Wednesday, 29 October 2008

Diwali

Ontem foi a noite de Diwali, o festival das luzes (na realidade o festival dura cinco dias, por isso ja havia ambiete de festa antes, mas ontem foi o dia principal - o equivalente ao nosso Natal).

Fui convidada para jantar com uma familia indiana, e foi muito giro. Primeiro vi o lancamento do fogo e foguetes, no exterior, depois ofereceram-me um prato de comida tipida de Diwali... infelizmente nao fixei os nomes - sei que eram muitos doces, e uma especie de flocos parecidos com graos de arroz. Depois do "prato de Diwali" comecou o jantar propriamente dito, e como sempre havia imensa comida e muita variedade, que nao se faz por menos, e foi um jantar muito agradavel.

Todas as casas estavam super-iluminadas, nao so com imensas velas mas tambem com muitos enfeites e luzinhas de todas as cores. Aqui na vizinhanca, para onde quer que olhase ontem a noite so via luzes, muitas luzes. Infelizmente, parece ser nao so o festival das luzes mas tambem do barulho. O pessoal faz questao de estar constantemente a lancar foguetes, fogo de artificio, "crackers" e basicamente parece que quanto mais barulhento melhor! (para dar sorte, parece). Por isso fui dormir como se estivesse sob bombardeamento, mas a coisa parou por volta da meia noite, e consegui dormir... supostamente e' proibido lancar os foguetes entre as 10 pm e as 6 pm, mas o pessoal nem sempre respeita. Agora que passa um bocadinho das seis ja recomecaram os lancamentos (e' impressionante a quantidade de "municoes" que existe, cada familia tem um arsenal enorme!)... mas hoje ha alguns minutos entre os detonamentos, enquanto que ontem, noite de Diwali, era praticamente continuo...

Hoje e' como se fosse o primeiro dia do ano, e vive-se um ambiente de recomeco. E' engracado que este ano ja e' o segundo "ano novo" que apanho, primeiro o Rosh Hashana em Israel e agora o Diwali na India. De alguma forma estes calendarios em que a epoca de novo ano e' em Setembro / Outubro parecem-me mais apropriados, pelo menos mais proximos do ciclo natural de colheitas e recomeco. Enfim, pode ser que ao celebrar tres inicios de ano tenha ainda mais sorte para 2009! :)


Tuesday, 28 October 2008

Paltan Bazar

Hoje e' o dia de Diwali, o festival das luzes,e quase ninguem veio trabalhar. Por isso vim ate ao gabinete, para verificar o e-mail, mas depois fiz gazeta, e resolvi ir explorar as redondezas. E' que desde que cheguei ainda nao tive grande oportunidade de conhecer o sitio... como estou alojada no campus do Instituto, a minha vidinha e' toda feita ca dentro; tomo todas as refeicoes na guest-house, onde estou alojada, e so tenho que andar uns metros ate ao edificio onde esta o meu gabinete, por isso a minha rotina e' pouco mais do que guest-house-gabinete, gabinete-guest-house, e esta feito... Os meus anfitrioes ficam descansados por eu estar neste ambiente a parte e seguro, de alguma forma isolado do exterior e mais parecido com o ambiente ocidental (as infra-estructuras do Instituto sao muito boas, de nivel europeu), mas tenho a sensacao de que assim nao consigo tanto apreciar realmente o sitio. Por isso ignorei as recomendacoes de nao sair sozinha do Instituto, e lancei-me 'a exploracao :)

Decidi andar, porque acho que nao ha melhor maneira de conhecer uma cidade do que percorre-la a pe. No domingo tinha feito uma primeira experiencia de andar sozinha aqui na rua do Instituto, so fui ate ao fim da rua e voltei... a confusao e' muita, mas aparte as vacas e os caes, e as pessoas que olham para mim como se fosse extra-terrestre, nao ha problema... nada que uma escoteira reformada como eu nao consiga... por isso hoje calcei as minhas botas de montanha, apetrechei a mochila, e sai do instituto a pe (para espanto dos guardas), resolvida a ir ate ao centro da terra, talvez fazer uma compritas. Um dos meus problemas eh ainda nao ter arranjado um mapa decente do sitio, mas tinha uma ideia vaga de onde era o centro, e limitei-me a andar nessa direccao. Hoje e' um dia particularmente movimentado, com toda a gente a preparar-se para o festival e a fazer compras nesta altura auspiciosa. Uma das coisas mais impressionates e' o contraste tao grande entre ricos e pobres, um nivel de pobreza que e' impossivel imaginar. Na berma da estrada tanto se ve lojas de elctrodomesticos e os ultimos modelos de telemoveis, como uma especie de barracas (so com tecto, nem sequer tapadas nos lados) em que (sobre)vivem familias numa miseria indescritivel...

Como a minha orientacao espacial nao e' grande coisa, limitei-me a seguir a rua principal e a ter atencao redobrada ao caminho. A certa altura encontrei uma loja que tinha muito bom aspecto, e entrei; de facto tinha tudo, era uma especie de minimercado que ate produtos de cosmetica ocidentais tinha, por isso aproveitei para comprar detergente para lavar a roupa (o que estava a precisar mais urgentemente), bolachas (tenho andado ougadita, que nao trinco uma bolacha desde que cheguei) e ainda uns presente de Diwali, que hoje fui convidada para jantar, e nao queria ir de maos a abanar. Nao ficou barato (para os padroes da India) cerca de quatrocentas rupias mas sao menos de sete euros, por tudo... Animada com as compritas, la continuei, sempre pela mesma rua... ao longo da caminhada fui-me habituando e ficando mais confortavel... a quantidade interminavel de lojas, vendedores de flores e de lampadas e decoracoes para o Diwali, a confusao do costume, as buzinas interminaveis, as motas e bicicletas aos zigue-zagues, tudo vai ficando menos estranho e mais familiar, apesar de tudo...

A certa altura, decidi que ja tinha andado o suficiente e apanhei o taxi aqui do sitio, um vikram, que nao e' mais do que uma mota com um assento atras; ha vikrams grandes, que sao tipo transporte publico, levam 6 ou mais pessoas, mas eu apanhei a versao "taxi" mais pequena, e fui ate ao MacDonalds (eu sei, shame on me... - mas apetecia-me comer outra coisa que nao comida indiana, por isso tinha avisado na guest-house que hoje nao almocava - assim os senhores tambem podem tirar o dia para preparar o Diwali, que eu sou a unica hospede). Aqui o McDonalds tem hamburger vegetariano, o que e' optimo, e um menu completo custou-me 109 rupias (menos de 2 euros) e nao so tirei a barriga de miserias como os McDonalds sao iguais em todo o lado, e este nao fugia a regra, pelo que tambem me soube bem estar num ambiente mais familiar para variar.

Depois do almoco voltei a andar a pe, e 'as compritas... fui ate a torre do relogio, e depois andei pelo Paltan Bazar, que nao me pareceu assim tao diferente do souq arabe em Jerusalem (so havia mais lixo e motas), mas de resto a confusao era enorme, muitas lojas, tudo muito semelhante... e hoje o sitio estava cheio, por causa do festival. Mas diverti-me a apreciar a confusao e as lojas e ainda comprei umas blusinhas 'a indiana muito catitas! Agora que penso nisso esqueci-me de regatear, mas com blusas muito bonitas a 100 rupias (menos de 2 euros) nao tinha grande motivacao para regatear... limitei-me antes a tentar nao ser muito impulsiva e a comprar algo de que realmente gostasse. Nao sei se vou usar esta roupa em Portugal, mas pelo menos aqui acho que fico mais jeitosa com este tipo de roupa...

Depois do mercado no Paltan Bazar voltei a apanhar um vikram para o instituto e ca estou... vou agora preparar-me para o Diwali...

Monday, 27 October 2008

Bichos

Aqui na India tenho-me deparado com imensos bichos. Felizmente ainda nao pus o olho em nenhuma cobra, o unico bicho de que tenho de facto um terror enorme (e espero que continue assim ate ao fim da visita!), mas de resto tenho tido encontros com muitos bichos, alguns inesperados... O que talvez me assutou mais foi quando um largato enorme (tipo camaleao, mas maior) apareceu no meu gabinete, vindo da janela. Nao estava a contar, estava no computador descansadinha, e de repente olho para o lado e la estava o lagarto, a passear a menos de um metro de mim! Dei um salto e fugi do gabinete, e so voltei a entrar passados uns minutos, que eu de repteis nao gosto nada... o lagarto deve ter ficado tao ou mais assustado que eu e tambem fugiu (hopefully la para fora).

