Friday, 31 July 2009

Mais prendas...

Este ano devo ter-me portado muito bem... pelo menos a avaliar pelas prendas ;)

Estas chegaram já algum tempo depois dos meus anos, mas há uma boa desculpa, que vieram de longe... os meus amigos em Israel enviaram-me um puzzle (com o aviso que me vão "testar" sobre a geografia, da próxima vez que lá estiver) e um cd de musica hebraica, que adoro! Não sou sortuda?





Sunday, 26 July 2009

Uma prenda especial

Este ano tive uma prenda de anos muito especial: um barco! o meu pai construiu-o laboriosamente durante mais de 6 meses - e eu que não desconfiei de nada :)

Não é lindo?





Friday, 24 July 2009

Mais uma semana...

Mais uma semana... e estou a precisar de férias... desesperadamente! Por outro lado estou aflitinha de trabalho o que não é uma boa coisa para misturar com ferias... quem é que me manda ir a conferências no fim de Agosto?! (já devia saber melhor, com a experiência de outros anos)... e ainda por cima com três orais, três temas completamente diferentes, e três trabalhos por fazer? bolas!... para ajudar à festa antes dessa ainda tenho uma conferência, para a semana (e outro trabalho diferente com que estive a lutar estes dias)...

Em geral até gosto, devo confessar, de ter o timetable preenchido... se uma pessoa não trabalhar um pouco no limite da capacidade nunca descobre do que é capaz (pelo menos tem sido sempre essa a minha filosofia) mas desta vez tenho dois factores adicionais que estão a dificultar a coisa: i) as mudanças recentes (até me adapto depressa mas há sempre um tempo de re-ajustamento) e ii) estou à espera de dados de terceiros - o que não só atrasa tudo (porque o pessoal se atrasa), como me deixa com a sensação desagaradável de falta de controlo, porque não depende de mim... hoje mandei mais um e-mail "assertivo" (a roçar o agressivo) para a India, que estou no limite da minha paciência... Toda essa "energia negativa" cansa mais do que propriamente fazer o trabalho...

Para (des)ajudar em termos de cansaço, esta semana passei um dia completo com enxaqueca (é raro, mas acontece) que me fez claramente trabalhar em "low gear" todo o dia (só não fui para casa por teimosia), saltei dois dias a minha prática de yoga (porque cheguei demasiado tarde a casa), e ontem e hoje foi a avaliação do meu instituto - interessante por um lado, mas cansativo... sinto-me mesmo com a energia em baixo... Apesar de tudo consegui acabar hoje a apresentação para a conferência da próxima semana (não está 100% como eu queria, mas está feito) e fazer a minha revisão semanal (que mesmo em tempo de "crise" (de tempo) não largo o GTD).

Para terminar num tom mais risonho (que este post está como eu, fraquinho...)

Esta semana tive a noção de que o meu visual "engana" o que às vezes não dá jeito nenhum. Numa reunião que tive na EDP perguntaram-me mais do que uma vez (pessoas diferentes) se eu não queria fazer um doutoramento, e o meu colega (que me levou à reunião in the first place) lá tinha que explicar que eu já era doutorada... percebi que "não tinha ar" ;) pior foi na faculdade quando tentei levantar o cartão de acesso (para entrar quando quiser, mesmo nas férias - que eu sou rapariga trabalhadora)... num tom desagradavel a funcionaria queria saber "onde eu trabalhava" e "quem era o meu orientador", porque apesar de eu ter repetido várias vezes que o dito já me tinha sido atribuído, ela ignorava e julgava que eu estava a pedir um cartão (e não parecia ter intenção de facilitar a tarefa)... devo ter dito que "obviamente não tinha orientador" num tom mais autoritário que esclareceu a coisa e fez mudar o tratamento como da água para o vinho... mas detesto quando alguém é forte para com quem parece fraco... e definitivamente não tenho intenção de fazer um upgrade do visual para algo mais "profissional" ;)

Finalmente, hoje recebi um e-mail a pedir para verificar a tradução de hebreu para inglês de um documento técnico (relacionado com geologia) - segundo me explicaram descobriram o meu e-mail no site da Sociedade Geológica de Israel... lá tive que recusar, com a desculpa óbvia que o meu hebreu (ainda) não dá para isso - mas achei piada...

