Sunday, 31 October 2010

Mais um "log"

Se há coisa que me caracteriza é mesmo a mania dos "logs". Se na parte profissional os logs são justificados e estão de alguma forma implícitos na "job description" nos hobbys já é menos natural. Mas desde que me conheço que quase toda a actividade a que me afeiçôo vem acompanhada do respectivo registo escrito, com uma meticulosidade a raiar a obsessão. Nos escoteiros era particularmente afeiçoada ao caderno de caça (do qual houve variadíssinas encarnações nos quase vinte anos em que lá estive). Escrevia quase tudo, desde informação técnica (nós, técnicas campo,...), administrativa (cartas, tesouraria,...) e claro um registo minucioso de todas as actividades (reuniões, acampamentos,...). Actualmente tenho um log para o hebreu, um log para o yoga, e hoje estive a tratar do meu log da flauta. E se há coisa que me dá puro prazer, é tratar dos meus logs :)

Uma das características dos logs é que precisamente passam por várias encarnações, não são de todo entidades estáticas. E em geral nem começam como log própriamente dito, dão os primeiros passos como pequenas notas, muitas vezes em diferentes meios e formatos (digital, papelinho, folha A4, bloquinho de notas,...) até que numa dada altura atingem o estatuto de log. Não costuma ser propriamente uma evolução progressiva, antes um caminho feito de vários saltos. A uma dada altura sinto necessidade de fazer alguma alteração na estrutura do log (passar de papel a digital ou vice-versa, por exemplo, ou inserir uma nova categoria de registos) e aprendi a valorizar esse impulso tanto como o instinto de manter o log actualizado numa estrutura mais ou menos estável. Sei que preciso das duas coisas, uma não acontece sem a outra... tanto gosto de dia a dia e de forma rotineira manter os meus logs actualizados usando uma estrutura bem determinada e préviamente organizada, como de por vezes fazer alterações na estrutura em si e permitir os tais saltos. Não tem a ver com o resultado (o log em si) é antes um processo. Para mim tratar do log faz parte da actividade, não é um output dela... e quando sinto o "pull" para re-organizar o log, faço-o sem hesitar - mesmo que isso implique muitas versões díspares do que seria em princípio o mesmo log...

Voltando ao log da flauta... já tinha na minha lista de projectos re-organizar as minhas notas da flauta, mas ultimamente andei tão ocupada que não consegui de todo. A desorganização chegou ao ponto de ter perdido o paradeiro de algumas das notas das aulas (não quero acreditar que as perdi, suspeito que estão em Lisboa) mas enfim, não saber onde estão já é um indício suficientemente mau em termos de desorganização. Mais do que organizar as notas, sempre que pensava nisso começava a sentir o formigueiro de que precisava de uma alteração maior na estrutura do log. Simplesmente inserir notas na estrutura que já tinha começava a não fazer sentido (uma das razões, além da falta de tempo, pelas quais deixei de inserir as notas in the first place). Por isso hoje aproveitei que tinha algum tempo livre para olhar para o meu log da flauta "a sério". Uma das dificuldades é que comprei um moleskine muito catita... demasiado catita! Só precisava de umas folhas brancas e de umas folhas com pautas, nada de muito fancy, mas eu arranjei um moleskine com uma infinidade de categorias, imensos autocolantezinhos de várias cores e labels, poucas folhas com pautas (e uma reguazinha com marquinhas para fazer as pautas!). A complexidade do moleskine estava a atrapalhar-me em vez de ajudar. Mas depois de muita cogitação re-organizei o log todo como eu queria (novos labels, secções,...) à custa de ter arrancado algumas folhas do moleskine (relativas à estrutura antiga). Sim, eu arranco folhas a moleskines, shame on me!! Mas senti-me muito contente com o meu log renovado. Agora não só continua catita, como faz sentido para mim :)

Wednesday, 27 October 2010

Full engagement

"... we have far more control over our energy than we ordinarily realize. The number of hours in a day is fixed, but the quantity and quality of energy available to us is not. It is our most precious resource. The more we take responsibility for the energy we bring to the world, the more empowered and productive we become. The more we blame others or external circumstances, the more negative and compromised our energy is likely to be"

(The power of full engagement, J. Loehr & T. Schwartz)

Fedora 14

Finalmente actualizei o meu Tethys para o Fedora 14. Depois de umas breves dicas da minha assistência técnica personalizada (a.k.a. Zé) corri o preupgrade, esperei que fizesse a actualização... e pronto, perfeitamente "uneventful" - não tenho mais nada para contar. É frustrante, tanto tempo à espera para arranjar tempo para actualizar o bichinho e afinal não dá qualquer luta. Ainda esperei uns dias antes de escrever o post a ver se durante a utilização aparecia algo que estivesse menos bem... mas não, desta actualização não tenho nada de que me queixar. Ou melhor... não gosto do nome... Laughlin?!?