Insectos ha imensos, mas felizmente nao me impressionam, e nao me considero particularmente nojentinha... na casa de banho apareceu uma barata, que fugiu, e tinha no meu quarto uma grande teia de aranha, com a respectiva ocupante. Ja ia dizer aos senhores para me limparem aquilo do quarto quando vi que na teia havia imensos voantes, e pensei que era uma especie de "insecticida natural", pelo que resolvi deixar a aranha como garantia contra os mosquitos. Os voantes nao me metem medo, mas tenho receio que me piquem e que apanhe alguma doenca (tenho a consciencia pesada por nao ter feito tratamento contra a malaria) por isso tenho posto repelente (que em boa hora comprei em Israel), e para ja parece resultar. Tambem deixo a ventoinha no tecto do quarto ligada durante a noite, nao pelo calor mas por causa dos voantes... tenho impressao que a ventoinha os desencoraja a voar nos meus dominios.

De alguns bichos, como as vacas ou os caes, nao tenho medo, mas tambem nao fico inteiramente descansada. Ha muitos caes, que por vezes ladram furiosamente e sao um bocadito agressivos. Eu gosto ate bastante de caes, mas aqueles por que passo nao me inspiram muita confianca. E tambem gosto de vacas, acho um animal simpatico e meigo, mas ha uns dias passei na rua mesmo rentinho a uma vaca e senti algum receio (mas nao atravessei para o outro lado para nao dar parte de fraca). Nao me mete medo, mas faz-me alguma impressao andar muito perto das vacas, que aqui aparecem frequentemente a passear nas ruas ou a descansar nas bermas.

Finalmente, tenho visto muitos bichos engracados e inofensivos. Muitos passaros, de diferentes tamanhos, cores e feitios, e ate esquilos!

Saturday, 25 October 2008

Aventura - sobre rodas...

Hoje tive talvez a experiencia mais estranha desde que cheguei à India. Não vou dizer que não tive medo, é bastante assustador, mas a certa altura deixo de ter medo, como se fosse outro que não eu a viver aquele momento, e eu fosse um mero espectador que observa o desenrolar dos acontecimentos, talvez até semi-divertido com o inesperado da coisa...

Então foi assim: um colega daqui que conheci à hora do almoço queria mostrar-me o trabalho dele, porque tem dados experimentais e precisava de ajuda para os analisar, e por isso queria colaborar comigo. Apesar de ter trabalho até aos cabelos, como se costuma dizer, não resisto a um tema interessante e a umas seriezinhas temporais novas, e estas eram de dados magneticos para estudos de paleoclima, um tema que eu gosto bastante... por isso mal terminou a conferencia fui com o tal colega ver as ditas (séries temporais) e foi mesmo muito interessante... No fim da conversa, o meu colega ofereceu-se para sair comigo e mostrar-me Dheradun, e eu aceitei - não porque me apetecesse muito, que estes dias tenho tido tão pouco tempo para respirar que estava mesmo a precisar de ter algum tempo para mim, mas achei que era indelicado recusar...

Então, o meu colega disse que ía só buscar a bike... aqui há imensas bicicletas e motas, e é comum levarem 3 ou mesmo 4 passageiros (não me perguntem como!). Comecei a imaginar a aventura que seria andar de bicicleta em Dehradun! mas não estava assustada ou preocupada, e talvez inexplicavelmente nem me passou pela cabeça recusar... eu alinho com o que me aparece (dentro do limite do razoável) sem grandes questões - cômo tudo o que me põem no prato, cumprimento da forma tradicional, e se é para comer com as mãos cômo com as mãos, se é para andar de camelo é para andar de camelo, e se é para ir de bike... seja, é para ir de bike! suponho que é uma das maneiras de lidar com a diferença...há quem tente esforçadamente manter os modos habituais a qualquer custo (tipo tentar cozinhar bacalhau em Israel), eu tendo a alinhar com o sítio, porque de alguma forma sinto que é um privilégio poder provar uma cultura diferente, e tento aproveitar ao maximo essa experiência... por isso em Israel sou uma rapariga de falafel e humous, na Dinamarca bebericava (bebia talvez seja um abuso de linguagem) cerveja e andava de bicicleta, e aqui na India... cômo arroz, dhal e chapata, já estou a ficar bem experiente em comer com os dedos (da mão direita) e até já dou por mim a menear a cabeça "em curva e contra-curva"...

Por isso, lá estava à espera da bike, mas afinal não era uma bicicleta, como eu pensava mas uma mota, das grandes, até toda high-tech... por isso, vi-me rápidamente em cima de uma mota, sem capacete, a percorrer as ruas de Dehradun. Para quem nunca esteve na India, é dificil de explicar o que "as ruas de Dehradhun" quer exactamente dizer... é uma confusão infernal, com imensas pessoas, bicicletas, motas, carros, algumas vacas, um barulho enorme, muita desordem - e eu nem sequer estou habituada a andar de mota em ruas normais, quanto mais aos ziguezagues no meio da confusão de uma movimentada rua na India! Mas sobrevivi, não só estou aqui para contar como foi, como devo dizer que à vinda já nem tinha grande medo e até apreciei o passeio, mas no início ía um bocadito assustada, com todas as buzinelas e todas as rasantes a carros, motas e camiões, os solavancos, as ruas sem asfalto aos tropeções... e o meu colega conduzia tipicamente à indiano, uma sucessão de acelerações e travagens bruscas, e muitos ziguezagues e excursões pela mão contrária - senti-me como quem anda numa montanha russa, mas talvez pior..

Mas valeu a pena, porque fomos até à escola da filha do meu colega, porque era a festinha do colégio. Foi muito engraçado, porque estava tudo super-organizado e muito profissional (notei exactamente o mesmo padrão na conferência aqui, uma surpreendente espécie de formalidade britânica). Começou pelo acender da luz (que também houve aqui na conferência) e várias actuações dos alunos da escola, desde canções tradicionais, quawali, mahaganpatim, várias danças, e uma complexa peça em hindi; não só os miudos portaram-se como profissionais (sem perder a graça de serem miudos) como tudo, cenários, luzes, trajes, estava muito bem feito... no fim acabei a tirar imensas fotografias (que os filhos e a mulher do meu colega faziam imensa questão em posar comigo para o "snap" (como eles chamam), e pronto, foi giro... mas a parte da moto... foi uma aventura!

Friday, 24 October 2008

Comprita

Hoje fiquei contente com a minha capacidade de regatear, que melhorou consideravelmente com a minha estada em Israel. Durante a conferência houve uma pequena exposição de livros, e num dos intervalos passei os olhos a ver se havia alguma coisa que interessasse... não tanto por estar a precisar de nenhum livro, mas como o câmbio da rupia é tão favorável pensei se não poderia arranjar alguma pechincha... mas os preços estavam em libras inglesas (!) e não em rupias, e afinal dava 3300 rps, ou cerca de 50 euro. Não é assim tanto como isso, para o livro que é (Bayesian Methods for Data Analysis, Carlin & Louis, 3ª edição) mas como apesar de ser um livro interessante não era algo que estivesse exactamente a precisar, recusei... ofereceram-me então uns descontos e consegui baixar o preço das 3300 rps para 2800 rps... ja estava a pagar quando percebi que eles só tinham o exemplar em exposição - que não estava estragado (até porque é de capa dura) mas não me parecia exactamente novo... por isso voltei atrás e hesitei, porque não queria trazer o livro em exposição, e então ofereceram-me novo desconto, e acabei por trazer o livro por 2500 Rps! Acho que para o livro que é fiz um óptimo negocio - e agora já não tenho desculpa para não estudar estatistica bayesiana!...

