Saturday, 21 February 2009

Desligada

Esta semana fiquei sem telemovel. Ou melhor, tenho o telemovel, mas recusa-se a carregar. Não dá sinal de vida, pelo que estou desligada do mundo (no que concerne comunicações móveis). Por isso o pessoal fica avisado - SMS, etc fica desactivado até Abril...

Primeiro fiquei preocupada. Parece quase impossível viver sem telemovel. Mas antes era assim (lembram-se?). Como comprar um telefone com teclado em hebreu e pelos preços praticados aqui não está nos meus planos, resolvi prescindir do bichinho... e tenho sobrevivido! Tenho e-mail, skype,... por isso não é tão mau como parece. Passei a usar o palm como despertador - descobri que é mais eficiente, talvez por o som ser mais irritante, mas isso não é necessáriamente mau, faz parte da função. Sinto falta do telemovel para o yoga (pode ser que seja desta que arranjo um cronómetro!) mas tenho-me safado a contar as respirações, e a usar o palm para savasana. Apesar de não estar convencida que consiga contar o mesmo tempo digamos em virasana ou paripurna navasana, não noto diferenças significativas no tempo que demora a minha prática - pode ser que haja males que venham por bem ;)

Se é verdade que estou a viver relativamente confortável sem telemovel, é só enquanto estiver em Israel... até porque pode ser que entretanto já tenha saído o pŕoximo bichinho que estou a namorar, o Palm Pre ;)

De pantufas

Passei o shabbat de pantufas. Lá fora está frio, vento, chuva, muita trovoada, até granizo! Eu sei que os meus amigos hão-de estar contentíssimos (este ano foi bastante seco em Israel, e o nível do Kinneret continua baixo) mas não gosto do tempo cinzento e da chuva, muito menos quando estou sozinha :( Acima de tudo não gosto nada da trovoada... não digo que tenha medo medo, mas não deixo de me sentir um pouco gaulesa, com receio de que o céu me possa cair em cima da cabeça...

It's all too much

It's all too much, Peter Walsh

Encontrei este livro quando andava à procura de livros novos para o palm... tinha prometido a mim mesma que não comprava mais livros enquanto não acabasse os que tinha, mas como acabei de ler o livro do Dalai Lama e fiquei com a leitura toda em dia, resolvi presentear-me com um livrinho.

Enquanto deambulava pelo eReader.com deparei-me com este livro "It's all too much" e resolvi comprá-lo... valeu a pena, porque li-o num instante e gostei imenso! O downside é que estou outra vez sem livros novos para ler no palm, pelo que parece que vou ter que voltar às comprinhas ;)

O título reflecte a tese principal do livro: de que temos coisas a mais - o que comprovadamente não só não traz mais felicidade, como traz dificuldades. O interessante é que começa por analisar as causas do problema, e em vez de dar um conjunto de regras ou ideias de como organizar as coisas, foca-se na motivação e nos processos, e só depois nas estratégias específicas para organizar tudo. Nesse aspecto é um livro diferente dos livros tradicionais sobre organização da casa (como interessada no tema, tenho uma pequena colecção) e é definitivamente o meu preferido - uma espécie de GTD para a casa

Mal posso esperar para pôr o livro em prática e reorganizar a casa. Eu não sou propriamente desorganizada e a minha casa está até bastante arrumada - mesmo estando fora o Zé mantém (e nalguns aspectos ainda melhora) a organização doméstica... por isso não é que precise desesperadamente de uma reorganização. Mas estes dois anos em que morei fora habituei-me a viver com menos coisas e de alguma forma a ter os meus pertences mais portáteis, e cheguei à conclusão de que de facto preciso mesmo de muito menos coisas do que julgava inicialmente. Um dos side-effects engraçados é que viajo mesmo muito mais leve do que antes. Já tinha notado porque comecei a usar frequentemente outra mala (mais pequena), mas a "prova provada" foi quando esta semana fui para trabalho de campo (com dois colegas macho) e ao chegar ao hotel constatei que era sem sombra de dúvida a que estava mais leve - é dificil trazer menos coisas do que um homem, mas parece que já cheguei lá ;) o treino é tudo...