Friday, 22 October 2010

uffa!

Terminou a semana horribilis! Em 8 dias houve uma reunião de projecto, 3 conferências (4 posters e 1 oral), o dia mundial da estatística, aulas. Não houve (quase) yoga, flauta, hebreu, GTD, sono. Sinto-me exausta mas contente por ter sobrevivido e ter conseguido fazer mais ou menos tudo o que queria. Faltava-me fazer a revisão de um artigo mas ainda consegui arranjar energia para trabalhar nisso na viagem de comboio para o Porto. O fim de semana vai saber tão bem! :)

Thursday, 21 October 2010

Vaca esférica

Ao preparar os slides de uma das aulas desta semana lembrei-me de inserir uma figurinha que ilustrasse o conceito de modelo, e como por vezes pode estar muito afastado do mundo real. Achei que deveria haver imensos cartoons a ilustrar a problemática de abstracção da realidade por modelos, e se calhar deve haver, mas a busca revelou-se muito mais dificil do que eu estava à espera. Isto porque em vez das imagens inteligentes e engraçadas que eu estava à espera de encontrar, a pesquisa do google por qualquer coisa como model ou modelling dava-me uma torrente de imagens de meninas e meninos - aparentemente no mundo real, esses são os "modelos" que interessam!

Acabei por arranjar uma imagem de uma vaca (ou não gostasse eu tanto de vaquinhas) para contar a célebre anedota do físico que começa por "1ª hipotese: assuma-se que a vaca tem simetria esférica...". Não sei se os alunos gostaram, mas eu achei que ficou um slide muito catita!

Wednesday, 20 October 2010

1º Dia Mundial Estatistica

20 de Outubro de 2010 é Dia Mundial da Estatística! Houve celebração na universidade de Lisboa, e eu fui à "festinha" (organizada pelo centro de Estatística e Aplicações da faculdade de Ciências). Para a ocasião fiz este poster sobre a utilização da estatística no meu instituto. É um dos 5 na minha listinha de posters a fazer esta semana - sinto-me com "posterite aguda" ;)

Saturday, 9 October 2010

Update

Hoje decidi que tinha que actualizar o blog, dê lá por onde desse... é que ando a adiar a escrita de dia para dia, por estar muito ocupada... mas como a "ocupação" não dá mostras de diminuir (au contraire!) achei que era altura de fazer um update, por pequenino que fosse, ao meu bloguezinho - antes que escorregue para aquela categoria de coisas que se deixam de fazer durante uns tempos e que depois nunca mais se faz mesmo, por uma razão ou outra... Não é que me faltem coisas para contar - simplesmente já não há muita energia quando chega à altura da escrita - e como com quase tudo, é sempre mais fácil a actividade regular do que esporádica (pelo menos para mim).

Desde o fim da Agosto que tenho estado com uma carga de trabalho muito pesada (mesmo para mim, que adoro trabalhar). Não é que eu ache que devia de ter menos trabalho, que de certa forma até gosto de estar muito ocupada (é bom sinal) e de testar os limites (meus e do meu sistema), mas tem sido de facto uma sucessão de desafios com pouca ou nenhuma recuperação, e parece-me ser essa a maior dificuldade. A uma coisa segue-se outra e mais outra, e mais outra... tenho conseguido manter o meu sistema à tona (estou contentíssima com a vaquinha, e a forma como se integra tão bem com as restantes componentes do meu sistema GTD) mas tem havido alguns leaks - por exemplo, houve um artigo que só consegui submeter 6 dias depois da deadline (shame on me!), depois de trabalhar arduamente um fim de semana e feriado inteiro... e já não me lembro de estar fora do "critical" - sempre a fazer coisas no quadrante 1, sem qualquer disponibilidade para projectos de horizontes superiores a dois dias - o que é insustentável a médio prazo. Sinto-me o coelho da Alice, sempre a ofegar de um lado para o outro, mas eu em vez do relógio do coelho branco ando com o androide a olhar para a vaquinha ;)