Wednesday, 22 October 2008

Festa


Hoje foi o meu segundo dia na India, e logo calhou ser convidada para uma festa - e' que o director aqui do Instituto estava a inaugurar a nova casa, que tinha acabado de construir, e hoje era a festa da inauguracao - para dar boa sorte... por isso la fui, assim como metade do instituto, tanto quanto me pareceu, e era uma festa grande e movimentada, com todos os vizinhos, familiares e amigos.

Uma coisa que ja deu para notar no pouco tempo desde que ca estou e' a enorme hospitalidade dos indianos, e' notoria a tentativa de tratar um convidado o melhor possivel... por isso houve sempre alguem a fazer-me companhia e a ajudar-me, e todos sao sempre bastante prestaveis; outro side-effect desse espirito e' que ha sempre imensa comida, e muito boa... ja estou a ficar craque em comer so com os dedos e com uma colher, e apesar de ser um bocadinho forte ("spicy") demais para mim, em geral gosto da comida. Foi muito giro poder participar numa festa tipicamente indiana, e uma especie de crash-course sobre os habitos, tradicoes e regras de etiqueta desta cultura tao hospitaleira.

Tuesday, 21 October 2008

India


Ja tinha lido alguma coisa sobre a India... como alguem dizia e' um outro mundo e o choque cultural e' quase inevitavel, por isso estava razoavelmente preparada mas mesmo assim e' de facto um choque.

Ainda no aviao, o que mais me surpreendeu foi a falta das luzes que invariavelmente aparecem quando se aterra de noite numa grande cidade. Delhi parecia muito pouco luminosa, e essa impressao manteve-se quando percorri depois parte da cidade. O aeroporto era pequeno mas razoavelmente organizado e nao me pareceu tao mau como eu tinha ouvido... despachei-me razoavelmente depressa e sem problemas.

La encontrei o meu motorista, a segurar uma plaquinha com o meu nome, e sai do aeroporto para o parque de estacionamento, que era em terra batida e parecia uma mistura de estacionamento e acampamento, com muita gente, mesmo as quatro da manha! Mas o meu motorista la afastou o pessoal (que entretanto se tinha encostado ao carro) e eu la entrei num carro que eu nao sei dizer qual e' a marca - so posso dizer que era muito catita e devia ser o topo da moda nos anos 50, talvez 60... antiguinho... e sem cintos de seguranca!

Os primeiros kilometros foram um choque, por varias vezes acreditei piamente nao que ia morrer, mas que de certeza ia ter um acidente... parte da confusao eh que eu nao estou habituada ao trafego pela direita, e tinha muitas vezes a impressao que estavamos em contra-mao... mas alem disso, o modo de conduzir na India e' simplesmente indescritivel! Depois disto, nunca mais digo que os Israelitas sao maus condutores ou pouco civilizados! A buzina e' usada constantemente, sem exagero - fiquei na duvida se os camioes tem atras "please horn" por ironia (como eu pensei inicialmente) ou se e' mesmo um pedido... circula-se de facto pela direita mas e'simplesmente uma indicacao, que a faixa a ocupar por um veiculo parece depender muito mais do trafego e do condutor do que qualquer regra e andar na faixa contraria e' bastante comum. As estradas estao cheias de gente, bicicletas, motociclos, vacas e carros de bois, e o meu motorista (e suponho que em geral seja assim) limitava-se a andar a maior velocidade que podia, travava com brusquidao quando a isso era impelido e fazia ultrapassagens inimaginaveis - sempre a buzinar... nao da mesmo para explicar, so mesmo visto...

Primeiro mantinha-me com os olhos presos ao transito, mas depois de alguns kilometros tive a nocao de que nao haveria muito mais que me pudesse espantar, desde andar na faixa contraria a ultrapassagens rasantes, e claro todo o barulho e confusao... por isso deixei de dar muita importancia e fui dormitando pelo caminho... paramos num "resort" muito bem arranjado, para turistas - tanto quanto eu percebi sao mesmo sitios muito especiais, onde um indiano comum nao costuma entrar, e comi uns vegetais fritos (pouraka's acho eu) muito bons, e um cha; do resto da viagem nao me lembro muito, dormi grande parte do caminho. Lembro-me de ao chegar a Dheradun o cenario me lembrar muito o livro da Selva, talvez por causa da floresta, as escarpas e os macacos a saltitar na beira da estrada. E claro a pobreza - indescritivel... mas suponho que uma pessoa ganha uma certa insensibilidade... apesar de tudo, e de estar muito cansada, fiquei contente por ter vindo - e' a India!

Monday, 20 October 2008

Viagem

Esta foi uma das viagens mais tranquilas que ja tive. Nada de atrasos, nem esperas muito longas, e os servicos de seguranca em Ben Gurion foram surpreendentemente "amorosos" (para o costume)... a certa altura ate tive um assomo de preocupacao, um ligeiro sentimento de inseguranca (afinal isto e' um voo de Israel para a Turquia) mas nao, na segunda "parte" do processo os funcionarios revelaram-se eficientes e meticulosos, como sempre, (apesar de continuarem anormalmente pouco implicativos) e fiquei mais descansada...

O voo para Istanbul foi muito agradavel, o aviao ia muito vazio e eu vim a vontade, numa fila completamente vazia... posso adicionar que a comida da Turkish airlines e' muito boa (e em porcoes que ate o Ze aprovaria) e Istanbul parece ser muito bonita vista de cima.

Estava a contar dormir um bocadinho no segundo voo, de Istanbul para Delhi, mas acabei por vir o caminho todo a conversar com o coleguinha do lado, e nao deu nem para fechar os olhos. O tipo era turco, de Istanbul, e tambem ia para uma conferencia em Delhi (de ciencias sociais, tanto quanto eu percebi ia falar sobre a relacao entre a Turquia e a Asia) - foi assim que comecou a conversa... o senhor falava um ingles bastante razoavel e era notoriamente instruido - nao e' todo o estrangeiro que eu encontro que sabe sobre a revolucao de 1975 ou Salazar, por exemplo... por isso foi interessante, o senhor tinha bastante curiosidade sobre Portugal e os Portugueses, como era pertencer a uniao europeia, e eu la ia respondendo e fazendo delicadamente as perguntas correspondentes em relacao a Turquia.

Foi no seguimento disso que o inevitavel "problema" da religiao e o Islamismo apareceu, e apercebi-me que o tipo era muculmano (como me disse mais tarde, ate era casado com a filha de um Iman), e seguiu-se uma conversa animada sobre o Islamismo, o Corao e a atitude da Europa em relacao ao Islao. Como o tipo me pareceu ter bastante cultura, tentei de facto perceber o ponto de vista de um muculmano, sem esconder as reservas que tenho em relacao a politica e cultura da maior parte dos pais islamicos. Ainda lancei mais uma acha para a fogueira ao adicionar a perspectiva de Israel (inicialmente tinha prudentemente omitido que estava em Israel, just in case) e foi mais um aspecto que deu uma discussao viva (mas muito polite).

Fiquei com a impressao que se isto eh o que pensa um muculmano moderado e instruido, nao consigo imaginar como sera um radical! Foi como se se abrisse uma janela para uma perspectiva do mundo totalmente desconhecida... e' engracado como a mesma coisa pode ser vista de forma tao diferente. O tipo apresentou argumentos a favor de o Irao ter armas nucleares (nunca imaginei que uma pessoa minimamente sensata pudesse sequer acreditar nisso, quanto mais tentar defende-lo abertamente) e ia tentando mostrar-me as virtudes do Islao, usando frequentemente exemplos do Corao. Achei de facto assustadora a maneira de ver o mundo tao a preto e branco, nos (muculmanos) e os outros, a conviccao de que os Estados Unidos, a Europa e Israel estao contra os muculmanos e tem uma politica intencionalmente anti-Islao, e a atitude de que o Egipto e a Jordania (os paises arabes pelos quais tenho mais simpatia) sao traidores e fantoches de Israel.

Ao mesmo tempo notei o que eu acho ser a inveja e o sentimento de inferioridade dos muculmanos em geral em relacao a Israel, principalmente quando me perguntou com indisfarcavel curiosidade "tu que os conheces... eles sao assim tao inteligentes?". E quando me perguntou se eu achava que o estado de Israel iria sobreviver, respondi com um inequivoco "espero que sim!". Apesar de continuarmos em campos opostos (eu nao fiquei convencida das virtudes do Islao e nao me parece que tenha conseguido convencer o tipo das virtudes de Israel), foi uma "luta" com galanteria, e despedimo-nos com consideracao... mas se me perguntarem se quero que a Turquia faca parte da Uniao Europeia... provavelmente respondo que nao!