Monday, 20 July 2009

Source Forge Community Choice Awards

Hoje votei nos Source Forge Community Choice Awards (era o ultimo dia!)... optei por não votar nas categorias que não me dizem muito (como a de jogos) mas noutras lá dei o meu palpite...

Best project
PortableApps.com: Portable Software/USB (http://PortableApps.com/) [ para incentivar foss & mobilidade ]

Best new project
eeebuntu (http://www.eeebuntu.org/) [não pelo ubuntu, mas pelo eee]

Best commercial open source project
Funambol (http://www.forge.funambol.org/) [já não sei porquê... (!) este foi mesmo palpite]

Best visual design
XMind (http://www.xmind.net/) [porque acho piada a este tipo de software]

Best project for academia
matplotlib (http://matplotlib.sourceforge.net/) [porque achei que escolher o kyle seria uma traiçãozinha ao lyx... sem duvida a minha categoria favorita!]

Best tool or utility for sysAdmins
XAMPP (http://www.apachefriends.org/en/xampp.html) [porque me pareceu util...]

Best tool or utility for developpers
symfony (http://www.symfony-project.org/) [porque sim...]

Best project for multimedia
MediaCoder (http://mediacoder.sourceforge.net/) [para incentivar a inter-operabilidade de formatos multimedia...]

Best project for government
OpenOffice.org (http://www.openoffice.org/) [sem qualquer duvida & para incentivar a utilização do openoffice em todo os serviços publicos europeus]

Most likley to change the way you do everything
FreeMind (http://freemind.sourceforge.net/) [porque acho giro este tipo de software & porque o basket e o korganizer não estavam a concurso...]

Friday, 17 July 2009

Fashion

Quando mudo de "poiso" uma das coisas que quase inevitavelmente preciso de fazer é arranjar um sítio para cortar o cabelo, até porque como tenho o cabelo curtinho, preciso de o cortar muito frequentemente (é daqueles paradoxos...). Desta vez nem era assim tão inevitável como isso, podia continuar a ir à Alexandra, mas como agora só estou no Porto ao sábado e domingo implicaria gastar algum do meu tempo precioso de fim de semana no cabeleireiro... por isso decidi que iria cortar o cabelo em Lisboa, e guardar o fim de semana para outras actividades menos prosaicas.

Decicir é uma coisa, fazê-lo é outra... no caminho de casa para o metro já tinha topado duas possibilidades: um sítio pertinho de casa, "normal" (sem nada de particularmente marcante, e que assumi pelo aspecto que não seria nem muito bom nem muito mau) e um sítio "diferente", na rua da Boavista. Um sítio de tal modo diferente que das primeiras vezes que por lá passei nem sequer percebi que era um cabeleireiro... primeiro pensei ser uma loja de móveis (!) depois uma espécie de galeria de arte, e só depois me apercebi da verdadeira natureza do establecimento (acho que quando vi a sair de lá uma senhora com o cabelo pintado de cor de rosa). Dado que tinha o "cortar o cabelo" na minha lista de tarefas, comecei a dar mais atenção ao sítio... apercebi-me que na porta tinha um horário, em que antes nunca tinha reparado (é um horario esquisito, tem dias que está aberto até às dez da noite), e comecei a abrandar o passo sempre que passava à porta... mas entrar é que não (a minha inércia habitual para experimentar o desconhecido) e fui arranjando muitas e razoáveis desculpas para "preciso de cortar o cabelo, mas hoje não porque"...

