Saturday, 25 April 2009

Quem tem um "himalaya" tem tudo

pois é, quem tem um himalaya tem tudo... o himalaya é o meu Eee (branquinho & lindo). Ultimamente sentia-me um bocadinho culpada por não dar assim tanto uso ao bichinho - o que me fazia sentir que tê-lo era uma espécie de luxo desnecessário... O palm continua a ser-me indispensável (lá se foi um dos propósitos do Zé ao dar-me o Eee, que era diminuir a minha dependência do palm/software proprietario - shame on me!) e por isso em vez de passar a andar só com o himalaya passei a andar com o palm mais o himalaya mais o portatil...

Mas se em geral o himalaya me parece uma indulgência, desta vez senti o quanto dava jeito. A bateria aguenta um dia inteiro de conferência, o que é particularmente importante quando as tomadas estão a prémio. Depois é tão maneirinho que não custa nada levá-lo para todo o lado, e é muito prático para verificar o e-mail enquanto se toma um café - tem simplesmente as dimensões ideias... e ainda por cima é suficientemente discreto para usar durante as sessões da conferência (shame on me outra vez) - mas às vezes dá mesmo jeito...

Desta vez trouxe também o portátil grande, simplesmente porque como ainda tinha que preparar apresentações tive receio de precisar de fazer contas... e de facto o portatil deu jeito para essa parte. Mas estou convencida que se tivesse preparado o trabalho antes, como devia, trazer só o himalaya seria mais do que suficiente (com o disco externo, obviamente - porque é muito leve e dá-me acesso ao meu disco de 100 Gb, e não de 20 Gb como o do himalaya). E além das coisas mais óbvias como verificar e-mail e acesso à internet já me habituei mais ao Eee, e tenho-o usado também para trabalhar, incluindo preparar apresentações (com o LyX/beamer) e escrever documentos - o ter o Eee com o fedora dá mesmo muito, muito jeito! E acredito que melhora pelo menos um pouco a minha produtividade (por exemplo estou a escrever este post durante um voo e quando chegar a um sítio com rede é só fazer upload). Talvez o único downside é que a minha mochila parece a mala do "Sport-Billy"... com o portatil e o Eee mais os respectivos cabos e carregadores, o palm mais o correspondente cabo USB e ainda o disco externo e o meu novo ratinho externo nano... mas eu não me queixo ;)

Qualidade vs quantidade

Uma imagem pode valer mais do que mil palavras... e esta que o Zé encontrou acho irresistível!


EGU

A EGU chegou ao fim, e não podia estar mais satisfeita. Há uma semana dizia que só queria chegar a sexta... porque até lá estava tão complicado que só queria "sobreviver" e deixar para trás todo o stress de fazer trabalho sob muita pressão, incluindo algum trabalho novo que fiz mesmo antes de partir para Viena e a preparação de várias comunicações - em menos de 5 dias preparei 3 posters e 4 apresentações, o que é um novo recorde para mim ;)

A sexta lá chegou de facto, e senti-me muito contente por ter conseguido fazer tudo que queria... enfim, não fiz exactamente, exactamente tudo... não fiz umas análises novas que gostaria de ter feito e que poderia ter feito fácilmente, se tivesse um bocadinho mais de tempo... e também acabo sempre por perder muitas coisas interessantes que gostava de ver - é que há tanto por onde escolher, e tantas sessões interessantes, que acabo sempre por me sentir como um gourmet em frente a um menú prodigioso, e é mesmo muito dificil escolher... mas lá consegui "provar" muita coisa, se bem que este ano tenha andado muito pouco pelos posters e tive muitas reuniõezinhas com diferentes pessoas, o que diminuiu um pouco o meu tempo disponivel para participar em sessões... mesmo assim este ano assisti a 4 "medal lectures" (das divisões do Clima, Geodesia, Hidrologia e, claro NP), o que também é um novo recorde (em anos anteriores não me lembro de ter ido a mais de duas), e participei, como o costume, na business meeting dos NP (Nonlinear Processes in Geosciences) - a "minha divisão", por acidente histórico...