Sunday, 19 October 2008

Preparativos

Como vou amanhã para a India, tenho estado ocupada nos ultimos dias com os preparativos. Quando comecei a ler de facto coisas sobre a India, a coisa já não parecia assim tão risonha - é so avisos sobre os cuidados a ter com as doenças e as comidas e os pedintes... e guias de etiqueta, tipo "como comer com as mãos" e as peculiaridades do papel higienico ou falta dele, entre outros "exotismos"... mas enfim, estou confiante que a coisa vai correr bem - deixa-me ir fazer a mala...

Cabeleireiro

Esta sexta feira fui cortar o cabelo, que estava enorme (bem, enorme talvez não seja exactamente o termo, mas quando se tem o cabelo muito curto é mesmo preciso estar sempre a corta-lo, porque basta começar a crescer um bocado para já não ficar bem...). Desta vez decidi tentar o cabeleireiro aqui da vizinhança, "JoseFashion"... este sim, era um cabeleireiro a sério, todo "in", a respirar "fashion" - e muito concorrido! todas as madames aqui da zona, que eu moro numa rua muito chique.... mas felizmente também rápido, e nem esperei muito... curiosamente, todos os funcionários do cabeleireiro eram homens - o que me trouxe reminiscências de "You Don't Mess with the Zohan". Em Portugal os homens quando lavam a cabeça são muito delicados (pelo menos os que eu apanho), enquanto que aqui notei uma certa brusquidão e falta de gentileza, mas o serviço fica feito bem e é rápido - tipicamente à israelita... Lá me cortaram o cabelo (outro senhor, não o menino que lava as cabeças), embora tivesse que insistir para que cortasse mais um bocadito, que o homem parecia renitente em usar a tesoura - mas eu lá tentei incentiva-lo, garanti que o meu cabelo cresce depressa, e até tinha uma fotografia no palm de quando estava giro e muito curtinho, para dar como exemplo... apesar de não ter ficado completamente satisfeita, estava bem melhor do que antes (mais curto pelo menos) pelo que achei que valeu a pena. Mesmo assim em casa ainda dei uma aparadela na rêpa com a minha tesourinha das unhas - não que eu seja muito hábil para essas coisas, mas definitivamente precisava de mais umas tesouradas... Paguei uma fortuna, quase 200 shekels! mas são os preços do mercado aqui, por um serviço mediano... enfim, mais um item para juntar à lista das coisas boas em Portugal a que só se dá valor quando se está fora - penteados catitas e a preços decentes!

Friday, 17 October 2008

Ainda a sukkah...

Já tinha dito que estamos no sukkot... e que há sukkah(s) por todo o lado, jardins, varandas, alpendres, terraços, até no passeio; não me tinha era apercebido do número de sukkah "publicas"... mas esta semana quando fui almoçar à pizaria do costume, as mesas tinham sido transferidas todas para a sukkha no passeio em frente... e na baixa de Jerusalém, que tem bastantes cafés e restaurantes, os passeios estão cheios de sukkahs! o que pensando bem faz algum sentido... como supostamente se deve comer na sukkah durante os 7 dias do sukkot, os restaurantes para não transgredir precisam de ter a sua sukkah... mas eu acho engraçado :)



The ultimate accidental housewife

The ultimate accidental housewife: Your Guide to a Clean Enough House, J. Eldelman

Comprei este livro como e-book, por 8.96 USD; não terminei de ler, e não tenciono fazê-lo. A unica coisa que me consola é que como é um e-book basta apagá-lo, não precisa de andar pelos cantos a ganhar pó e a ocupar espaço...

O livro prometia - o titulo e a sinapse (foi por isso que o comprei). As primeiras páginas pareciam confirmar essa impressão... a ideia é que uma parte significativa de pessoas, tanto homems como mulheres, são donos de casa acidentais, ie, pessoas que não têm propriamente um interesse particular em andar a limpar a casa ou uma vocação especial para serviços domésticos, mas que por terem uma casa são forçados a arranjar maneira de a manter mais ou menos limpa. Por isso seria um livro não de como manter tudo arranjadinho e limpinho, mas como manter a coisa minimamente decente, com o minimo de tempo e trabalho.

O conceito é excelente... mas embora seja isto que o livro apregoa que dá, fica muito aquém... as primeiras páginas são prometedoras, dirige-se de facto aos domésticos acidentais, mas depois quando começa com as dicas propriamente ditas passa a dirigir-se a um outro tipo de ave, que parece ter uma quantidade de tempo ilimitada, um gosto por todo o tipo de produtos de limpeza, e como preocupação fundamental a preservação do aspecto das unhas... mais, o tom é para mim bastante irritante, e não acho piada à tentativa de transformar a escrita numa transcrição de discurso oral, com todas as interjeições e expressões americanas que me fazem sentir tratada com alguma condescendência e como atrasada mental... dona de casa menos perfeita, ainda admito, mas não tó-tó... parece que o autor dá um tiro no próprio pé - será que acha que quem lê um livro sobre como arrumar a casa é idiota e deve ser tratado como tal?

Bom, ainda tentei usar o livro como soporifero, para justificar os 8 dolares... e não é que nem para isso serve? ao contrario de um bom livro, que se fecha com uma sensação agradável antes de dormir, este dá-me sono, é verdade, mas mal o fecho perco o sono outra vez...

kbabel --> kaider --> Lokalize

Fui outra vez à procura do kbabel (para mim é sempre kbabel, não há nada a fazer...) e claro, nada... depois lembrei-me que tinha mudado de nome, e que até tinha um post sobre isso (foi a primeira vez que usei o search do meu próprio blog), mas também nada... é que agora também já não é kaider mas Lokalize! Admito que Lokalize é um nome bem mais apropriado (se bem que eu continue a preferir kbabel...) mas isto de estar sempre a mudar o nome não tem nada a ver! suponho que deve haver uma razão para isso, mas mesmo assim...

Caso semelhante, mas menos grave é o do basket, que já foi kbastet numa encarnação anterior... é que apesar de já ter mudado de nome há algum tempo, custa a habituar-me a chamar-lhe só basket...

Tuesday, 14 October 2008

10 minutos por dia

Há uma colecção de livros que se chama "10 minutes a day" - eu tenho o "Hebrew in 10 minutes a day", e de facto está bem apanhado. O conceito não é novo ou muito sofisticado, mas é surpreendentemente eficaz.

O problema é que o cérebro parece ser incapaz de fazer estimativas temporais muito precisas e tem tendência para sistemáticamente subestimar ou sobrestimar o tempo necessário a uma determinada tarefa. Talvez mais importante, a precisão da estimativa não é independente do estado emocional ou físico do indivíduo... obviamente que o cérebro não é uma maquina, e basta uma pessoa estar um bocadinho mais cansada ou com fome, por exemplo, para afectar a capacidade de estimar intervalos de tempo. E estamos sempre a fazer julgamentos temporais! per vezes apercebemo-nos disso - por exemplo quando conscientemente calculamos o tempo para uma tarefa - mas a maior parte das vezes é um processo que passa despercebido, por exemplo tomamos decisões baseadas em critérios temporais sem sequer ter noção de que houve um cálculo de tempo envolvido... mas a maior parte das vezes há... não um cálculo objectivo de tempo, mas a tal estimativazinha difusa que o nosso cérebro faz, a maior parte das vezes sem darmos por isso...

Voltando ao hebreu... como tenho deixado escapar, vai devagarinho... consta que tenho boa pronuncia, mas o vocabulário ainda é reduzido, e só agora comecei a conjugar os verbos. Uma das razões pelas quais não vai mais depressa, é que não estudo o suficiente - já pareço os miudos, mas é verdade... tanto posso passar um shabbat completo à volta do hebreu, a estudar o livro, ouvir cd's, etc... como posso estar mais de um mês sem sequer olhar para a coisa - ou melhor, a olhar de vez em quando com ar culpado para os livros a descansar em cima da secretaria...