Mas hoje (quer dizer ontem) foi mesmo o dia! No caminho habitual para casa resolvi parar e ir finalmente cortar o cabelo ao sítio "esquisito" (não sei o nome - bem procurei, mas a nomenclatura do sítio parece ser um segredo bem guardado). Ainda hesitei por uns segundos, mas com um último sopro de diligência dei por mim dentro do "espaço", e com uma menina a vir na minha direcção, pelo que fiquei salva de uma desistência de ultima hora...

O sítio era de facto muito "fashion". O ambiente era informal, propositadamente pouco organizado (ou melhor, com uma organização pouco convencional) e com uma preocupação nítida em relação ao estilo, desde a musica ao tal mobiliário que me fez pensar que era uma galeria. Pareceu-me um ambiente de grande profissionalismo mas jovial, despreocupado, um hub de experimentação e inovação, uma high-tech do cabelo...gostei, mas automáticamente pensei que ou ía correr muito bem ou ía ser um desastre.

O senhor que me ía cortar o cabelo começou por me perguntar o que eu queria fazer, ao que eu respondi que queria curtinho e giro... a resposta pareceu-me promissora, porque depois de uma breve reflexão o senhor tinha um "plano" que esboçou ("cortar atrás", "cortar aqui", "fazer assim", etc...). Há cabeleireiros que não gostam muito quando eu peço "giro", preferem indicações mais específicas e executar a minha "ideia" quase ao milimetro (da última vez que pedi curto e giro a senhora viu-se aflita para interpretar o "giro", mas tentou cumprir o curto e deixou-me quase careca), mas eu gosto de ter sugestões e dar alguma liberdade na execução do corte (e hopefully o visado vai esmerar-se no processo...). Por isso gostei da atitude, e fiquei esperançada de que a coisa até iria correr bem...

Basicamente achei a experiência divertida, já risquei o cortar o cabelo da lista de tarefas, mas o resultado... não sei... Não esta mal, mas também não está nada de outro mundo. Está de facto mais curto, principalmente atrás, e gosto mais assim, mas para dizer a verdade não noto diferença por aí além... vamos lá a ver o que o Zé diz, mas não tenho esperança de que ele diga algo diferente de que está "bem e estou muito bonita"... é que em geral venho sempre queixosa do cabeleireiro, ou cortou muito ou cortou pouco, ou está liso, ou está espetado, mas mesmo no pior dos casos (por exemplo quando fiz umas madeixas horrorosas) nunca o ouvi a dizer nada de menos positivo - suponho que por ser um simpatico, mas principalmente porque quando olha para mim não vê o involucro :)

Tuesday, 14 July 2009

Dia especial

Hoje foi um dia especial! Como prenda para moi-même, so fui trabalhar de manhã - fiz gazeta de tarde porque o Zé veio do Porto para passar o resto do dia comigo - lucky me :)

Além desta prenda "grande", de ter o maridinho comigo para comemorar o dia de anos, recebi imensos e-mails / sms / telefonemas de várias partes do mundo (תודה!) e tive uma "prenda" inesperada - a notícia de que foi aprovado um subsidio de viagem que tinha pedido à Gulbenkian para a proxima conferência (não tem nada a ver, mas não há nada como ter uma boa notícia no dia de anos para soar a prenda).

Em termos de prendas "a sério" tinha pedido ao Zé para não me dar nada (desde o célebre episódio das arrumações que tento confinar a quantidade dos meus pertences), mas ele não resistiu e deu-me um cronómetro (todo xpto, muito catita!). Achei querido porque cumpre os requisitos de ser uma coisa pequena e útil, ao mesmo tempo que demonstra "consideração" por uma das minhas actividades favoritas (eu andava há mais de um ano a queixar-me que precisava de um cronómetro para a minha prática de yoga).