As minhas apresentações correram inesperadamente bem (particularmente tendo em conta que as duas de quarta feira foram inteiramente preparadas já em Viena, na manhã de terça feira) e venho cheia de ideias de coisas para fazer - o que é sempre bom e inspirador. O downside é que não venho exactamente com menos trabalho "para ontem", muito pelo contrario... durante esta conferência comprometi-me nos proximos dois meses a submeter dois projectos e dois artigos e a participar em duas workshops, o que quer dizer que além do trabalho que já tinha planeado fazer apareceu-me "de repente" muito mais... e Maio era suposto ser um mês de "férias", que estava a planear dedicar à organização de mais ou menos tudo, depois do meu regresso de Israel... mas já me está a parecer que Maio vai ser pelo menos tão ocupado quanto os meses anteriores - pelo menos é uma boa motivação para exercitar GTD ;)

Além do trabalho própriamente dito esta EGU foi particularmente "rewarding" a nível pessoal, uma forma de rever e contactar colegas e amigos [os únicos com que não consigo interagir muito, salvo algumas excepções, são mesmo os portugueses, por qualquer razão que me escapa...]. Além de ter trabalhado nas colaborações que tenho em curso actualmente, também apareceram novas possibilidades e acabei por combinar várias novas colaborações - o que é sempre um desafio mas também muito compensador... o conceito de T.E.A.M. como "Together Everybody Achieves More" é particularmente appealing para mim, se bem que tenho que ter um bocadinho de cuidado com o numero elevado de diferentes colaborações e tópicos (a dispersão traz um trade-off delicado) e com aquelas colaborações desequilibradas - em que acabo por ter que fazer tudo ou quase tudo sozinha e aí já não é exactamente TEAM :( Uma das coisas engraçadas é que agora já me sinto completamente integrada e totalmente "adoptada" pela divisão dos NP (mesmo fazendo quase só coisas lineares) o que não deixa de ser curioso... mas já prometi que para o ano ía trazer algo não linear (estou a pensar em entropia - rings a bell to someone?!) ;) Este ano não fui ao tradicional jantar dos NP - substituímos por um jantar dos "conveners" da minha sessão de séries temporais - o que foi certamente menos entrópico e muito mais produtivo! E foi giro :)

Esta EGU terminou com a "convener's reception". Apesar de já ser convener há alguns anos, esta foi a primeira vez em que fui à recepção, até porque depois de uma semana muito intensa não há muita paciência para mais nada... mas este ano combinei com o meu colega ir (estilo "eu vou se tu fores e vice-versa") e lá fomos... e não podíamos ter ficado mais espantados! Pensávamos que era uma recepção e não uma festa de discoteca... mas era exactamente isso, com luzes, disc jokey e musica alta, pista de dança, e felizmente também muita comida, que de todos os ingredientes da festa era o único com que tínhamos alguma afinidade... o sítio era muito estranho, nas "catacumbas" do centro de congressos, com todos os tubos do ar condicionado à vista e um certo ar industrial e definitivamente de discoteca. Jantamos, esforçamo-nos por conversar das coisas de trabalho por entre a música (felizmente não sei quem é mais workaholic, se eu ou o meu colega - por isso é que nos damos bem ;) ) e quando saímos (relativamente cedo, que estavamos os dois cansados) deixámos uma festa muito animada (também com muitas bebida em circulação)... mas já combinámos que para o ano vimos outra vez. E durante a festa anunciaram que para o ano a EGU não vai ser afinal em Paris, mas vai ficar em Viena (pelo menos nos próximos dois anos) - uma óptima notícia, e uma óptima forma de terminar a conferência deste ano! e para o ano há mais...

Tuesday, 21 April 2009

Marido & dono

O meu estudo do hebreu está parado (só durante este mês, em que estou extraordináriamnte ocupada) mas continuo a receber um e-mail por dia com uma palavrinha nova...

Há uns dias uma das palavrinhas era marido, בעל (bah-ahl); não no dia seguinte, mas uns dias depois, apareceu a palavrinha para dono (owner), e era, pasme-se בעל (bah-ahl). A palavrinha para marido e dono é a mesma em hebreu!! coincidência?!? Conhecendo os meus amiguinhos ultra-ortodoxos, não me parece...

Sunday, 19 April 2009

Correria

Foi uma correria, mas consegui! Fiquei mesmo aliviada e muito orgulhosa de moi-même, mas foi por pouco...