Por isso aquando da ultima revisão mensal, enquanto ponderava semi-desconsolada o meu progresso no hebreu, decidi mudar de estratégia... e tenho praticado todos os dias, sem falhar, 10 minutos. Exactamente 10 minutos. Nem um minuto a mais nem a menos. Marco 10 minutos no telemovel e pego no meu material do hebreu. Quando o alarme toca, páro, obedientemente fecho os livros, e pronto... simples não é? Funciona muito bem para aprender uma língua - parece-me que há alguma vantagem em tomar o hebreu em colheres pequeninas, uma por dia - mas acho que funciona com tudo.

Claro que se se fizer batota não funciona - nada de dizer que são 10 minutos quando queremos estar meia hora a fazer algo, porque aí o nosso cerebrozinho nota que o queremos enganar e arranja mil e uma desculpas e artimanhas para nos afastar da tarefa. A ideia é não dar permissão ao cérebro de fazer qualquer estimativa, conjectura, julgamento; cortar a "criatividade" - nada de pesar diferentes alternativas, se vale a pena ou não, se não estamos antes com fome, ou cansados, ou com sono, ou... nada. Durante estes 10 minutos sou como um soldado, que não questiona ordens. Até indicação em contrário (até deixar de constar no meu korganizer e lista de projectos) estes 10 minutos são sagrados, cumpridos sem questionar e sem pestanejar. E isto só é possivel, porque são só 10 minutos - é essa a beleza da coisa! claro que desligar a função de pensar e manter só a de executar não é uma atitude muito inteligente de se tomar - mas por 10 minutos, é não só seguro, como pode ser essencial

Experimentem... só 10 minutos por dia dedicados a algo que se quer fazer mas nunca ha tempo... quando estiver fluente em hebreu, já tenho os "10 minutos de python" ou os "10 minutos de solfejo" ou os "10 minutos de DP" na manga (ou melhor na minha someday/maybe list)

Is Iyengar Yoga Rigid or Harsh?

Monday, 13 October 2008

Só me saem duques!

Pois... é mesmo assim que me sinto! Ontem comecei a rever um artigo de um tipo, e fiquei mesmo danada - não é que as três primeiras páginas eram uma cópia exacta da wikipedia, sem tirar nem pôr! (mesmo! até os links o tó-tó manteve, o que faz muito sentido numa página web, mas num manuscripto fica hmm... deslocado, no mínimo!). Não estava a contar que a coisa estivesse grande coisa (não é por a afiliação ser de um país hostil a Israel, mas não estava muito optimista), mas enfim, não estava a contar que alguém ousasse submeter uma coisa tão fradulenta. E o resto do "manuscripto" não era melhor do que a cópia da wikipedia, enfim era ainda pior, que o textito da wikipedia nem estava mau. Bom, la escrevi o relatório óbvio para um "trabalho" deste tipo - não pude evitar algum sarcasmo e ironia, ao fazer a "apreciação" - e despachei a coisa em menos de uma hora, que já era tempo a mais gasto a ler "batota"...

Tinha outro artigo para rever (até ao fim de Outubro, mas queria despachar antes de ir para a India), e por isso resolvi pegar nisso hoje, para tirar o gosto que me tinha ficado do outro... e mal comecei a ler a coisa, irritou-me mesmo. Não é um problema de fraude, como o outro, até é muito honestinho, por isso é fácil de perceber o que está mal. Também é sobre um assunto que eu estudei bastante (nem sempre acontece a familiaridade com o topico ser assim tão grande). Simplesmente era um exemplo de uso "descuidado" (talvez ingenuo?) de métodos estatísticos, e a estatistica é como uma ferramenta, bem usada é uma maravilha, mas quando se usa sem perceber bem o que o instrumento faz, quais as vantagens e as limitações, é perigoso... Não costumo ser nada mazinha a rever artigos, pelo contrario, só recomendo rejeição mesmo em ultimo caso, e basicamente tento ter a atitude que gostaria que alguém tivesse ao rever um dos meus artigos, mas este não só não estava tecnicamente correcto, como me irritou (talvez ainda estivesse influenciada pelo outro...) e escrevi um relatorio bastante negativo. Acho que a minha apreciação é correcta, e é esse o papel de um referee, mas não deixo de me sentir "mazinha" - prefiro nuito mais escrever relatórios mais positivos ou pelos menos mais condescendentes... é como eu digo, só me saem duques!

Sukkot

Hoje é véspera de Sukkot e é muito engraçado ver toda a azáfama em volta da construção das sukkah. Em muitos sítios a sukkah já está de pé há alguns dias (há quem comece a construção logo no fim do Yom Kippur), noutros ainda se fazem os preprativos...junto ao mercado de Mahane Yehuda estava uma confusão, com o pessoal a acartar as aquisições de ultima hora para montar a sukkah... os materiais mais concorridos (ou talvez mais vistosos) pareciam ser enormes folhas de palmeira, se bem que também se vissem alguns bamboos, e muitas lojas exibiam materiais mais modernos, incluindo telas com diferentes formatos e decorações.

Sukkot é o plural em hebreu de sukkah, que é um abrigo improvisado, tipo cabana. O sukkot é uma festa que assinala os 40 anos que os judeus passaram no deserto, depois do exodo do Egipto, e durante esta festa é suposto fazer todas as refeições neste abrigo temporário. Há quem durma e tudo na sukkah (!), mas o mais comum é usar a sukkah só para as refeições, principalmente no primeiro e ultimo dos 7 dias que dura o sukkot.

Parece que tal como no Yom Kippur mesmo os judeus menos religiosos seguem a tradição, e há sukkah"s" por todo o lado em Jerusalém. O local mais obvio para a sukkah parece ser o jardim, mas quem não tem jardim ou quintal improvisa a sukkah em varandas, terraços, à falta de melhor até no passeio (!), como vi hoje em Mea Shearim. Aqui aparecem alguns exemplos de sukkah, para dar uma ideia...

Trabalho (outro que não o associado ao sukkot) é que nem vê-lo... Tempo de festividades religiosas é mesmo "holidays", e desde o Rosh Hashana que se trabalha em média um dia por semana! Ontem, domingo, toda a gente foi trabalhar (já ninguém trabalhava desde a véspera do Yom Kippur) e hoje já está tudo de férias outra vez, até à proxima quarta feira. Eu, rapariga trabalhadora, decidi ir trabalhar hoje durante a manhã (que isto de estar quatro dias sem trabalhar, trabalhar um dia no domingo e depois mais 7 dias de férias estraga a produtividade), mas cheguei lá e o corredor de acesso ao meu gabinete estava fechado à chave, e o sitio estava deserto, pelo que voltei recambiada para casa...

Beta blockers?

Proprietary data formats may be legally defensible but open standards can be a better spur for innovation

http://www.nature.com

Saturday, 11 October 2008

Comprinhas

Ontem fiz umas comprinhas na baixa de Jerusalem... estou há algum tempo (desde o início do verão) a tentar comprar calças tipo "Coronel Tapioca" (na minha terminologia) i.e. para actividades outdoor (em particular trabalho de campo). Houve um tempo em que só usava esse tipo de roupa (e botas de montanha) depois passei a um estilo mais urbano e mais de pessoa crescida, e passei a usar calças pretas, quase sempre de fibras sinteticas, semi-justas... quando estive na Dinamarca comecei a usar calças de ganga (o que não fazia desde o secundário), talvez por ser um material mais robusto para andar todos os dias de bicicleta... e quando voltei mantive-me nas calças de ganga, porque já me tinha habituado... mas a ganga não é um material muito conveniente quando está muito calor, e por ser tão pesado não é muito prático para viajar... por isso resolvi que precisava de fazer um update no guarda-roupa, mas até agora ainda não tinha encontrado nada... note-se que Jerusalem não é propriamente o melhor sítio para comprar roupa, em geral é cara e o design (se existe) deixa muito a desejar... mas como vou para a India para a semana, fiz nova tentativa, desta vez mais veemente, para fazer as compritas que estou a adiar há meses...