Durante a tarde vestimos a pele de turistas e fomos passear. Apanhamos o eléctrico (28E) e fizemos a viagem completa a desfrutar das vistas - é uma maneira engraçada de visitar a cidade, e lembrou-me São Francisco, achei muito divertido! Depois passeamos pela baixa, a pé (eu é que moro em Lisboa mas o Zé conhece o centro melhor do que eu, e fez de guia). O dia estava perfeito, nem demasiado quente nem frio, muito agradável, uma luz bonita, e foi muito giro estar a passear pela zona histórica e a pôr a conversa em dia.

Para terminar em beleza subimos no elevador de Santa Justa, para admirar a vista sobre Lisboa (achei um sítio muito romântico), e jantamos junto ao convento do Carmo, num restaurante Indiano (Indian palace). O Zé não é nada fã de comida indiana, mas hoje era o meu dia e notou-se que ele esforçou-se por me mimar... jantamos ao ar livre (como eu gosto!), com musica ao vivo, e com direito aos meus pratos indianos favoritos. Depois voltamos para casa a pé, devagarinho, e passeamos um bocadinho mais pela baixa e o Chiado. Foi mesmo um dia perfeito! :)

Monday, 13 July 2009

Revelação

A aula de yoga do ultimo sabado foi uma revelação. E o curioso é que foi, em quase todos os aspectos menos um, uma aula relativamente banal, pelo menos que não prometia algo de particularmente especial.

Cheguei atrasada (= em cima da hora), troquei de roupa à pressa, e sentei-me no tapete ainda acelerada do stress de ir a correr para a aula - o que definitivamente não é a melhor maneira de começar uma aula de yoga. Depois não me sentia grande coisa, em termos de humores (com grande volatilidade, como as séries económicas) e estava um pouco cansada (da semana,...) e destreinada (com a falta de ter mais do que uma aula de yoga por semana, e a prática em casa quase totalmente recuperativa...). Com tudo isto esta aula estava talvez menos aplicada do que o costume, se bem que o Dan é muito detalhado e exigente, e é impossível estar na aula como se fosse ginastica, é mesmo preciso estar concentrado e com muita atenção... mas talvez não estivesse tão esforçada / preocupada como é habitual, apesar de estar com atenção.

Não sei qual a razão, mas em viparita karani percebi claramente o significado de o yoga ser uma tecnologia para voltar ao centro interno... Perceber talvez não seja a melhor palavra, porque não é um entendimento intelectual... é uma experiência, que acontece, inesperadamente,... descrevo-a como revelação, porque uma coisa é ouvir ou ler sobre esse centro de calma que supostamente existe, outra coisa é a experiência e a convicção que ganhei de que de facto é possível, existe, é real (pelo menos para mim)... talvez não consiga experimentar o mesmo tão cedo (suspeito que quanto mais "caçar" a coisa, mais ela me foge) mas a certeza de que existe dá.me confiança de que com pratica suficiente talvez seja possível voltar a essa serenidade interna, pelo menos mais frequentemente...

Friday, 10 July 2009

Resumo da semana

Isto de actualizar o blog no comboio torna a viagem muito mais rápida (já estou em Coimbra!)... e dá para fazer um resuminho da semana...