Então foi assim: o meu voo deveria chegar as 18h30 a Viena, e o registro para a conferência estava aberto ate as 20h00. O que queria dizer que era apertadito, mas deveria de dar... nunca cheguei tão tarde a Viena, costumo sempre chegar ao início da tarde, o que dá montes de tempo... mas desta vez este foi o voo mais cedo que consegui. Em geral não haveria problema, porque há sempre a possibilidade da segunda feira de manhã (apesar de ser sempre uma enchente e filas grandes, e por isso é que costumo despachar o assunto no domingo à tarde, depois de deixar a mala no hotel). Mas desta vez tinha mesmo mesmo que ser no domingo - porque o meu programa começava precisamente na segunda as oito e meia, e para grande azar com a sessão em que eu era chair [dá estilo, convencida que vou ficar ;) ]. O problema de se ser chair é que é suposto ser dos primeiros a chegar (pelo menos não ser dos últimos) para controlar a coisa, ver se chegou toda a gente, se fizeram upload das apresentações, etc... por isso não podia mesmo ficar retida no registro segunda de manhã, tinha mesmo que arrumar o assunto no domingo!

Para ajudar, o voo saiu atrasado de Frankfurt, e chegou atrasado a Viena - mais para as sete da tarde do que para as seis e meia. Estava um pouco stressada, porque precisava mesmo de me registrar no domingo, por isso ainda no avião tomei a decisão que ía tentar e fazer os possíveis e impossíveis para chegar ao centro da conferência, mesmo que depois nao chegasse a tempo e desse com o nariz na porta. Foi esse o plano e foi assim que começou a correria. Ainda por cima uma correria com a mala, a mochila do computador e o canudo dos posters - que era de todo impossível passar antes pelo hotel...

Modéstia à parte, a minha estratégia foi muito boa (como se costuma dizer, a necessidade aguça o engenho, e eu estava mesmo necessitada). Para começar, enquanto o pessoal estava a olhar expectante para o tapete das malas, eu fui comprar o bilhete para o TAC na maquina (que a mala, mesmo que aparecesse, não ía fugir, pelo que aproveitei para me despachar antes da multidão com as malas querer ela própria usar a maquineta). Depois lá fui esperar a mala, e para minha sorte ela despachou-se, pelo que foi só agarrar nela e caminhar apressadamente para o TAC... costumo sempre dar umas voltinhas a mais, fruto da minha inaptidão espacial, mas desta vez lá fui direitinha; a meio do caminho apareceu a indicação que faltavam 3 minutos para o próximo comboio... comecei a correr e consegui não me enganar no caminho e entrar no comboio uns segundos antes da partida!

O tempo continuava muito apertado, mas animada com a rapidez com que apanhei o comboio comecei a pensar que ía conseguir e estava determinada a tentar. Mas na estação central tive um contra-tempo... é que eu conhecia bem o caminho, mas este ano havia obras e o acesso à estação e a passagem para o U-bahn estava muito diferente - e como se sabe eu sou trenguita espacialmente... depois de umas voltinhas desnecessárias lá consegui re-orientar-me e apanhei o metro - é uma das coisas que mais gosto em Viena, a facilidade de transporte... cheguei à estação eram oito menos dez, e depois ainda fiz meio a correr todo o caminho até ao centro da conferência. Consegui chegar mesmo antes de fechar, e não podia estar mais aliviada. Claro que estava esbaforida e muito cansada da correria toda, mas valeu-me a minha mala estar muito leve (a mochila com o computador estava mais pesada) e estar com as minhas botas novas de montanha (que são mil vezes melhores do que os sapatos, principalmente para este tipo de empreendimentos).

O caminho de volta foi como dá para imaginar muito mais calmo, encontrei o hotel facilmente (é na área em que costumo ficar e que conheço bem, perto da Universidade) e correu tudo muito bem. Ajuda imenso já estar habituada a Viena; das primeiras vezes é mais difícil, mas à quinta vez fica tudo muito, muito mais fácil. Por isso estou tão desconsolada por esta conferência para o ano ser em Paris - deveria ser em Viena! Que uma pessoa já está habituada e as infra-estruturas já estão preparadas... Mas quando se discutiu isto o ano passado só eu e outro colega nos manifestamos a favor de Viena, o resto do pessoal queria mudar (falava-se em Barcelona e Paris) - alegadamente porque estavam "fartos de Viena". Cá para mim isto traduz dois tipos de "sensibilidades": aqueles para quem uma parte muiiiito importante da conferência é o passeio (para ser simpática), e por isso querem passear noutro sítio, e os "nacionalistas", ie ouve-se umas vozinhas de que ser em Viena benificia é os alemães e outras boquinhas que tais, que nós somos europeus mas não tanto. Enfim... pela minha parte vou ter certamente saudades de Viena - acho que vou aproveitar para comer tartes (muiiito doces) e wiener melange pelos pŕoximos cinco anos ;)