Se em viagem e no meu apartemento já tenho tudo muito controlado, e vivo mesmo com poucas coisas, na minha base (ou casa mesmo, como eu lhe chamo) ainda não estou nesse ponto... e é por isso que estou desejosa de fazer uma grande arrumação - até porque mesmo sendo muito organizado depois de 10 anos é quase impossível não acumular tralha, e é preciso uma "major review" de vez em quando... O livro começa com um "Clutter Quiz", estas são algumas das perguntas - nem vou comentar sobre a resposta ;)
5. How many magazines are in your house right now?
a. Three - the current issue of each magazine I get
b. A lot - but I need them for my job
c. I have every issue of National Geographic. It's an outstanding collection

6. How many paper and shopping bags are you saving?
a. A handful - we use them to recycle newspapers
b. An overstuffed milk crate plus a few extra. You never know what size bag you'll need
c. Every single bag that enters the house
A propósito encontrei este "What's your clutter personality", que está fantástico... diria que sou 30% "Hoarder", 5% "Deferrer", 15% "Perfectionist", 50% "Sentimentalist" ;)

Friday, 20 February 2009

Negev & Elat

Esta semana estive no Sul, em trabalho de campo. Gosto sempre bastante do trabalho de campo, e ainda mais quando é no sul e não é no verão, pelo que é juntar o útil ao agradável - ou como eu costumo brincar, é um trabalho árduo, mas alguém tem que o fazer ;)

Em geral o problema no sul é o calor, mas como em Jerusalém estava mau tempo, com frio e chuva, não me importei nada da mudança, antes pelo contrário. Em Jerusalém está sempre mais frio, por causa da altitude ... notei a diferença quando paramos em Rehovot, estava já muito mais ameno, e em Bersheeva já sentia que tinha mudado de país. Não estava o calor do costume, mas no Negev é sempre igual - areia, pedras e pouco mais - como um deserto deve ser. Arrependi-me de não ter levado uma T-shirt, mas estava com tanto frio em Jerusalém que me limitei a pôr roupa mais leve... mas para a próxima já sei, e mesmo que esteja com roupa de Inverno ao sair de Jerusalém, tenho que chegar ao Negev com roupa de Verão.



Embora o trabalho de campo envolva necessáriamente algum passeio, este foi dos que deu mesmo imenso trabalho, porque grande parte do que havia para fazer era no tunel, em Amram. Felizmente não sou claustrofobica, mas mesmo assim estar algumas horas fechada num tunel comprido (mais de cem metros) com mais de setenta metros de rocha sólida por cima é uma experiência não muito agradável... particularmente quando a temperatura esta nos trinta graus e a humidade acima de 90%, fica-se a suar em bica e dificulta a respiração - para já não falar no factor invisivel da radioactividade (chegamos a medir mais de três mil Bq/m3 - quando o limite para efeitos de saúde está nos duzentos). Mesmo assim, gostei imenso e achei divertido (já estou a ver o pessoal a questionar o meu conceito de diversão).

Fomos para o hotel do costume, em Elat, e depois do jantar, também como o costume, fomos até ao Aroma que fica ao lado do hotel. A diferença foi que desta vez além de tomar café e ver o e-mail estivemos umas horas à volta de um artigo. Estava super-cansada e só me apetecia fechar os olhos, mas o meu colega de setenta anos continuava energicamente à volta da cadeia de decaímento do urânio, pelo que não tive coragem de dar parte de fraca e tentei seguir o melhor que podia. Gosto mesmo de trabalhar com estes colegas, porque conseguem ser pior do que eu em termos de trabalho - só queria chegar com essa pica já não digo aos setenta, mas pelo menos aos cinquenta...

No dia seguinte de manhã tirei esta foto da janela do meu quarto... é que o céu estava cinzento como eu nunca tinha visto em Elat, e parecia mesmo que ía chover. O pessoal ao pequeno almoço fartava-se de olhar lá para fora, na antecipação de presenciar a chuva, que é um evento raro - há sete anos que não chove em Elat. Apesar da expectativa e do céu cinzento não choveu... começou a clarear e de tarde já estava sol, pelo que foi desapontamento geral. Em compensação pelo caminho apanhamos tempestades de areia, o que também é relativamente raro nesta altura (a areia do Sahara costuma chegar na primavera e no outono)... Chegamos a Jerusalém quase à meia noite, pelo que definitivamente vou tirar o fim de semana para descansar - estou exausta - mas foi giro :)


Saturday, 14 February 2009

KDE 4.2

Hoje actualizei o meu sistema para o kde4.2. O Ze que anda sempre mais adiantado nas versões já me andava a dizer bem do novo kde há algum tempo (como sempre!) mas eu mantive-me céptica (porque será? ;) ). Mas hoje lá actualizei... inicialmente, o sistema treleou completamente - dava ideia que sempre que eu abria um programa diferente o KDE colapsava (!)... mas depois de uns quantos "restart" pareceu estabilizar (o Zé explicou-me depois que o desvario inicial tinha a ver com os ficheiros de configuração, mas perdi-me na explicação técnica...). O que interessa é que agora não parece estar a portar-se mal...

