Se há coisa que me caracteriza é mesmo a mania dos "logs". Se na parte profissional os logs são justificados e estão de alguma forma implícitos na "job description" nos hobbys já é menos natural. Mas desde que me conheço que quase toda a actividade a que me afeiçôo vem acompanhada do respectivo registo escrito, com uma meticulosidade a raiar a obsessão. Nos escoteiros era particularmente afeiçoada ao caderno de caça (do qual houve variadíssinas encarnações nos quase vinte anos em que lá estive). Escrevia quase tudo, desde informação técnica (nós, técnicas campo,...), administrativa (cartas, tesouraria,...) e claro um registo minucioso de todas as actividades (reuniões, acampamentos,...). Actualmente tenho um log para o hebreu, um log para o yoga, e hoje estive a tratar do meu log da flauta. E se há coisa que me dá puro prazer, é tratar dos meus logs :)
Uma das características dos logs é que precisamente passam por várias encarnações, não são de todo entidades estáticas. E em geral nem começam como log própriamente dito, dão os primeiros passos como pequenas notas, muitas vezes em diferentes meios e formatos (digital, papelinho, folha A4, bloquinho de notas,...) até que numa dada altura atingem o estatuto de log. Não costuma ser propriamente uma evolução progressiva, antes um caminho feito de vários saltos. A uma dada altura sinto necessidade de fazer alguma alteração na estrutura do log (passar de papel a digital ou vice-versa, por exemplo, ou inserir uma nova categoria de registos) e aprendi a valorizar esse impulso tanto como o instinto de manter o log actualizado numa estrutura mais ou menos estável. Sei que preciso das duas coisas, uma não acontece sem a outra... tanto gosto de dia a dia e de forma rotineira manter os meus logs actualizados usando uma estrutura bem determinada e préviamente organizada, como de por vezes fazer alterações na estrutura em si e permitir os tais saltos. Não tem a ver com o resultado (o log em si) é antes um processo. Para mim tratar do log faz parte da actividade, não é um output dela... e quando sinto o "pull" para re-organizar o log, faço-o sem hesitar - mesmo que isso implique muitas versões díspares do que seria em princípio o mesmo log...
Voltando ao log da flauta... já tinha na minha lista de projectos re-organizar as minhas notas da flauta, mas ultimamente andei tão ocupada que não consegui de todo. A desorganização chegou ao ponto de ter perdido o paradeiro de algumas das notas das aulas (não quero acreditar que as perdi, suspeito que estão em Lisboa) mas enfim, não saber onde estão já é um indício suficientemente mau em termos de desorganização. Mais do que organizar as notas, sempre que pensava nisso começava a sentir o formigueiro de que precisava de uma alteração maior na estrutura do log. Simplesmente inserir notas na estrutura que já tinha começava a não fazer sentido (uma das razões, além da falta de tempo, pelas quais deixei de inserir as notas in the first place). Por isso hoje aproveitei que tinha algum tempo livre para olhar para o meu log da flauta "a sério". Uma das dificuldades é que comprei um moleskine muito catita... demasiado catita! Só precisava de umas folhas brancas e de umas folhas com pautas, nada de muito fancy, mas eu arranjei um moleskine com uma infinidade de categorias, imensos autocolantezinhos de várias cores e labels, poucas folhas com pautas (e uma reguazinha com marquinhas para fazer as pautas!). A complexidade do moleskine estava a atrapalhar-me em vez de ajudar. Mas depois de muita cogitação re-organizei o log todo como eu queria (novos labels, secções,...) à custa de ter arrancado algumas folhas do moleskine (relativas à estrutura antiga). Sim, eu arranco folhas a moleskines, shame on me!! Mas senti-me muito contente com o meu log renovado. Agora não só continua catita, como faz sentido para mim :)

Uma das características dos logs é que precisamente passam por várias encarnações, não são de todo entidades estáticas. E em geral nem começam como log própriamente dito, dão os primeiros passos como pequenas notas, muitas vezes em diferentes meios e formatos (digital, papelinho, folha A4, bloquinho de notas,...) até que numa dada altura atingem o estatuto de log. Não costuma ser propriamente uma evolução progressiva, antes um caminho feito de vários saltos. A uma dada altura sinto necessidade de fazer alguma alteração na estrutura do log (passar de papel a digital ou vice-versa, por exemplo, ou inserir uma nova categoria de registos) e aprendi a valorizar esse impulso tanto como o instinto de manter o log actualizado numa estrutura mais ou menos estável. Sei que preciso das duas coisas, uma não acontece sem a outra... tanto gosto de dia a dia e de forma rotineira manter os meus logs actualizados usando uma estrutura bem determinada e préviamente organizada, como de por vezes fazer alterações na estrutura em si e permitir os tais saltos. Não tem a ver com o resultado (o log em si) é antes um processo. Para mim tratar do log faz parte da actividade, não é um output dela... e quando sinto o "pull" para re-organizar o log, faço-o sem hesitar - mesmo que isso implique muitas versões díspares do que seria em princípio o mesmo log...
Voltando ao log da flauta... já tinha na minha lista de projectos re-organizar as minhas notas da flauta, mas ultimamente andei tão ocupada que não consegui de todo. A desorganização chegou ao ponto de ter perdido o paradeiro de algumas das notas das aulas (não quero acreditar que as perdi, suspeito que estão em Lisboa) mas enfim, não saber onde estão já é um indício suficientemente mau em termos de desorganização. Mais do que organizar as notas, sempre que pensava nisso começava a sentir o formigueiro de que precisava de uma alteração maior na estrutura do log. Simplesmente inserir notas na estrutura que já tinha começava a não fazer sentido (uma das razões, além da falta de tempo, pelas quais deixei de inserir as notas in the first place). Por isso hoje aproveitei que tinha algum tempo livre para olhar para o meu log da flauta "a sério". Uma das dificuldades é que comprei um moleskine muito catita... demasiado catita! Só precisava de umas folhas brancas e de umas folhas com pautas, nada de muito fancy, mas eu arranjei um moleskine com uma infinidade de categorias, imensos autocolantezinhos de várias cores e labels, poucas folhas com pautas (e uma reguazinha com marquinhas para fazer as pautas!). A complexidade do moleskine estava a atrapalhar-me em vez de ajudar. Mas depois de muita cogitação re-organizei o log todo como eu queria (novos labels, secções,...) à custa de ter arrancado algumas folhas do moleskine (relativas à estrutura antiga). Sim, eu arranco folhas a moleskines, shame on me!! Mas senti-me muito contente com o meu log renovado. Agora não só continua catita, como faz sentido para mim :)