Saturday, 18 April 2009

A matemática do aquecimento global

Este sábado fomos (que o Zé foi um querido e foi comigo, para dar apoio moral e não só...) até Lisboa, para participar num colóquio sobre "A matemática do aquecimento global" - o título não fui eu que escolhi, e devia ter desconfiado que me podia "escaldar"... não estava entusiasta com a coisa (com tanto que fazer, e a viagem para Viena no dia seguinte!) mas tinha-me comprometido, e até gosto de fazer divulgação científica - ou melhor, adoro falar do meu trabalho a qualquer incauto que se atreva a querer ouvir-me ;) ... Nem correu mal, o problema é que a minha veia matemática acaba por chocar um bocadinho com as tendências mais abertamente ecologistas dos outros oradores (que eram o Francisco Ferreira, da Quercus e o Eugénio Sequeira, da Liga para a Protecção da Natureza). E o frustrante é que concordamos todos com o essencial, diferimos talvez na forma mas não no conteúdo básico... como estatístico que se preza, diria que em média estávamos lá, com um desvio grandito para cada lado, eles para o lado dos factores antropogénicos e das certezas, eu para o lado da variabilidade natural e das incertezas ;)



Só para confirmar...

Sim, não desapareci! só não tenho conseguido tempo para actualizar a escrita, e não é por falta de assunto - mesmo muito que fazer...

Muita gente perguntou-me como era estar de volta, se estava contente / stressada / melancólica... A verdade é que nem sequer tive tempo para stressar ou para saborear muito o regresso... desde que cheguei a única coisa em que consegui pensar foi simplesmente que tinha que preparar 4 apresentações orais e três posters, e que em dois dos casos o trabalho nem sequer estava começado - o que mesmo para mim é um bocadinho demais...

Por isso estes dias não tenho feito quase mais nada excepto trabalhar nisso... no sábado de Páscoa fui passear com o Zé (fomos almoçar a Chaves e andamos a correr as aldeínhas zona e as estradinhas de montanha da zona), mas antes de sair deixei dois computadores (4 processadores) a correr código (que tinha estado a preparar na sexta). Apesar de ter imenso trabalho, as coisas não têm corrido mal - tive sorte que o trabalho novo correu muito bem, não houve imprevistos de maior e os resultados até são muito giros (hurra!). Ontem já imprimi os três posters, e hoje já terminei as contas que tinha pendentes e fiz duas apresentações (a de amanhã e a de segunda); agora só me faltam as duas apresentaçoes de quarta, mas em último caso posso fazer lá, e agora estou a intervalar - que já deito slides pelos olhos...

A única coisa que tenho feito além de trabalhar (e de voltar à vida de não-solteiro - que o Zé tem sido um querido e estraga-me com mimos) são as minhas aulas de yoga. Um amigo ficou muito espantado, disse que eu "não tinha perdido tempo a voltar às aulas" - como se fosse muito estranho... é verdade que cheguei no dia 7 e no dia 8 já estava a ter aula, mas não me parece nada estranho, porque é como voltar a casa - não é exactamente como começar algo novo do zero... e as aulas são absolutamente fantásticas! é verdade que estou partidinha (que as aulas são muito inspiradoras mas "intensas")... mas não há nada melhor para me fazer concentrar noutra coisa que não o trabalho, e sinto-me mesmo leve e cheia de energia no fim das aulas - pronta para mais uma maratona de slides ;)

Tuesday, 7 April 2009

Produtividade no aeroporto

Não há nada como conseguir tirar partido das horas em que estou parada num aeroporto para ficar logo mais bem disposta... mesmo depois de uma viagem longa, que incluiu esperar mais de 45 minutos por um taxi que nunca mais aparecia e os "mimos" do costume da segurança do aeroporto em Tel Aviv...

Mas enfim, agora já estou em Zurique, que é um aeroporto simpático, já actualizei o meu bibTeX e já limpei quase todo o meu read/review (essencialmente são TOCs, recebo mais de vinte cada fim de semana e se passo muito tempo sem os digerir começam a acumular perigosamente....). São coisas que não são propriamente importantes, mas que preciso de fazer... e são mesmo o tipo de tarefa ideal para estas alturas, por não exigirem uma energia por aí além... e faz-me sentir que consigo aproveitar o tempo, mesmo estas "secas" monumentais no aeroporto. Quando limpar o read/review todo, e depois de ter o meu sistema GTD actualizado, ainda devo ter tempo para dar uma voltinha pelas lojas... de chocolate ;)