Esta semana foi de consolidação... já tenho as rotinas establecidas e sinto-me completamente adaptada - é engraçado como rapidamente trocamos uns habitos por outros! Esta semana dormi melhor (apesar de ainda acordar de vez em quando...); optei por deitar-me um pouco mais tarde à noite (depois das dez, em vez das nove) e consequentemente também acordar um pouco mais tarde de manhã (entre as seis e as sete) para evitar acordar demasiado cedo... em Israel acordar às cinco e chegar ao trabalho às sete da manhã era normal, aqui talvez seja mais sensato fazer um pequeno shift temporal (como eu costumo dizer, em Roma sê romano!). Mesmo assim continuo a acordar por mim bem antes das sete, fazer 15 min de supta badha konasana (ou mais raramente, se estiver particularmente corajosa, supta virsana), arranjar-me nas calmas e tomar o pequeno almoço devagar enquanto vejo as notícias. Chego ao trabalho um pouco antes das nove, e "obrigo-me" a nunca sair depois das seis... como estou sozinha podia ficar a trabalhar mais tempo, mas como acredito piamente que mais tempo de trabalho não implica maior produtividade (antes pelo contrário) controlo muito rigorosamente o tempo (a ideia é no tempo de trabalho estar mesmo a trabalhar e não a divagar, e tornar o tempo de trabalho "precioso" é uma forte motivação para focar...). Da mesma forma obrigo-me a fazer um intervalo para lanchar às onze da manhã e às quatro da tarde e costumo cumprir escrupulosamente (não digo que o departamento poderia acertar os relogios pelo tempo dos meus intervalos, mas quase)... é que eu gosto de rotinas, e esta do lanche obriga-me a desentorpercer as pernas e recuperar energias, para depois trabalhar melhor...

A minha rotina também é yoga-friendly, esta semana consegui praticar todos os dias entre uma a uma hora e meia. Em geral quando chego a casa pouso as tralhas, mudo de roupa e estendo o tapete. Gosto de praticar ao fiim da tarde, não só porque de manhã estou incrivelmente stiff, como é uma boa maneira de fazer a transição do trabalho para casa. Esta semana foi quase sempre uma prática recuperativa, porque andei bastante mal do estômago... mas mesmo não me sentindo fisicamente muito bem, o manter a prática ajudou, imenso!

Como um amigo meu diria, uma rotina desinteressante... acordar, trabalho, yoga, jantar e volta mais ou menos ao mesmo. Mas a minha teoria é que a vida tem tanto de inesperado e imprevisivel, que ter rotinas para o que é previsível e repetitivo não parece uma má estratégia... pelo menos para mim...

Divagações sobre administração de sistemas

Na minha experiência, a relação entre utilizadores de linux e os administradores de sistema numa instituição é quase sempre do tipo amor/ódio (pelo menos em ambientes dominados por janelas e afins, em que os utilizadores linux são uma minoria muito pequena - passe a repetição).

Dependendo do "informático", o utilizador linux pode ser visto como um "compincha" / "peer", com quem se pode ter conversas técnicas interessantes, que percebe o "sofrimento" de quem perde imenso tempo a atender a pedidos tó-tós e acima de tudo que é um utilizador "responsável" (precisamente o que não faz pedidos tó-tós)... ou pode ser visto com animosidade, como um chico-esperto que acha que percebe da coisa e faria melhor, e basicamente um chato, com capacidade (talvez demasiado afiada) para criticar a administração do sistema. Voilá

Tendo consciência disto, costumo conseguir lidar menos mal com administradores de sistema... por um lado, o ser menina, num ambiente em geral masculino dá algumas vantagens... aparentemente os meninos não se sentem tão ameaçados no seu domínio do território informático por uma rapariga, e parecem achar alguma piada a ter uma menina como interlocutora numa situação técnica. Por outro lado há que ter alguma sensibilidade...

Por exemplo, no sítio onde eu estava na Dinamarca só havia duas pessoas a usar linux - eu, e por não de todo coincidência, o meu colega de gabinete. Notei desde o início que este administrador de sistemas era dos "tais", que não simpatizavam com um utilizador linux minoritario... se fosse uma donzela a usar windows que telefonasse em distress por tudo e por nada, era compreensível, mas usar um sistema diferente... Devo dizer com algum orgulho que em pouco tempo consegui tornar-me um dos utilizadores favoritos deste administrador de sistemas... como? uma vez quando fui ao gabinete dele notei que tinha um livro sobre perl... percebi rapidamente que ele era fã de perl, e comecei a falar sobre a linguagem, que era uma linguagem interessante mas muito dificil, e que eu não sabia programar em perl, mas gostava, eventualmente um dia... depois desta conversa, e de ter ouvido o homem a discorrer sobre as maravilhas dessa linguagem fabulosa (segundo ele) caí nas boas graças do administrador do sistema, situação agradável que se manteve até eu me vir embora... sempre que me encontrava o senhor fazia um enorme sorriso (pelo menos para dinamarquês) e perguntava-me quando é que eu ía aprender perl, e assim nos entendemos... como eu digo, é preciso alguma sensibilidade ;)