Não noto grandes diferenças em geral, excepto talvez estar mais bonitinho (ainda mais!)... de caminho o KDE parece mais um projecto de design do que outra coisa... mas enfim, indo ao que interessa. O korganizer (que é um dos programas que eu mais uso, e em relação ao qual estava com alguma expectativa) está mais ou menos igual até diria mesmo mais lento, desgraçadamente! :( Ultimamente tinha melhorado alguma coisa (o copy/paste voltou a funcionar, os filtros voltaram a funcionar correctamente...) mas a questão da velocidade manntém-se - está lento lentinho...

Uma das grandes vantagens do KDE 4.2 é que o kpilot voltou (sim!) e parece melhorzinho de facto (finalmente alguma coisa no KDE que parece andar para a frente, em vez de para trás). A única coisa que não consegui sincronizar foi os contactos (queixa-se de que falta alguma coisa no akonadi) mas de resto funcionou muito bem... a ligação ao palm foi à primeira (sem a habitual dor de cabeça do device) e sincronizou o calendário e as tasks direitinho (hurra!)

Actualizações

Esta semana resolvi fazer uma coisa que já me tinha lembrado há algum tempo mas que ainda não tinha conseguido concretizar - fazer uma introdução ("para tó-tós") relativa à minha package ArDec. Quando quem desenvolve a package (moi) se vê à nora e precisa de consultar as help pages frequentemente (como me aconteceu esta semana, quando estava a analisar uns dados de marégrafos), dá para imaginar como não será para quem encontra a package pela primeira vez...

Por isso resolvi de facto passar à prática e fazer um tutorial pequenino, e o engraçado é que a partir do momento em que decidi que era mesmo uma coisa que tinha/queria fazer nem demorou muito, algumas horas... e como de costume 80% do trabalho ficou feito em cerca de 20% do tempo. Era para usar o sweave, mas não consegui instalar à primeira no LyX... entretanto o Zé já me ensinou como fazer (há umas certas vantagens em a cara-metade ser guru do LyX), por isso da próxima vez talvez use o LyX e o Sweave, mas para ja fica assim... o resultado está aqui.

A pretexto disto corrigi um bug que tinha na documentação da ArDec (que agora o parser está mais exigente, e detecta erros que antes passavam). Também por causa do tutorial (e não só) andei este fim de semana a actualizar a minha página "profissional" (aqui). Mais uma vez verifiquei a lei de Pareto em acção (80% do tempo em niquices), mas acho que foi tempo bem gasto, porque não é só uma questão de apresentação ou estética... o organizar na página os tópicos em que estou a trabalhar ajuda-me também a organizar as ideias e a pôr alguma coerência naquilo que faço... por isso de vez em quando preciso mesmo de fazer estas actualizações e reorganizar o conteúdo do site...

The Universe in a Single Atom

The Universe in a Single Atom, Dalai Lama

Demorei imenso tempo a ler este livro. Poderia dar a desculpa que durante a altura do Natal aproveitei que estava em casa para ler livros em papel, e deixei um pouco os livros digitais... até porque tinha vários livros novos para ler (o resultado de tentar ler todos os livros que me ofereceram no Natal antes de voltar para Israel foi que fiquei com todos a meio, enfim...). Mas não, isto não é desculpa... porque desde aí já peguei em vários livros digitais "repetidos" (tenho livros fantasticos, não me custa nada voltar a ler) e este era uma inércia...

A questão é que os capítulos 1-4, não vou dizer que são seca... mas não achei assim tão atractivos (pelo menos quando comparados com as outras possibilidades que tenho no palm, mesmo que sejam livros que já tenha lido). Não tenho dúvida que estes capítulos mais sobre cosmologia / relatividade e o universo serão importantes, mas para já não é o que mais me atrai (curiosamente, estudei tanto cosmologia na universidade que perdi a atracção pelo tópico, não sei explicar porquê!). Por isso esta parte foi muito, muito devagarinho...