Sunday, 5 April 2009

Despedidas

Estes últimos dias têm sido de despedidas... fiz bons amigos, e custa sempre dizer adeus... mesmo prometendo que volto, quanto mais não seja para visitas curtas. Entretanto as comemorações têm-se sucedido... as más línguas dizem que o pessoal está a celebrar com tanta intensidade o facto de finalmente se verem "livres de mim" ;) ... mas independentemente do motivo, a verdade é que me têm enchido de mimos e prendinhas... Na sexta feira juntamo-nos na casa de um dos meus colegas para um churrasco "em minha honra", e hoje vai haver um jantar de despedida num retaurante em Jerusalém. Na sexta feira o pessoal ofereceu-me uma espécie de écharpe bordada, típica de Jerusalém e hoje um amigo ofereceu-me outra écharpe (sem saber da anterior) que trouxe da China... sou uma sortuda! :) agora vou preparar-me para o jantar...

Update: o jantar foi muito giro, num restaurante muito catita junto à antiga estação de comboios de Jerusalém... e tive mais umas prendinhas - um livro sobre Jerusalém, e uns panos muito giros para a mesa, com bordados árabes :)

Isso é o vista ?!?

Hoje um colega meu foi conversar comigo ao meu gabinete (toda a gente se lembrou que precisava de falar comigo precisamente hoje, ultimo dia em que estou no GSI, mas isso é outra história...). Olhou para o kde 4 no meu portátil e os olhinhos claramente brilharam... e perguntou ansiosamente "isso é o vista?!"... devo ter feito um ar horrorizado, e respondi semi-indignada que não, que era linux... notei que o meu colega ficou pasmo - é a beleza do kde... eh eh eh... e para tornar a situação mais caricata o janelas que ele trouxe no portátil dele recusava-se a arrancar, e ele não conseguia mostrar-me o que queria... é o que dá ;)

Friday, 3 April 2009

Kfar Blum

Esta semana estive em Kfar Blum, para participar na conferência da Sociedade Geologica de Israel. Kfar Blum é um kibbutz na Galileia, no norte de Israel, muito próximo da fronteira com o Libano.

A conferência foi no hotel do kibbutz, que é muitíssimo agradável; como o hotel está espalhado por diversos edifícios no kibbutz não se tem a sensação de estar num hotel mas numa espécie de aldeia... o serviço é muito bom (em particular para Israel, onde o serviço é sempre um bocadinho "israelita" - sincero e correcto, mas a roçar o rude) e a comida era óptima (estragavam-nos com bolos deliciosos em todos os coffee breaks).

Para ajudar à festa o tempo esteve muito bom, mas ainda não excessivamente quente, e sentia-se claramente a Primavera em todo o lado, com uma exuberância de flores e verde pouco habitual em Israel noutras alturas do ano.





Esta conferência dura sempre três dias, dois dias de apresentações e um dia de trabalho de campo, e as sessões são sempre muito longas porque começam de manhã cedo, e continuam mesmo depois do jantar - como eu digo, estes judeus são doidos (!), definitivamente para eles quando é para trabalhar, é mesmo para trabalhar... No primeiro dia estive sempre na conferência, mas é um bocadinho chato, porque quase todas as apresentações são em hebreu, e não é fácil para mim seguir - há dois anos foi pior, aí não pescava mesmo nada de hebreu, mas mesmo assim continua a não ser muito óbvio, em particular porque muito dos assuntos são mais geologia tradicional e não me interessam assim tanto como isso... mesmo assim, no primeiro dia portei-me estoicamente, não só dei a minha apresentação (que correu bem) como nao faltei a nada e lá fui interpolando o hebreu... já no segundo dia baldei-me, e passei o dia num passeio de jeep (shame on me)... no terceiro dia voltei a entrar nos eixos e fui ao trabalho de campo - mais uma ensaboadela de hebreu técnico...

O passeio de jeep foi muito divertido; fomos fazer parte do trilho de Israel, no wadi Dishon. O wadi é muito agradável, com imensa água (pelo menos nesta altura do ano), e como é habitual em Israel, onde a conservaçao da natureza é levada muito a sério e fazer caminhadas é um passatempo nacional, os percursos estão muito bem sinalizados e muito bem preservados. Foi um passeio de jeep "a sério", com muitos, muitos solavancos, lama, travessia de ribeiros, o menu completo... o meu amigo é mesmo fã de todo o terreno e tem experiência de muitos anos, por isso gosta da parte técnica, a lama, as subidas dificeis, muita adreanalina...