Na India foi engraçado, o administrador de sistemas deles via-me com bastante admiração e alguma idolatria à mistura - caí nas boas graças desde o primeiro dia, e até ficamos bons amigos (devo dizer que até me ensinou uns comandos em shell que ainda uso e me dão muito jeito...)

Em Israel não posso reportar um sucesso idêntico... isto porque como um amigo de lá pôs a questão, o administrador de sistemas deles "gosta menos de linux do que tu de windows", o que não é dizer pouco... durante todo o ano que estive lá mantive-me o unico (!) utilizador linux de todo o Instituto, e eu e o tal administrador de sistemas conseguimos ignorar-nos mutuamente com algum sucesso e mantivemos uma animosidade educada...

Em Lisboa... chegamos à motivaçao deste post! bom em Lisboa, os meninos são uns simpáticos, sim senhor, parecem ter muito boa vontade, mas a competência... ha! induz-me a vestir a faceta de utilizador linux desesperado e crítico do sistema... O problema é que parece estar tudo feito a pensar unicamente para windows, definitivamente é muito pouco linux friendly! E os meninos até podem saber muito, mas de linux... Por exemplo, tentei configurar o vpn (para usar o da UL e não o da UP) e não consegui; procurei, procurei (que não gosto de incomodar os administradores de sistema de ânimo leve) mas como não descobria o que estava de errado, armei-me do meu melhor sorriso e fui ao centro de informatica, incomodar os meninos em relação ao assunto... a resposta veio rápida, simpática e numa descontracção desconcertante: "em linux não dá"; cúmulo da simpatia e num esforço visivel de boa vontade pergunta ao colega "ó pa, sabes como configurar o vpn em linux?" e veio a resposta igualmente descontraída, "não...". Fiquei meia atordoada... não dá pronto, o que se há-de fazer... é usar a webvpn - e mesmo que eu fosse de me queixar ruidosamente (que não sou) duvido muito que valesse de alguma coisa... o "não sei e não preciso de saber" era por demais evidente...

Outros exemplos... o centro de informática tem uma interface para pedidos de suporte técnico. Como utilizador responsável priviligio utilizar a interface, em vez de os chagar por e-mail, telefone ou pessoalmente... mas quando tentei alterar o reencaminhamento do e-mail, não dava, e depois de várias tentativas decidi mandar um e-mail para os meninos... responderam-me de forma muito rápida e eficiente, muito simpáticos, sim senhor... conformei-me que pelo menos o serviço "personalizado" por email parecia funcionar... hoje tentei novamente utilizar a interface (para pedir a activação de uma tomada) e mais uma vez não consegui - o browser respondia algo como "erro - contacte o centro de informática", o que eu fiz obedientemente... mais uma vez mandei um e-mail aos meninos, a reportar o problema com a interface, e como utilizador responsável ainda pus uma notinha a indicar que estava a usar linux, fedora 11, e o browser firefox - para os ajudar a dignosticar o problema (mesmo inconscientemente já devia de estar a aperceber do que a casa gasta)... novamente a resposta veio muito rapida e simpatica, mas desanimadora - o problema que eu tinha era por estar a usar o firefox porque e passo a citar "Essa questão prende-se com o browser que está a utilizar. Se tiver possibilidade de realizar esse pedido através de Internet Explorer tudo funcionará correctamente." Haja paciência!

Estes foram os problemas esta semana, ao tentar põr o meu portatil mais ou menos funcional no sistema da fcul... mas ainda não consigo imprimir, e não sei como vou fazer... chateio os meninos a perguntar como se configura a impressão em linux? até adivinho a resposta :( grrrr....