Mas os capítulos 5 a 8 (essencialmente sobre consciência) são fantásticos, mal conseguia pousar o livro, e li-os muito depressa. E também gostei mais do capítulo 9 (ética e a nova genética) do que estava à espera... Por isso é mesmo um livro fantástico, recomendo vivamente a todos os cientistas e não só! e se começar a parecer chato, basta depois do capitulo 1 saltar para o 5 ;)

Friday, 13 February 2009

Estatísticas

Esta semana tinha a minha porta uma cartinha que claramente nao era publicidade, mas demorou algum tempo até que percebesse exactamente o que era, que o meu hebreu ainda está muito incompleto... afinal era do gabinete central de estatistica de Israel, por causa do recenseamento anual, e por isso não liguei, já que era "só" estatística. Em casa de ferreiro...

Mas afinal insitiram que eu tinha que participar no recenseamento (aparentemente o meu argumento de que seria um outlier nas estatísticas não foi convincente), e os serviços de recenseamento parecem ser muito eficientes... pelo que lá tive que obedientemente preencher o formulário. O que vale é que era muito pequenino - parece que só querem saber quem e quantas pessoas moram em cada casa... estatísticas!

Thursday, 12 February 2009

Erros básicos

Apesar de me considerar quase uma "expert" em GTD, a verdade é que de vez em quando ainda cometo daqueles erros mesmo muito basicos.

A semana passada aterrou no meu IN informação sobre uma conferência que vai haver aqui em Israel e a que eu vou. Apesar de a conferência ter um site muito catita e ser muito bem organizada, a parte dos pagamentos é uma dor de cabeça. É que a única forma de pagar é por cheque ou em dinheiro (shekels) - o que torna a coisa complicada para quem não tem uma conta bancária em Israel - como já sofri na pele em anos anteriores... e os recibos vêm em hebreu (o que definitivamente não ajuda... se por vezes são picuínhas com recibos em português ou inglês, dá para imaginar como será com um recibo em hebreu...).

Enfim, voltando ao caso... o que eu tinha no IN eram umas folhinhas com toda a informação sobre a conferência (em hebreu) e rabiscado em cima o nome e nº de telefone do tesoureiro, a quem poderia pagar - e neste caso o tesoureiro é meu colega no GSI, pelo que desta vez nem seria muito complicado. Por isso coloquei na minha tasks list "Falar com X (X=colega)". E esta taskzinha aparentemente inócua andou primeiro insidiosamente, depois descaradamente a assombrar a minha task list. É que tinha dois "problemas" que não tinha formulado, senão muito vagamente... i) detesto telefonar, principalmente para alguém que não conheço - pelo que preferia passar pelo colega e falar com ele pessoalmente do que usar o telefone; ii) não sabia onde ficava o gabinete do colega (das coisas que faz muita falta no GSI é uma lista das pessoas e em que edifício estão).

Por causa disto esta pseudo-task ficou a pairar na lista. Com a deadline a aproximar-se este assunto começava a chatear-me e a aumentar os meus níveis de ansiedade sempre que os meus olhos passavam por esta task... Hoje, num assomo de inspiração, fui à pagina do GSI, procurei o nome do colega, apanhei o respectivo e-mail, e mandei-lhe uma mensagem, a perguntar quando podia falar com ele, e onde ficava o gabinete dele. Lá me respondeu que podia aparecer quando quisesse, e explicou-me onde ficava o gabinete. No total demorou cerca de 10 minutos - muito mais fácil e menos complicado do que eu estava a fazer - um nobrain mesmo... O problema foi que ao ter escrito a task deveria ter logo pensado no que queria fazer exactamente, e especificar (telefonar, ou e-mail, etc...) em vez de deixar no vago "falar com...". São coisas pequeninas, mas que fazem toda a diferença!

