Hoje foi um dia atarefado. Logo de manhãzinha, fui até Tel Aviv, porque precisava ir à embaixada da India. As minhas andanças para obter um visto para a India já davam para vários posts... mas tenho me contido em escrever sobre isso, por um lado porque não quero enfadar os potenciais leitores deste blog com todas as minucias do processo, por outro lado porque mesmo para mim é uma salgalhada, e é dificil abordar o tópico concisamente...
Tentanto resumir a coisa, a embaixada da India fez outsourcing dos visas a uma agência de viagens. O que por si, não é mau, significa que em vez de ir à embaixada basta ir a um dos balcões da agência de viagens... e foi o que eu fiz. Procurei o endereço na internet, lá encontrei o sítio, era de facto uma agência de viagens, mas não "A" tal que dá os visas (Ophir tours) - pelos vistos tinham-se mudado para a rua Agripas. Ainda hesitei se deveria deixar para outro dia, mas lá acabei por decidir não deixar para amanhã o que podia fazer no dia, e subi penosamente até Agripas, à procura da agência de viagens. Estava a ver o caso mal parado, encontrei uma agência chamada Igor tours, e pensei que à conta do meu sotaque peculiar em hebraico me tivessem dado a indicação errada... quando já tinha desistido, convencida que em Agripas havia a Igor mas não a Ophir tours lá encontrei a agência.
Na ophir tours, começaram logo por me avisar que o visa demorava mês, mas como eu só vou à India a meio de Outubro, dava tempo. A India é um destino muito popular em Israel (para um Europeu Israel pode parecer um destino exótico, mas para um Israelita a India é o topo do exotismo, e um dos destinos mais procurados), e como se está aproximar a época das festas (o rosh hashanah é no fim de Setembro) o pedido de visas disparou... Demorou imenso, incluindo tirar fotografias no shopping ao lado, e custou a módica quantia de 350 shekels (mais de 60 euros), mas lá acabou por ficar tudo pronto e garantiram-me que todos os formulários e o passaporte seguiriam para a embaixada da India no dia seguinte.
No caminho para casa sentia um desconforto, como quando há algo que incomoda mas não se sabe muito bem o quê... apercebi-me que me incomodava estar sem o passaporte, mas pensei para mim mesma que era um disparate estar preocupada com isso - é raro precisar do passaporte, e mesmo que precisasse tinha outros documentos, racionalizei na altura... até que no autocarro, já a chegar a casa me apercebi do "problema": não posso estar sem passaporte um mês porque preciso de ir à Alemanha antes de ir à India - paniquei! No dia seguinte, a primeira coisa que fiz foi telefonar para a agência de viagens e explicar a situação - eles perceberam imediatamente o problema, disseram que então não iam mandar o passaporte para a embaixada e me devolviam o dinheiro... mas assim fiquei com o passaporte, mas sem o visa - e foi por isso que hoje lá fui até à embaixada, a ver se desbloqueava a coisa.
Apanhei o autocarro em Jerusalém, mas demorou imenso tempo a chegar ao destino por causa do trânsito - demorou menos de Jerusalém até aos arredores de Tel Aviv do que o percurso em Tel Aviv até à estação central. A estação central a sul de Tel Aviv é algo desconcertante. Tem muitos pisos, mas descobri depois que o que interessa são os pisos 4 (a saída) e os pisos 6 e 7 (de onde saem os autocarros); tudo o resto são lojas, muitas (!), muitas das quais vazias, estilo centro comercial Brasília no Porto, algo démodée... Há bastantes placas, mas a navegação é dificil - se bem que note-se em abono da verdade que parecia ser muito fácil ir para o abrigo, a indicação para "shelter" foi a única que consegui ver consistentemente (talvez por estar em amarelo florescente ?!). Depois de algumas voltas, consegui encontrar o piso por onde se saía (segui as indicações para o McDonalds, porque inferi correctamente que deveria estar numa das zonas mais nobres da estação - se é que o adjectivo se pode aplicar a este edificio...
Sensatamente, porque não conheço Tel Aviv e porque já eram quase nove da manha (a embaixada só está aberta das nove às dez), apanhei um taxi e lá fui até à embaixada. Não ficou barato, mas foi uma boa solução, senão não me safava. Para minha surpresa, o portão da embaixada estava fechado e havia pessoas à porta. O guarda estava na parte de dentro falava com as pessoas, que passavam o passaporte pelas grades do portão, que śo depois se abria... para fechar logo a seguir, e o processo repetia-se com o próximo "cliente". Quando chegou a minha vez, lá dei o passaporte, o senhor perguntou-me o que eu queria, lá expliquei, mas não me deixou entrar e mandou-me de volta para a agência de viagens. Fiquei à porta, de mãos a abanar... Foi então que me lembrei de usar as minhas conexões... telefonei para o trabalho, fiquei com o nome do adido científico da embaixada, e tentei nova investida com o guarda da embaixada, pedi para falar com o senhor e mostrei o convite dos meus colegas na India. O adido científico não estava (tinha voltado para a India) mas só o ter mencionado o nome fez com que os portões se abrissem, e lá fui até aos serviços consulares... que me recambiaram para a agência (com a garantia de que o visto não demoraria um mês, mas 3-4 dias...). Não estou optimista, mas vamos lá ver...
A unica coisa agradável disto tudo é que não estava muito calor (para o costume em Tel Aviv) e descobri... a praia! O calor e o elevado grau de humidade desincentivam visitas a Tel Aviv (em comparação, Jerusalém é um paraíso), por isso conheço muito mal a cidade, e ainda não tinha estado nesta parte. Mas fiquei encantada... Tem uma promenade enorme ao longo das praias, que percorri um bocadinho, e o Mediterrâneo parecia um lago e de um azul tão convidativo, que fiquei a olhar com inveja para o pessoal que estava a nadar! Vou tentar vir nadar um bocadinho no Outono e mesmo no Inverno só o andar ao longo das praias de areia branca parece muito agradavel - bookmark...