Thursday, 9 July 2009

Shell scripting

Ontem já tinha ficado muito satisfeita com uns scripts que tinha criado em shell e que me permitiram manipular de forma muito rápida e eficiente uns dados granditos e esquisitos que estavam à minha espera há já algum tempo... em R não era óbvio, e principalmente seria uma trabalheira, mas em shell até ficou muito fácil e sobretudo muito simples e transparente, o que apela ao meu sentido estético (além de diminuir a probabilidade de erro). Eu sou fã nº1 do R, mas definitivamente não é necessariamente o melhor para tudo - o problema é que quando se tem um martelo, tudo parece um prego... por isso tenho tendência a pensar em termos R-sianos, o que por vezes (como neste tipo de problemas) não ajuda...

Se ontem já estava contente com o código e com o adianto que o trabalho levou (fiz numa tarde o que antes imaginava que fosse muito mais dificil e muito mais demorado) hoje estou ainda mais contente com o script que fiz esta tarde para outros dados, neste caso de satélite... está lindo! e permite-me manipular 545290 (!) ficheiros de forma simples e eficaz - sinto-me a guru da shell (e do awk)!

Monday, 6 July 2009

Fedora 11 (Leonidas)

O fim de semana foi altura de actualização do sistema do meu portátil para o fedora 11. Não é que estivesse ansiosa para o fazer, mas como o Zé estava mortinho para que eu passasse para o fedora 11 (o sistema dele já está no 11 há imenso tempo, atrevo-me a dizer que ele já deve estar a pensar no 12)...fui adiando mas acabei por aceder - resmunguei como o costume (não vejo razão para actualizar o sistema logo que sai uma nova versão, pelo menos não sinto a urgência de mudar algo que está bem), mas depois de alguns grunhidos lá começamos a actualização. O Zé ensinou-me a correr o pre-upgrade, tudo muito facil e direitinho, mas depois começaram a aparecer umas mensagens de erro nada habituais e alarmantes... deixei o Zé às voltas com isso (que entretanto tinha que ir à minha aula de yoga) e quando voltei ele estava com aquele ar de quem vai comunicar a um paciente que tem uma doença terminal... a base de dados do yum estava corrompida (aparentemente porque enquanto corríamos o upgrade o yum estava simultâneamente a fazer uma actualização do sistema 10) e não havia grande solução... era preciso formatar tudo e fazer uma instalação do sistema desde o início! Eu que resmungo sempre que há actualizações e pequenas coisas que não ficam tão bem, ante esta hecatombe inesperada reagi estoicamente e surpreendentemente bem... é que o Zé estava tão desconsolado, que contive-me e não consegui ficar aborrecida... e como ele sentiu-se responsavel pelo acontecido, tomou nas próprias mãos a correcção do problema, e a instalação do novo sistema foi muito smooth, talvez ironicamente uma das melhores que já fiz... agora está (quase!) tudo como devia, e até estou contente com o 11...

Friday, 3 July 2009

Transições

Esta semana foi claramente uma semana de transição - a primeira semana que passei em Lisboa e em que comecei finalmente a trabalhar no novo sítio. Sinto- me bastante cansada, mas apesar de tudo a semana não correu mal... podia ser pior (não há nada como algum "optimismo"...)