Tuesday, 10 February 2009

Temporal

Afinal o Inverno veio mesmo hoje! Chuva, muito vento, trovoada ... menú completo. O pessoal que ainda ontem se queixava que não chovia, hoje já se queixava da chuva - pelo menos não achava assim tanta piada à ventania e ao temporal que caiu sobre Jerusalém... ainda por cima no dia de hoje, que é de "férias". Quando um amigo me tinha dito que hoje era um dia "sabbatical" pensei que era tipo tolerância de ponto, por causa das eleições, mas que o pessoal iria trabalhar, pelo menos uma parte do dia... qualquê! O GSI estava deserto... afinal este dia ainda é melhor do que o shabbat, porque é como um shabbat mas pode-se fazer quase tudo, por isso é mesmo de aproveitar... só eu tó-tó fui trabalhar... de qualquer modo mesmo que ficasse em casa estaria a trabalhar, mas escusava de ter ido experimentar a chuvinha... até porque cheguei molhada até aos ossos! Só espero que amanhã esteja melhor, que tenho aula de yoga às nove e não quero chegar toda molhada...

Monday, 9 February 2009

Imprevisível - Mafalda Sacchetti

Letras deliciosas e melodias a condizer - adoro esta música! Imprevisivelmente, diria... ;)

pdfshuffler

Andava há que tempos a queixar-me ao Zé da falta que me fazia o pdftk para lidar com pdf's (cortar / juntar páginas, etc...). É que tinha-o instalado no outro portátil, e quando o tentei instalar neste já não deu, dava-me sempre erro... por isso andava a fazer esse tipo de operações no acrobat do trabalho, no janelas (shame on me!), mas como se diz... quem não tem cão, caça com gato (neste caso ainda mais abaixo do que gato, mas enfim, a cavalo dado...).

Pois o meu maridinho "fedora-man" enviou-me no fim de semana um link para um rpm do pdfshuffler, que supostamente iria resolver o meu problema. Não muito convencida, lá instalei o dito e é FANTASTICO! Simples, pequenino, extremamente eficiente, muito, muito melhor do que o pdftk! Não podia estar mais contente com o pdfshuffler! :)

Agora para ser mesmo tudo perfeito, só faltava o okular fazer a revisão de pdf's um bocadinho mais compatível com outro software... mas se for como o pdfshuffler, vale a pena esperar... porque o resultado, neste caso, não podia ser melhor - é mesmo um programinha muito útil!

Saturday, 7 February 2009

Inverno ?!

No shabbat não há muito para fazer, e como não dá muito para sair decidi aproveitar o bom tempo e passei uma grande parte da manhã na minha varanda/terraço... claramente tipo lagarto a esturricar ao sol. Provavelmente noutra altura estaria cá dentro, mas ainda estamos suficientemente perto do Inverno e longe do Verão para que o sol seja uma coisa agradável e não um transtorno... pelo menos para mim - que os meus colegas estão fartinhos de se queixar do "bom" tempo. É que aqui bom tempo quer dizer chuvinha e até agora não tem havido muita! E o pessoal está farto de se queixar do "mau" tempo, i.e. da falta de chuva. Quando começa a enevoar as hostes animam-se com a perspectiva, mas não caindo água do céu volta tudo ao queixume do tempo ingrato. Agora disseram-me, como a anunciar um qualquer prémio ou benesse, que "vamos ter Inverno na terça feira"... lá fui ver a previsão e dá "light showers", pelo que não me parece que haja grandes razões para muita expectativa... mas não há nada como ter esperança, e o pessoal já espera ansiosamente pela terça feira, e pelo dia de Inverno que supostamente será...

Eu racionalmente sei o quanto chover é importante para Israel, mas isso não me convence a fazer cara feia ao sol... e pelo sim pelo não, que o Inverno pode mesmo ainda vir, lá estive na varanda, de manga curta e ao calor, a aproveitar o solzinho, e juntei o útil ao agradável, que no processo ainda me fartei de trabalhar e terminei um artigo chato que estava a rever... agora só falta ter um monitor sun-friendly, que então é que montava o escritório no terraço... para já tenho que me contentar só com o trabalho em papel, que com o sol não consigo ver quase nada no computador, e muito menos no palm... uma peninha....

Friday, 6 February 2009

ארומה (Aroma)

Acho que ja falei varias vezes do Aroma - uma cadeia tipo starbucks, mas melhor, como diz um amigo meu ;) O Ze quando esteve ca ficou fã, do café e principalmente do ice coffee... eu gosto mais dos doces (claro! ;) ), do café com gelado, e do ambiente - muito descontraído, confortável e com internet grátis.