Fui procurar na rede, e depois de algumas voltas (não é fácil, por causa do hebreu) lá encontrei o endereço de 2 lojas de campismo em Jerusalém. Achei que em vez de deambular a ver se encontrava algo de jeito, como tenho feito, era melhor encontrar directamente o "Tapioca" aqui do sítio, e o que se aproximava mais eram as tais "lojas de campismo". Anotei o endereço de três (mas li que uma era especialista em material de cozinha - fogões de campo, etc... e que tinha pouca variedade de roupa) por isso excluí logo essa e fui à cata das outras duas. Depois de algumas voltas pelas imediações da rua Ben Yehuda (que me esqueci do mapa em casa, e o meu sentido de orientação espacial é o que se sabe...) lá encontrei uma das lojas... mas era só material militar, ou quase... óptimo se quisesse comprar uma faca ou uma lanterna, mas nada do que eu precisava - o que mais se aproximava era T-shirts do exército, em verde tropa - havia de ser bonito, não? andar para aí em trajes semi-militares... desanimada mas não vencida, pus as minhas esperanças na segunda loja, que encontrei algumas voltinhas depois... e mesma coisa, só material militar (acho que esta era ainda pior...). Por curiosidade, não resisto a pôr o link de uma das coisas engraçadas que se pode comprar nessas lojas - talheres kosher! (mostra bem o "estilo" das tais lojas de campismo aqui da zona...)

Ainda mais desanimada, mas ainda determinada, vagueei pela baixa a ver se encontrava alguma coisa de jeito, mas nada de especial... muitas lojas de chapeus, acessórios (carteiras, brincos, etc...), mas nada do que eu queria... até que no início da rua Agripas fui "cheirar" uma lojita que parecia ter umas coisinhas engraçadas. A loja chama-se "Othanti", é muito pequenina e está sempre cheia de gente; o serviço não é grande coisa, algo desmazelado (muito à Israelita) mas tinhas muitas coisas giras e nada caras (em particular para os preços praticados em Jerusalém). Não era propriamente roupa "técnica" como eu queria, era essencialmente roupa de estilo étnico, muita de origem indiana, com uma grande variedade de écharpes multi-colores, cobertores garridos, camisas e tunicas, mas simpatizei de imediato com o sítio, o estilo e os preços. Acabei por comprar (a menos de 50 shekels a peça) umas calças pretas de malha (se calhar demasiado pouco formal para ir trabalhar, mas são super-confortáveis), uma camisa em algodão, estilo indiano, e esta espécie de túnica preta. Catita, não é?


Friday, 10 October 2008

1 ano de Iyengar yoga

Apercebi-me hoje que este mês faz um ano que comecei a praticar Iyengar yoga (confirmei no meu korganizer que a primeira aula que tive foi exactamente no dia 2 de Outobro de 2007). Continua a espantar-me ser *só* um ano (em tempo cronológico), porque no meu tempo "pessoal" parece que foi há muito mais tempo... durante este ano a prateleira dos livros de yoga cresceu considerávelmente, assim como o meu stock de material (até porque está duplicado no Porto e em Jerusalém, não me vão faltar os suportes quando estiver em alguma das "casas"), mas mais importante, a minha prática deu um salto de gigante (apesar de continuar no beginner level, que não há milagres). Vai um obrigada aos professores que me acompanharam durante este ano, first and foremost a Joana e a Leonor, e agora no exílio a Ephrat, a Hagit e o Kariel, Toda !(תודה)

Thursday, 9 October 2008

Parece que o amor é mesmo cego...

Pois é... segundo um artigo que li esta semana na newsweek ("Sad brain, Happy brain"), estudos recentes de neurociência cognitiva mostram que os sentimentos amorosos são acompanhados por uma redução considerável da actividade cerebral em partes do cérebro associadas ao raciocínio e na amigdala, ao mesmo tempo que aumenta a actividade neurotransmissora em circuitos associados a emoções de ligação afectiva e recompensa... pelos vistos, o velho adágio de que o "amor é cego" parece ter alguma base científica...

Site

Aproveitei a véspera do Yom Kippur para reformular o meu site. Não foi exactamente planeado, a ideia inicialmente era só actualizar a minha homepage... tento fazê-lo mais ou menos uma vez por mês, mas nos ultimos dois meses não tenho conseguido (e desde que mudaram o sistema de gestão de áreas web da FCUP tem-me custado ainda mais!).

Por isso ontem achei que não era tarde nem era cedo, e toca a migrar a página para outro lado e reformular tudo (de vez em quando faz bem mudar o sistema e recomeçar do zero, em espirito de Yom Kippur). O resultado está aqui:

http://sites.google.com/site/webpagesusanabarbosa/

Wednesday, 8 October 2008

Yom Kippur

O Yom Kippur (יוֹם כִּפּוּר) é talvez o dia mais importante do calendário judaico, e o que o torna um dia tão especial é de alguma forma ser mais do que um feriado religioso, já que todos respeitam o Yom Kippur, mesmo quem não é religioso. Muita gente que não põe o pé na sinagoga durante o resto do ano vai à sinagoga no Yom Kippur, e mesmo o jejum (de 25 horas) é observado pela maioria das pessoas em Israel. Durante o Yom Kippur é proibido sexo, comer e beber, usar calçado de couro, tomar banho e usar perfumes ou cremes. É um dia de arrependimento e penitência, em que se procura o perdão por comportamentos passados; no fim do Yom Kippur, o registo vai a zero e recomeça um novo ciclo, livre das faltas anteriores. Mesmo não sendo judia, gosto da ideia...

O que torna tão impressionate o Yom Kippur em Israel é a forma profunda como é vivido. É quase impossivel não sentir que é um dia como nenhum outro. Não há radio, nem televisão. Os aeroportos estão fechados, as fronteiras estão fechadas, todas as lojas estão fechadas, nada funciona, excepto as sinagogas e os serviços de emergência. Não há carros na rua, nem um. O silêncio é de tal modo completo que chega a ser perturbador.

Saí um bocadinho agora à noite, e dei uma voltinha a pé pela vizinhança. Aqui em Bet Hakerem as ruas estavam ocupadas por muitas bicicletas, trotinetes, patins... a certa altura parecia-me mais ser o dia das bicicletas (ou o dia sem carros) do que propriamente o Yom Kippur. Aparentemente é uma tradição recente mas foi adoptada com grande veemência, pelo menos nas zonas mais seculares... As ruas estão cheias de gente, a caminhar sem pressa (o tempo chega e sobra, que estas 25 horas demoram a passar), em pequenos grupos; ninguém anda nos passeios, toda a gente anda pelo meio da rua. O jardim e o parque infantil aqui ao lado estava cheio, mesmo depois das nove da noite - não há muitas alternativas, quando não há radio ou televisão, e as pessoas parecem simplesmente optar por ir para a rua. Como um amigo meu dizia, vê-se muita gente no Yom Kippur com um ar ausente, como se não soubessem o que fazer "com eles próprios", foi a expressão que ele usou, e percebo o que quer dizer... suponho que se de repente a televisão e todo o frenesim do mundo moderno parassem por um dia, muita gente ficaria como que atordoada. Como brincávamos a proposito disto, deveria de haver um "Yom Kippur" uma vez por mês...

Musica - nova & boa

Não é por o Dan ser o marido da minha professora de yoga (apesar de agora já não estar a ter aulas com ela, a Joana foi a minha primeira professora de Iyengar yoga, por isso é sempre "a" professora - suponho que é como na escola, pelo menos eu ainda me lembro da minha professora dos três anos, apesar de ter uma ideia muita vaga de muitas das seguintes), mas continuando... não é por ser o marido da Joana, mas as musicas são muito catitas! (que é um dos meus adjectivos favoritos para descrever algo de que gosto - caso ainda ninguém tenha reparado... embora suspeite que não faz justiça à musica)

As musicas novas estão aqui

Material de referência

Esta semana estive a dar um arranjinho ao meu material de referência. Não é que não estivesse já organizado, mas por um lado é definitivamente um processo iterativo (ao acumular diverso material acaba-se por ter uma ideia melhor de como organizá-lo - a prativa leva senão à perfeição pelo menos a chegar mais próximo dela...); por outro lado a inexorável segunda lei da termodinâmica também actua sobre o material de referência, e é quase inevitável que com o passar do tempo a entropia no sistema aumente... E neste caso acho que é mesmo como o D. Allan diz, se o sistema para guardar tralha não for óbvio e facil uma pessoa simplesmente deixa de guardar as coisas de forma sistemática e instala-se a confusão. Parece exagero, mas a verdade é que não é preciso muito para emperrar o sistema, uns grãozinhos de areia aqui e ali são suficientes...