Apesar do sistema precisar de uns afinamentos - continuo a acreditar que ainda não faço coisas a mais, simplesmente não sou organizada o suficiente - consegui fazer a maior parte das coisas que queria. A conferência que organisei em Setembro correu muito bem, muitíssimo melhor do que eu estava à espera (tenho uma costela de pessimista). Foi a primeira vez que organisei sozinha uma conferência e como não tinha experiência estava um pouco receosa - obrigou-me a sair da minha área de conforto. E durante mais de um mês não consegui fazer trabalho científico de jeito, a minha rotina andava à volta de abstracts, inscrições, coffee-breaks, etc. Mas acho que valeu a pena, cientificamente foi interessante - até a sessão de posters, contra todas as minhas expectativas, foi muito concorrida (!) - e pareceu-me que os participantes gostaram bastante. O programa social (um dos meus maiores pesadelos em termos organizativos, porque é a área onde me sinto mais perdida) correu muito bem (with a little help of my friends - thanks Celia e Ana). Quer o ice-breaker no museu de ciência de Lisboa (com direito a visita privada acompanhada pelos responsáveis do museu) quer o jantar no cacilheiro, com passeio no Tejo incluído, foram um autêntico sucesso :)

Imediatamente a seguir à conferência - e devo ter envelhecido uns 5 anos durante esses 5 dias - comecei logo a dar aulas. Mais uma "novidade" no meu leque de actividades, e mais outro bocadinho fora da zona de conforto. Não é que eu não goste de dar aulas, gosto de ensinar e os meus alunos são simpáticos e interessados (como é uma turma de mestrado só tenho oito, o que ajuda). O problema é que não estava a contar que dar aulas teóricas fosse dar tanto trabalho (até agora só tinha dado aulas práticas). Como é uma disciplina nova (Análise de Dados em Geociências) tenho que preparar tudo de raiz, e é um processo muito moroso. Tenho tudo organizadinho (aqui) mas mal termino uns slides já tenho que começar a tratar da próxima aula, e é um processo infernal por causa de tudo o resto que há para fazer. O meu sistema anda a tentar adaptar-se, mas claramente ainda está em desequilíbrio e pouco optimizado :( Em termos mais optimistas, a outra novidade é que tive o meu primeiro projecto aprovado pela FCT. Não é tanto pelo dinheiro (embora ajude ter financiamento extra para concretizar projectos de investigação) mas sinto como uma espécie de validação do trabalho que tenho feito, até porque a avaliação do projecto foi muito positiva - estou uma investigadora crescida :)

Além do trabalho (que como se vê toma uma parte muitíssimo considerável da minha atenção) ainda tenho conseguido arranjar tempo para o meu maridinho (que consegue arranjar ainda mais paciência do que o costume para me aturar, não sei como) e para pensar nalguns projectos pessoais de médio prazo. O hebreu não tem andado muito depressa mas vai... continuo a ouvir os podcasts, principalmente antes de adormecer - descobri que as lições de hebreu têm alguma eficácia contra a insónia - e nos verbos passei a estudar o passado e o futuro (em vez de só o presente).

A minha pratica pessoal quer de flauta quer de yoga tem-se ressentido um bocadinho com a minha desorganização e ansiedade em relação ao trabalho, mas apesar de saltar ou uma ou outra nalguns dias da semana tenho conseguido manter alguma regularidade, se bem que não tanto como eu gostaria ou seria desejável. No yoga achei engraçado como agora até as aulas "do período" me parecem imperdíveis. No início (e durante muito tempo) saltava sempre essas aulas - parecia-me aterrorizador "ir para o cantinho" fazer posturas diferentes de todos os outros. Depois passei a não faltar às aulas nessa altura, mas tentava fazer quase tudo igual - e irritava-me ter que fazer algumas posturas de forma "menos esforçada". Mas na ultima aula, fiz as posturas diferentes dos outros e não me senti muito mal com isso. E principalmente gostei da aula, senti que trabalhei nas posturas (não são necessáriamente mais fáceis) e na semana seguinte pareceu-me que em casa fiz janu sirsasana com outro empenho, como se o corpo ainda se lembrasse um bocadinho do que tinha feito na aula...

Fica o update feito... nas proximas duas semanas tenho as aulas, um artigo, uma apresentação oral, duas conferências e seis (! don't ask...) posters. Se eu sobreviver, volto a dar notícias

Tuesday, 5 October 2010

Pretending Enlightenment

Thinking yourself into an enlightened state is a particularly clever way of countering the negative tendencies of the mind; pretending enlightenment cuts right to the core of your contracted feelings. The root cause of fear or anger or addiction is the feeling of being alone or isolated and separate from everything else. Any moment you can shift that viewpoint, you eliminate a layer or two of fear and anger. The more you can do that, the more you shift the neuronal pathways that create all the "enemies" of your happiness.

Practicing enlightenment is a sophisticated exercise in "fake it till you make it." Of course, it works only when you do it for its own sake, not because you're trying to impress people, and definitely not to claim a mastery you don't possess. You do it for the same reason kids pretend to do grown-up things—because it habituates you to the mature self you will one day become. The truth is, you hold within yourself a template for enlightenment. Whether you call it the Self or Buddha-nature, there is at your core something, an essence, that is effortlessly joyous, free, and utterly connected to all that is.
[Yoga Journal]