O problema é que aqui em Jerusalém andava desconsolada com os Aroma... fora de Jerusalém gostei sempre muito de todos os Aroma a que fui (quase sempre durante as viagens de campo, não sei se influencia...) mas aqui em Jerusalém fiquei sempre um pouquinho desapontada... o Aroma da rua Hillel enfim, não me parece ter um ambiente tão agradável nem ser tão confortável (pelo menos como um Aroma deveria ser), o Aroma perto de Ben Yehuda é muito pequenino, e mesmo tendo quase sempre mesas livres falta qualquer coisa que torne agradável estar lá mais do que o tempo de tomar um café, e as sandwishes deixam muito a desejar (há boa vontade e são simpáticos, mas são trengos - uma vez deram-me uma sandes a abarrotar de mozarella frio, um horror) e o Aroma do mercado, que ainda é o que eu acho mais piada - tem uma decoração meio arabe (ou melhor exótica / oriental) está sempre, sempre cheio, principalmente ao fim de semana... por isso o panorama "Aromatico" não é muito animador... até que descobri o Aroma da rua de Jaffa!

Tinha-o avistado de dentro do autocarro, e hoje decidi lá ir... e valeu a pena! Apesar da localização central, tinha imensas mesas livres (talvez por haver imensos cafés à volta) e o ambiente "certo". Fiquei encantada e estive um bom pedaço lá, a desfrutar do sol, verificar o e-mail e rever um artigo, enquanto tomava o costume - um "Aroma coffee" e uma tarte de maçã que até para mim é muito doce (!) - ocorreu-me depois que dada a hora deveria antes ter comido uma sandwich e ficava almoçada, mas o mal já estava feito...

Não tem bom aspecto? e sabe ainda melhor - principalmente o chocolate ;)


Thursday, 5 February 2009

Hebreu

Acabei de estudar o meu livrinho "Hebrew - 10 minutes a day". Não quer dizer que já esteja fluente em hebreu, mas quer dizer que já estudei todas as lições e fiz os exercícios todos do livrinho, o que já não é mau... a receita milagrosa para seguir o livro até ao fim é mesmo os 10 minutos por dia. Segui à risca, e de 10 em 10 minutos, cheguei ao fim :)

Mesmo tendo terminado o livro vou continuar a estudar hebreu 10 minutos por dia, mas agora tenho que mudar a estratégia... enquanto tinha o livrinho era muito prático, era só seguir as lições, agora tenho que arranjar um esquema para continuar os "estudos". Para já estou a rever o que já aprendi, e comecei pelos verbos.

O problema/vantagem do hebreu é que o conhecimento da língua aumenta exponencialmente, quanto mais se sabe mais fácil fica. Mas o não ter as vogais explícitas dificulta bastante o processo, porque é preciso ter um conhecimento bastante abrangente da língua para sub-entender as vogais. Por exemplo se em português aparecesse cs, pensaríamos talvez primeiro em casa (e não cosa ou casi, ou cusi, ou cosi, etc... dá para perceber a ideia. O meu problema é que o meu vocabulário ainda não é suficiente para imediatamente excluir essas possibilidades, e sem ajuda do contexto fica dificil... por exemplo se vejo ברק debaixo da cara do homem, associo imediatamente que é barak (e não birak ou borak, ...) mas sem a fotografia seria muito complicado, porque ainda demoro bastante a correr mentalmente (e eventualmente descartar) todas as possibilidades...

Como dá para imaginar por este exemplo, agora leio (ou tento ler!) avidamente tudo o que me aparece à frente - os cartazes eleitorais, anúncios, sinais,... já consigo ler com mais facilidade e à medida que vou aprendendo mais termos fica mais fácil. Nos autocarros já consigo ler o destino em hebreu e na maior parte das vezes consigo perceber o significado - se conheço o sítio - lá está, se fôr uma palavra que nunca tenha ouvido antes já é muito mais dificil - as vogais fazem imensa falta! Não falo muito (o inglês sai mais naturalmente) mas tenho uma pronuncia muito boa (segundo me dizem) porque pronuncio bem os rrr. Por isso tenho que deixar de responder, quando me perguntam alguma coisa, que não falo hebreu (ani lo medaberet ivrit), porque já não é o primeiro que fica com um ar desconcertado a olhar para mim - é como ouvir alguém dizer num português perfeito "eu não falo português" ;)