Comecei a notar um ligeiro desconforto sempre que punha algo na minha pastinha que se chama "material de referência" [label imaginativo, não é? ;) ], continuei a guardar lá as coisas, mas quase por obrigação... é o sítio do material de referência, claro, mas notei que não me sentia 100% tranquila quando punha para lá qualquer coisa. Por isso esta semana pus mãos à obra... e nem demorou muito tempo ou foi muito complicado. Foi só re-organizar a pastinha, adicionar/remover capinhas plásticas e editar o repectivo post-it identificativo. Por exemplo, tinha uma capinha para recibos e sub-dividi em três capinhas diferentes, uma para recibos de despesas de investigação, outra para recibos que servem como garantia (para o ferro, a torradeira,...) e outra para os restantes recibos. Não parece uma grande diferença, mas assim parece mais facil e claro para mim.

Claro que não há quaisquer regras específicas para o nível de detalhe ou como organizar o material de referência, é uma questão de encontrar a forma que faz mais sentido para cada pessoa. Por exemplo, talvez tivesse logica pôr os recibos relativos a material de yoga na capinha dos recibos, mas para mim faz mais sentido pôr isso na capinha do yoga (que também tem os horários das aulas, contactos, ...). E também não faço um esforço para uniformizar o nome que dou às minhas capinhas, uso o termo que me parece mais óbvio na altura, independentemente da língua... tento designar a capinha de forma muito intuitiva, para depois ser mais fácil quando estou à procura de um determinado tópico... por exemplo tenho items como "flights" ou "research receipts", ... coisas para as quais nunca uso o português, mas também tenho "médicos" (não me passa pela cabeça chamar "doctors" ou outra coisa do género); também há aqueles items para as quais uso frequentemente as duas línguas, e aí posso demorar um bocadinho mais a encontrar (tipo estou à procura de "conferencias" ou "meetings" ?) mas em geral são poucas hipóteses... e como eu digo, não interessa muito se segue uma lógica geral, o que é importante é estar adaptado à pessoa. E acho que agora o meu material de referência está muito organizadinho... pelo menos por uns tempos...

Tuesday, 7 October 2008

Rotina?!

Pôssa! parece que não há meio de "estabilizar"... quero a minha rotinazinha de volta! Quero acordar todos os dias às cinco e meia, deitar-me por volta das dez, ir trabalhar de domingo a quinta, fazer as compras e arrumar a casa à sexta, descansar ao sábado e recomeçar tudo igual no domingo seguinte. Nada de mudança de hora, nem conferências, nem trabalho de campo, nem Yom Kippur... só os dias iguaizinhos uns a seguir aos outros... será pedir muito?

Cheguei da Alemanha no sábado. Dormi metade do dia (actividade muito consonante com o shabbat), a outra metade passei-a a tentar re-organizar-me. Não propriamente um shabbat muito típico para mim. No domingo fui trabalhar... até era um diazinho quase como o costume, não fosse ter mudado a hora (e mesmo sendo só uma hora de diferença, é o suficiente para alterar o esquema)... além de ter passado grande parte do dia a re-organizar-me e a tratar das sequelas da conferência. Na segunda de manhã, parti cedinho para Elat, em trabalho de campo. Em geral até gosto bastante de ir a Elat, mas desta vez se pudesse até "passava"... Hoje voltei de Elat ao fim do dia, e se pensava que podia retomar as actividades semanais como o costume... népias

Amanhã quarta feira é a véspera do Yom Kippur. O que quer dizer que é como se fosse sexta (não se trabalha) mas ainda pior (as lojas só estão abertas até ao meio dia, e não até às três), e tenho que me "abastecer", que não sou propriamente adepta da ideia de jejuar, mesmo no Yom Kippur... Na quinta claro é o Yom Kippur e na sexta... bom, é sexta, também não se trabalha e depois já é shabbat outra vez... no domingo é dia de trabalho, mas depois entra-se em feriado outra vez, por causa do sukkot! dia 14 e 21 não se trabalha mesmo, é como se fosse shabbat, mas de 14 a 21 é como se fosse ponte, pode-se ir trabalhar mas não é obrigatório... dá para perceber o que quero dizer quando digo que quero a minha rotina de volta ?!

Prática - ou falta dela...

Até acho que em geral sou mais ou menos devotada à minha prática de yoga, vou assiduamente às aulas e consigo ter uma prática em casa muito regular - não digo todos os dias, mas quase... o problema é quando estou fora (não o estar fora como estar em Israel, que isso é mais estar como na segunda casa), mas quando vou para fora por alguns dias, em geral para uma conferência ou para trabalho de campo. Nessas alturas a minha prática simplesmente pára... e estaria a mentir se dissesse que me sinto muito mal ou culpada por isso... É que é quase impossivel tirar algum tempo para mim nessas aturas e de alguma forma aceito que esses periodos são anormais, de desequilibrio, em que a componente "trabalho" da minha vida toma uma proporção (ainda) maior do que o habitual... Foi o que aconteceu a semana passada, quando estive numa conferência na Alemanha, e o que acabou por acontecer também esta semana, à conta do trabalho de campo em Elat. Por isso decidi não tentar ter aulas de yoga enquanto estiver na India, no fim deste mês, pelo menos nada de muito intensivo... por um lado, ainda estou muito verde, por outro vou em trabalho, e como sei que pode ser complicado conciliar as duas coisas, acho que acabaria por não me poder dedicar o suficiente nem a uma nem a outra...

Sunday, 5 October 2008

Hora de Inverno

Desde ontem que andava um bocado baralhada com as horas... diga-se em abono da verdade que eu facilmente me baralho com números (sou mais uma pessoa de palavras do que de algarismos - por incrivel que pareça, tendo em conta a minha profissão).

Sabia que a diferença de Berlim para Jerusalem era de só uma hora, enquanto que de Riga era duas, mas ontem nada parecia bater muito certo... no entanto, não fiz grande esforço para esclarecer a coisa. Limitei-me a constatar (com alguma perplexidade e irritação) que de repente as horas dadas pelo meu computador, o meu palm e o meu telemovel não coincidiam. E como ontem foi shabbat, e dormi durante uma parte considerável do dia, a questão das horas ficou para segundo plano, e tacitamente resolvida.

Hoje levantei-me mais tarde do que o costume e cheguei ao trabalho, julguei eu, às nove (hora do meu telemovel) mas ao abrir o korganizer notei que a linha do tempo estava nas oito... verifiquei que de facto o telemovel e o palm davam 9, mas o computador insistia que eram 8. Para tirar teimas procurei na internet a hora oficial de Israel, e de facto eram 8, e não nove. O que aconteceu, e isso é que me estava a baralhar, é que a hora em Israel mudou este fim de semana.

Em Israel a hora de inverno entra no fim de semana antes do Yom Kippur (supostamente para facilitar o jejum no Yom Kippur, que este ano calha na próxima quinta feira). Por isso, não só o dia em que a hora muda é diferente do que acontece em todos os outros lados, como varia de ano para ano, de acordo com a data do Yom Kippur (que segue o calendário judaico, lunar) no calendário gregoriano! e depois uma pessoa vê-se grega (judia ?) com as horas...

Saturday, 4 October 2008

Toda, Danke, Tak, ...

Que são palavrinhas especiais, não tenho duvida. Talvez o agradecer seja uma capacidade/necessidade tão básica do ser humano que a palavrita correspondente fique gravada de um modo mais profundo, ou pelo menos diferente.

Quando estava a morar na Dinamarca e vinha passar o fim de semana a Portugal passava o tempo todo a dizer tak em vez de obrigada; o que é surpreendente, atendendo a que o meu dinamarqûes nunca evoluiu por aí além, e o obrigada era na minha língua nativa. Mas seja qual fôr a razão misteriosa, o facto é que vinha wired para dizer tak, e demorava sempre algum tempo a voltar ao obrigada (em geral quando já estava de volta a Copenhaga).

