Sou uma tia babada, mas não uma tia galinha, i.e gosto muito dos meus sobrinhos, mas não ando sempre de volta deles, nem estou muito tempo com eles. Não é só por estar bastantes vezes fora, ou por estar ocupada com trabalho e afins, ou por não querer ser daquelas trintonas sem filhos (como eu) que tratam os sobrinhos como pseudo-filhos e os usam como bengala emocional... é mesmo feitio, e pronto. Mas tentamos algumas vezes no ano reunir os míudos para o que designamos "dia dos sobrinhos", em que juntamos os sobrinhos todos (a Bia do meu lado e os dois do lado do Zé - o terceiro ainda é muito pequeno) e tiramos o dia para estar com eles e passear. Em geral o dia dos sobrinhos acaba por ser na altura do Natal, na Páscoa e nas ferias grandes, dependendo dos nossos calendários, mas nos últimos anos a coisa tem estado de tal forma complicada que acaba por quase só dar no Natal, e às vezes nem isso.
Este ano parecia que nem sequer no Natal, porque tanto eu como o Zé estamos ocupadíssimos quer em termos de trabalho quer com os preparativos normais da época. Mas quando no domingo a nossa sobrinha mais velha se virou para mim e perguntou com um ar muito determinado "ó tia, este ano quando é o dia dos sobrinhos?" não tivemos coragem de dizer que não haveria dia dos sobrinhos, e lá combinamos para hoje. Eu queria ir ao circo, mas não há sessão à segunda feira, por isso acabamos por decidir ir antes ao cinema, e fomos ver "a lenda de Despereaux" (preferiamos o Madagascar, mas já estava esgotado, e não quisemos esperar pela sessão seguinte).
A coisa foi mais ou menos como de costume... as canções e jogos durante a viagem, as fitinhas e mimos, a alegria usual por estarem juntos (curiosamente eles dão-se mesmo bem, mas estão muito poucas vezes juntos - so mesmo nestes nossos passeios ocasionais - por isso é sempre uma festa quando se encontram)... Como foi tudo mais ou menos como de costume talvez nem me desse ao trabalho de relatar aqui este "dia dos sobrinhos" não fosse uma diferença inesperada em relação aos anos anteriores. É que a Bia (que mora perto do Mar shopping, onde fomos ao cinema) insistia que queria ir aos insufláveis, e nós pensamos que era um parquezito ou assim, como há nos shoppings, onde eles íam brincar um bocadito e nós ficávamos a ver, mas afinal "os insufláveis" como a Bia lhe chama, é o Mar Junior, um serviço de ocupação de tempos livres.
Fomos completamente apanhados de surpresa, mas embarcamos na coisa, porque estavam os três excitadíssimos com a perspectiva. A Bia, que é cliente habitual do serviço, já lá tinha ficha, foi só fazer ficha dos outros dois, e preencher os meus dados (que incluía dar o BI, tirar fotografia e a impressão digital) e pronto... foi tudo extremamente rápido e eficiente, e em pouco tempo vi-me com uns talõezinhos na mão para ir "levantar" os miudos... e sem sobrinhos... que eles saltaram lá para dentro e mal olharam para trás!
Foi uma sensação esquisita, ficamos a olhar um para o outro, que de repente vimo-nos sem os miúdos, não era própriamente o que estavamos a imaginar. E quem é a tia desnaturada que quase no único dia do ano que sai com os sobrinhos os deixa entregues (bem entregues é certo) mas entregues a um serviço deste tipo? Mas não posso deixar de dizer que é uma sensação agradável ter um "descanso" inesperado e um tempinho para nós, e aproveitamos para tomar um café os dois, namorar e fazer umas compritas... Apesar de me sentir um bocadito culpada, e de olhar de vez em quando para o telemovel (que eles contactam se houver algum problema) soube muito bem, e quando os fomos buscar mais de uma hora depois já tínhamos as energias recarregadas e estávamos prontos para lhes dar toda a nossa atenção outra vez. E eles estavam todos contentes... para a Bia foi a novidade de poder partilhar o que ela faz habitualmente sozinha com os "primos", para os outros dois foi uma experiência completamente nova e estavam todos muito orgulhosos com os desenhos que tinham feito para nós.
Por isso foi uma dia dos sobrinhos diferente, mas engraçado... e eu fiquei fã do sistema do Mar Junior... acho que deixá-los lá mais de uma hora é demais, mas se for com moderação é uma óptima "ajuda", pelo menos imagino eu para quem tenha filhos... mesmo como tia, é uma ajudinha que sabe mesmo bem... e é grátis nas primeiras duas horas.