Estou bastante contente com o sítio onde moro. O apartamento tem o tamanho ideal e sinto-me bastante confortável - é um sítio simpático! A zona onde moro também é engraçada, com tudo de bom e de mau associado a ser mesmo no centro antigo de Lisboa... mas apesar de algumas desvantagens, é pitoresco e agrada-me o ambiente... e demoro pouco mais de meia hora entre casa e trabalho, pelo que não me posso queixar quanto a localização e transportes. A minha maior (quase única!) queixa é o barulho. Acho imensa piada ao eléctrico (a sério!), até acho que dá à rua um ambiente especial... mas ter que ouvi-lo regularmente já não tem tanta piada... e pior que o eléctrico é a barulheira à noite - aparentemente por causa de alguns restaurantes próximos... mas porque é que o pessoal não vai só jantar e pronto?! mas não, é gritos e berros, cantorias... uma balburdia! mesmo à semana, pergunto-me como será ao fim de semana... como ainda não ando com os sonos certos (continuo a dormir aos bochechos e a levantar-me de madrugada), o barulho todo não ajuda... uma outra queixa (menos grave) que tenho do sítio é a topografia. Aqueles declives matam-me! ou matavam, que já aprendi a contorná-los... ninguém me apanha outra vez a subir a rua de S. Bento (só ando em direcção ao rio - recuso-me a ir em sentido contrário), e mesmo sendo um niquinho mais longe, já aprendi a usar a rua dos mastros em vez da rua das gaivotas, que tem um declive menos agressivo... Em resumo, estou contente com o sítio e já me sinto completamente ambientada... só precisava mesmo de dormir melhor - mas suspeito que tem a ver com todas as mudanças, por isso espero para a semana conseguir regular melhor o sono (ou a falta dele!).

Em termos de trabalho também foi mesmo uma semana de adaptação. Trabalho mesmo não foi tanto como eu gostava, porque como sou uma rapariga de rotinas acabo por ressentir talvez mais do que devia as alterações de hábitos e a falta de "estrutura". Aproveitei para fazer aquelas coisas menos importantes mas que é preciso fazer de vez em quando e que guardo para alturas de energia de menos qualidade, como actualizar o bibTeX e rever a bibliografia (tinha e-mails de TOCs atrasados desde Maio (!), e finalmente despachei tudo). Além dessas coisas andei às voltas com uns dados de modelos do IPCC que me andam a tirar do sério - há um gato qualquer no meu código, mas não há meio de miar... e não sõ não o encontro, como é irritante, porque como os dados são enormes os scripts demoram algum tempo a correr e praticamente paralizam o meu portatil... por isso definitivamente em termos de trabalho não foi brilhante, mas suponho que seja normal no início, e espero para a semana retomar a produtividade.

Os meus colegas são simpáticos e ajudaram-me a ambientar... no início parecia-me tudo bastante confuso - ao ponto de sentir que precisava de um GPS para me orientar dentro da Universidade (como é sabido a minha orientação espacial é péssima), mas agora já me sinto à vontade, e já me oriento perfeitamente... o suficiente para ir almoçar a letras (que tem sempre um prato vegetariano no menu) ou ao centro de informática - parece-me que estou lá há muito mais tempo do que estes três dias!

A única coisa que não acho grande piada no trabalho é ao gabinete onde estou... não é o gabinete em si... mas tenho como colegas dois egípcios. Logo a mim (israelita não de nacionalidade mas "de coração"), calham-me os arabes todos do sítio?! Bolas! Não é pelas pessoas em si (antes que me chamem racista ou afim), mas é a desarrumação... e logo eu, que sou tão organizadinha e arrumadinha! Bem tento abstrair, mas só o olhar para as prateleiras e mesas deles tira-me do sério. É que a organização (ou falta dela) influencia de facto o ambiente no gabinete... E o pior é que eles tentam ser simpáticos, pelo que me interrompem várias vezes (em geral perguntam-me sempre se quero comer, ou beber chá egípcio,..), contam anedotas, etc... e fica dificil ignorá-los... suponho que houve alturas que lhes devo ter mostrado a minha cara carrancuda, mas depois sentia-me culpada e desdobrava-me em amabilidades para compensar...grrrrrrr... A unica coisa boa é que este arrangement é temporario e em Setembro já devo ter uma coleguinha de gabinete em vez dos egípcios...

Agora vou no comboio para o Porto, para o fim de semana... :)

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