os turistas ainda era cedo para almoçar... por mim estava terminado o passeio, mas tinha tanto trmpo livre antes do fim fo shabat que andei pelo bairro árabe o caminho todo até ao portão de Damasco. O caminho é uma confusão de cheiros, cores e gritos, e não é certamente a minha "praia", mas para passar um bocadinho diferente aguenta-se... notava-se que havia muitos soldados junto ao monte do templo, pelo que como de costume evitei essa zona, e depois fiz a "asneira" de entrar no recinto do muro das lamentações pelo lado arabe... mas la passei a segurança e estive um bocadinho junto ao muro, não muito tempo que não acho grande piada à coisa, e ao sabado os religiosos são mais picuinhas. Por isso limitei-me a andar e a fazer todo o caminho inverso pelo bairro judeu e armenio (agora muito mais movimentados) e já sem paciência para mais passeio arrastei-me para o hotel, e dei-me a uma actividade muito propria de shabat: dormir ;)