No wadi vimos os shafan a brincar ao sol. Os shafan parecem coelhos grandes mas na verdade são parentes mais próximos dos manatins e dos elefantes. Em israel é muito comum chamar shafan aos coelhos, por serem parecidos, mas não tem nada a ver. A minha máquina não é grande coisa, por isso só com muito esforço se consegue ver o shafan do lado direito, em cima da rocha...


É mais fácil assim - aqui está um shafan simpático


Depois de parar para tomar um chá junto a antigos moínhos de água, deixamos o wadi e fomos visitar umas caves muito famosas aqui (Dalton). O vinho em Israel tem se tornado de altíssima qualidade, do Negev aos Golan, e esta zona é particularmente famosa pela qualidade do vinho... eu não sou apreciadora do produto, mas o sítio era engraçado. Depois das caves passamos pelo wadi Hazor para ver a gruta de Alma, e ainda tivemos tempo para ir até ao tsuk Manara. Tsuk quer dizer penhasco em hebreu, e é um enorme penhasco, com um teleférico muito confortável. Lá subimos no teleférico, e no cimo tem-se uma vista fabulosa de kiryat shmona em baixo e do monte Hermon ao fundo:



Depois de voltar do passeio de jeep fui até ao hotel para despachar algum do e-mail mais urgente (tinha umas coisinhas a preocupar-me) e depois fui até à reserva natural do lago Hula (fazia parte do programa da conferência). Lá fomos todos de autocarro até à reserva, e depois fizemos um tour ao sítio numa espécie de atrelado cheio de cadeiras e puxado por um tractor. O guia ía dando imensas explicações, mas não apanhei muito (novamente o hebreu...), mas foi muito giro, não só os pássaros (a principal atracção) mas todo o ambiente da reserva, os lagos, as lontras, as plantas de papiro... gostei bastante!





O último dia da conferência foi dedicado ao trabalho de campo... havia quatro possibilidades, e eu escolhi mais ou menos à sorte, dado que mais uma vez a geologia não é exactamente a minha área... calhei num tópico com que até tenho alguma familiaridade (paleomagnetismo)... menos mal, mas mesmo assim foi uma estopada... é que o meu entendimento das duas linguagens ("geologuês" e hebreu) é muito limitado, o que definitivamente não ajuda. Acho engraçado o passeio em si, e acho importante familiarizar-me com os métodos e forma de pensar dos geólogos, que têm especificidades muito próprias... o mundo da geologia é bastante diferente do da física e da matemática aplicada, e por causa do meu trabalho interdisciplinar sinto obrigação de aproveitar todas as oportunidades para me familiarizar um bocadinho mais com o outro lado... mas mais de seis horas de um lado para o outro, sobe e desce, pelo meio de terra e lama, "atrás" de um gabro - enfim, estica um bocadinho a minha paciência...



A maior parte dos colegas (em particular o pessoal do GSI) foram muito simpáticos e iam dando de vez em quando explicações em inglês, e uma espécie de "geologia para tó-tós", o que permitiu que eu fosse seguindo, senão os detalhes pelo menos a ideia principal da coisa... e também não desgostei da caminhada em si, se bem que sentisse a falta de um lanchinho (que o ar livre abre-me o apetite) e sou medriquinhas nas subidas/descidas (rasguei uma das minhas calças de ganga favoritas numa rocha à conta da minha mania de descer "sentada"). Mas o que me tira do sério são as discussões intermináveis (não é só em Israel, parece-me que os geólogos têm grandes diferendos em todas as partes do mundo - diferendos como quem diz... se a falha está aqui ou acolá, se é de um tipo ou do outro, etc... este tipo de polémicas). Que haja discussão até acho muito bem, mas fazê-lo junto à pedra.... é que o estar a olhar para a rocha na altura não traz nada de novo, mas eles gostam de estar a discutir as diferentes teorias e factos anteriores (datações/ estatrigrafia / etc...), "no campo". Numa dessas alturas, sentei-me no chão a ouvir a discussão interminável sobre a falha, e... adormeci! suponho que eles (geólogos) relevaram, que vindo de um matemático é desculpável tal faux pas... Amiguinhos, proponho o seguinte: irmos para o campo, sim senhor, porque é giro ver as pedrinhas; depois ir para um sítio com sombra, espaço para sentar, internet e cafézinho, para discutir as teorias... que me dizem a esta ideia? ;)

As fotos estão aqui

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