Todos os dias de manhã ouço a "radio yerushalaim". Apesar de mal conseguir seguir as notícias, gosto muito da música em hebreu... por isso até já pensei em comprar um cd - mas precisava de arranjar as letras, assim aprendia as musicas e percebia o que diziam. A minha impressão é que a maioria da música é meio marcial (nos temas) com uma melodia à escoteiro, um pouco ingénua e melancólica mas muito "cantável" - consigo trautear alguma coisa, mesmo em hebreu... Também já me lembrei de comprar uns livros em hebreu, a ver se começava a ler alguma coisa seguida, mas antes ainda preciso de estudar mais um bocado, senão não largo o dicionário e não é tão agradável - como eu costumo brincar, vou ler a bíblia em hebreu, porque é o unico livro que não é para crianças e que tem o nikkud (os símbolos para as vogais).

Vou praticar os verbos...

Wednesday, 4 February 2009

Parabéns ao meu maridinho!



Pois é, hoje o Zé faz anos, Parabens! Como o livrinho do GTD chegou cedo demais, não resisti a encomendar outro na Amazon, para ser surpresa, e por incrível que pareça o livro chegou no tempo exacto, mesmo na "mouche" - tive(mos) sorte :) Gostava de neste dia em particular estar em pessoa, mas cada vez mais me convenço que se pode estar perto estando longe e estar longe estando perto... e mais não digo ;)

Aulas

Hoje fui tratar das minhas aulas de yoga aqui em Jerusalém. Agora são só dois meses, mas mesmo assim achei que precisava de voltar a ter aulas... é que não tenho uma aulinha desde Setembro! Com o ano novo judaico, as viagens, os natais, fui sempre adiando... para dizer a verdade, de certa forma habituei-me e gosto de praticar em casa - é que eu sou "animal doméstico" e já tenho uma rotina bem oleada - chego a casa, mudo de roupa, cerca de 1 hora, por vezes um pouco mais de prática, jantar, às nove estou despachada... dá jeito não ter que sair de casa - principalmente no Inverno não é muito apelativo sair para as aulas de yoga à noite e voltar depois das onze (o que para mim é definitivamente muito tarde). Habituei-me ao meu ritmo caseiro, e tenho praticado muito regularmente - a minha única dificuldade continua a ser quando estou em viagem ou mudo de sítio, aí ainda tenho bastante dificuldade em manter a prática - talvez efeito do meu apego ao sítio e à rotina...

Mesmo em casa, nunca me sinto exactamente desacompanhada, "ouço" frequentemente as vozes dos meus professores... a Joana a dizer para usar a mesma energia de urdhva prasarita padasana para esticar as pernas em sarvangasana, a Leonor a dizer "cara de savasana", a Hagit a dizer para baixar "more,more,more" em parsvakonasana e virabhadrasana II (aprendi a focar na virilha e não em dobrar a perna ao baixar), o Kariel a dizer para fincar os cotovelos no chão para abrir o peito em savasana, a Ephrat a explicar como rodar em trikonasana... E mesmo com aulas mais ou menos irregulares (por causa das viagens, trabalho de campo, etc...) aprende-se sempre imenso em cada aula, pelo que decidi que pelo menos uma vez por semana deixava o meu conforto doméstico e ía à aula de yoga, custasse o que custasse. Como definitivamente não sou dada a horários nocturnos, fui hoje ao centro de yoga em Talpiot falar com a minha professora, e acertei passar a ter uma aula por semana às quartas, às nove da manhã. É quase uma manhã de trabalho perdida (com os autocarros,...), mas acho que vale a pena! Aqui não é muito bem visto fazer estas coisas no horário de trabalho, mas tenho a certeza que não vai estragar muito a minha produtividade, e depois compenso... começo para a semana! :)

Tuesday, 3 February 2009

Collection triggers

Ficou o nome em inglês, porque não consegui encontrar uma maneira de dizer em português... os "collection triggers" são mesmo isso, uma lista de tópicos que ajudam a despoletar coisas que ainda estão algures no cérebro, e que precisam de sair de lá... o processo de colecção (coleccionar ideias/papeis/etc... tudo o que não está no sistema, e precisa de lá entrar) é mais ou menos óbvio, mas pelo menos uma vez por mês ajuda sistematizar / guiar o processo de colecção, e é aí que entram os collection triggers.