Desta vez na Alemanha - dá para divinhar... nos primeiros dias disse quase sempre "toda", mesmo fazendo um esforço para pelo menos ir para o "thanks", que deve ser bastante mais compreensivel para um alemão do que o "toda" - mas não havia nada a fazer, a língua fugia naturalmente para o toda, e quando me apercebia já era tarde. Simplesmente parece ser um processo autoregressivo muito bem definido, o cérebro usa não a língua mãe, que neste caso seria o português, nem a lingua "pai" (que para mim seria o inglês) mas a "ultima" em uso, e por isso desta vez foi o hebreu.

E claro, no aeroporto dei por mim a distribuir uns "danke" involuntários... suponho que nos pŕoximos tempos volto ao תודה

Sherut

Já era utiizadora regular do sherut, mas hoje fiquei definitivamente fã. Sherut (שירות) é a palavra em hebreu para serviço, e é essencialmente um taxi partilhado, que leva 8 a 10 passageiros, a meio caminho entre o autocarro e o taxi [o plural de sherut (shayrutim) significa casa de banho (publica), pelo que é preciso tirar pelo contexto qual o tipo de "serviço", mas em geral é usado o singular para o meio de transporte].

O sherut é bastante popular em Israel, e uma alternativa muito boa para viajar entre cidades; em geral custa aproximadamente o mesmo que o autocarro, mas é bastante mais flexível. E seguro... os taxis têm alguma relutância em pôr o "meter", e muitas vezes recusam-se mesmo, por exemplo se for no shabbat. Então se uma pessoa não conhecer o sítio e/ou não falar hebreu... está feito! só recomendo utilizar o taxi em ultima alternativa - por exemplo, uma vez em Tel Aviv para ir da estação central até à beira da praia um taxi cobrou-me 50 shekels, e exactamente o mesmo percurso, na volta, custou-me 25! Por isso para deslocações dentro de cidades uso essencialmente o autocarro e para deslocações mais longas o sherut.

Mas desta vez estava a ver o caso mal parado, porque cheguei ao aeroporto em pleno shabbat (às quatro da manhã de hoje) e não há transportes publicos e nem supostamente sherut (segundo todas as informações que tinha conseguido desencantar sobre transporte do Ben Gurion para Jerusalem no shabatt, a unica alternativa era mesmo o taxi, e custaria mais de trezentos shekels). Por isso estava assim sem saber muito bem como me iria safar, primeiro estava com esperança que o voo se atrasasse o suficiente (se conseguiram a proeza na ida, bem podiam repeti-lo na volta), mas não - o avião da air Baltic aterrou pontualmente, mesmo tendo partido com algum atraso. A minha segunda hipótese era apanhar um taxi sim, mas para Tel Aviv e não para Jerusalem, e de Tel Aviv apanhar um sherut para Jerusalem (porque sabia que havia sherut no shabbat de Tel Aviv para Jerusalém) se bem que estivesse bastante céptica de que a coisa funcionasse de madrugada, e a perspectiva de estar em Tel Aviv à espera de um eventual sherut para Jerusalem não era muito agradável.

Quando me preparava para implementar esta opção, deparei-me com a filinha de sheruts à saída do terminal! O sitio estava um bocadinho mais calmo do que o habitual, mas fora isso parecia tudo como o costume. Foi um alívio! Lá apanhei o sherut para Jerusalem, e foi tudo igual a um dia de semana, mesmo o preço (50 shekels), apesar de os taxis cobrarem uma taxa suplementar no shabbat. E o serviço foi impecável. Viva o sherut!

Quando o motorista me disse "goodnight sweety" ao despedir-se não pude deixar de me sentir "em casa"; quando um desconhecido nos chama sweety - estamos em Israel :)

Friday, 3 October 2008

Potsdam

Hoje é feriado aqui na Alemanha (a comemorar a reunificação) e o meu voo e só à noite, pelo que resolvi aproveitar o dia para passear um bocadinho por Potsdam. Antes tinha estado em Neuer Garten, junto ao lago, por isso desta vez decidi ir para o outro lado, e acabei na colónia russa. Não era bem a ideia inicial, mas foi onde o meu famoso sentido de orientação (às vezes pergunto-me sequer se existe) me acabou por levar, e não me queixei... Além de ser um sítio com umas casinhas de madeira muito bonitas, com boiões de mel à porta - como se de repente se tivesse voltado a um passado longinquo onde o tempo corre bem mais devagar - é um óptimo local para caminhar e estar em contacto com a natureza. É uma delicia andar por cima dos tapetes de folhas, rodeada por floresta com todas as cores do Outono. Isso é mesmo o que mais gosto em Potsdam. Apesar de a cidade ser bastante monumental (com todos os palácios e parques à volta), e de ter um centro histórico importante e bem preservado, o que mais me encanta em Potsdam é mesmo a abundância de florestas e lagos; não só há imensos espaços verdes, como estão muito bem sianlizados, com inúmeros percursos para peões e bicicletas, e mesmo várias alternativas de barcos para passear nos lagos. Devido ao domínio da bicicleta e à excelente rede de transportes publicos é muito fácil e agradável percorrer distâncias relativamente grandes muito confortávelmente. Hoje até o alemão me pareceu bastante mais familiar e perceptível - suspeito que depois de estar habituada a indicações em hebreu e em arabe todas as linguas europeias me parecem bem mais acesssiveis...

Depois de ter passado grande parte da manhã a passear, voltei cómodamente no eléctrico para o centro histórico e estou agora no Starbucks, na Bradenburger strasse, provavelmente a rua pedonal mais concorrida e catita de Potsdam. O Zé não acha grande piada ao Starbucks, e em Israel teve ainda menos sucesso (como um amigo meu diz, "quem quer mau café americano quando pode ter excelente café israelita?") mas eu confesso que gosto bastante... por um lado não sou apreciadora de café o suficiente para poder julgar a qualidade - desde que tenha açucar e saiba razoávelmente a café por mim está bem - por outro lado acho os doces do Starbucks excelentes e gosto do ambiente. Por isso aproveitei para descansar um bocadinho, actualizar o blog, e tomar um capuccino gigante com uma fatia de "raspberry cheasecake"... humm :)

Thursday, 2 October 2008

Prática

Estas alturas em que estou fora são excelentes para praticar "GTD-ismo". É que como em geral eu já estou mais ou menos bem GTD-izada (modéstia à parte) acabo por nem notar muito o processo. Como esvazio todos os meus "INs"/"buckets" e actualizo a lista de projectos e a lista de tarefas diáriamente, como todas as semanas sem excepção faço a revisão semanal, e claro todos os meses a revisão mensal, acaba por estar tudo tão "oleado" que por vezes pergunto-me se o GTD é mesmo "preciso" ou se é mais uma daquelas coisas a que uma pessoa se acostuma, e que depois de se tornar um hábito é dificil de despir...

Mas quando a rotina quebra, quando deixo de ter tempo de verificar o e-mail (quanto mais esvaziá-lo!), quando tenho a coexistir semi-pacificamente na carteira moedas de diferentes países, quando acumulo rapidamente bilhetes de avião, recibos de hotel, bilhetes de comboio... quando durante vários dias seguidos nem sequer dá para olhar para a lista de projectos ou para a lista de tarefas, quanto mais actualizá-las... aí, sim, sinto o GTD em acção! Sinto-me um pouco como quando se participa em simulações de desastres - mesmo sabendo que é tudo a fingir é importante treinar em condições controladas para ser capaz de lidar com situações reais quando elas aparecem. Neste caso, noto claramente que o meu "treino" diário, que por vezes nem parece assim tão util, serve-me bem nestas situações mais extraordinárias.

Tenho sempre comigo uma capinha que serve como IN temporário/portátil, para onde atiro tudo o que me aparece - bilhetes, recibos, cartões de visita, notas, etc... por isso a fase de colecção do método GTD fica bem visivel. Nestas alturas não me preocupo com a fase de processamento, mas ajuda a não stressar o saber que está tudo "centralizado" na dita capinha. Depois é só preciso dedicar algum tempo (muitas vezes demoro quase um dia inteiro!) a processar tudo, para entrar novamente nos eixos e em modo GTD-as-usual...

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