Em geral faço isso aquando das revisões semanais/mensais, é sempre uma das primeiras coisas - passo os olhos pelas listinhas e se algum item me faz lembrar alguma coisa, ponho uma notinha num papelucho ao lado (que vai para o IN e será posteriormente processado). Acaba por isso por ser um processo relativamente rápido. Desta vez, porque estava na altura da revisão mensal (e a primeira revisão mensal do ano dá-me particularmente gozo) e por circunstâncias do meu timetable, olhei para os collection triggers durante o voo para Tel Aviv, e só no dia seguinte terminei a revisão mensal. Á conta disso o processo de colecção demorou mais tempo do que o habitual (porque tinha tempo - não pretendia fazer a revisão mensal no avião, que não estava com energia para isso), mas acho que vale a pena. Vou passar por isso a separar o processo de colecção "mensal" da revisão mensal propriamente dita, e suspeito que o ideal é não ter nada à mão, excepto os collection triggers (óbviamente) e um sítio onde anotar o que aparecer (bloquinho, palm, ...). Já me estou a ver a fazer isto no Aroma, a tomar um café com gelado, ou à beira da praia, ou num jardim... quem disse que o processo de colecção não pode ser agradável? ;)

Aqui ficam as listinhas (a maior parte vem do livro do D. Allen)

GTD-collection-triggers - Work
- Projects started, not completed
- Projects that need to be started
- Commitments/promises to others (boss, colleagues, ...)
- Communications: initiate or respond to calls, letters ....
- Writing (reports, reviews, proposals, articles, ...)
- Meetings to set/request
- Significant read/review
- Financial: budgets, balance sheet
- Planning (projects next stages, upcoming events, travel)
- Systems (computers, utilities, storage,...)
- Office: organization, furniture, decorations, food,...
- Waiting for information / delegated tasks / completions critical to projects / replies to e-mail, calls, letters, proposals, requisitions,... / decisions of others
- Professional development: training/seminars / things to learn / things to look-up / skills to practice/learn

GTD-collection-triggers - Personal
- Projects started, not completed
- Projects that need to be started
- Commitments/promises to others (family, friends, ...)
- Communications: initiate or respond to calls, letters, ....
- Upcoming events: birthdays, anniversaries, weddings, holidays, travel, weekend trips, vacations, cultural events
- Things to do: places to go, people to meet/invite, local attractions
- Administration: financial, bills, banks, insurance, filling
- Waiting for: information / mail order / repair
- Home: heating, plumbing, electricity; decoration, furniture, utilities, kitchen, washers; areas to organise / clean; tools, closet, clothes, luggage, garage, storage
- Systems: computers / connections / Music
- Vehicle repair / maintenance
- Health-care (doctors, dentists, specialists)
- Hobbies
- Errands: grocery, bank, laundry, ...


Uma "nice crowd"

Cheguei a Israel de madrugada (como de costume) apanhei o sheroot e dormitei pelo caminho (como de costume) e depois de chegar a casa fui dormir e só acordei perto do meio dia (como começa a ser costume - antes ainda ía quase direitinha para o trabalho, mas ando a ficar mais preguiçosita - ou menos resistente...). Resolvi ir trabalhar da parte da tarde, depois de um brunch e de desfazer as malas. O primeiro choque foi ter a casa inundada de sol (no Porto esteve sempre chuva e o céu cinzento), depois quando saí de casa foi o ar de Primavera, não muito quente mas suficientemente agradável para não parecer de todo Inverno, e quando saí do autocarro junto ao shuk, surpreendi-me ao sentir uma "nice crowd". A expressão veio de uma amiga minha indiana, que um dia me disse qualquer coisa do estilo - "vamos a este sítio no domingo, porque está uma nice crowd". Na altura fiquei quase apavorada - uma multidão na India não é como em qualquer outro lado, é uma questão de escala... depois, para mim crowd e nice são palavras que simplesmente não andam juntas, seja na India ou noutro sítio qualquer... por isso lembro-me perfeitamente da estranheza que senti por ser possível alguém associar muita gente a algo mesmo que remotamente agradável... mas quando me vi de repente na confusão de línguas, pessoas, trajes que é habitual no centro de Jerusalém, fui invadida por uma sensação de familiaridade e ocorreu-me que era uma "nice crowd" :)

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