Tuesday, 29 July 2008

R-isses

Hoje comecei a preparar a minha apresentação para a próxima conferência do R (useR!2008) e num assomo de inspiração resolvi começar pelo ultimo slide... Não está catita? mesmo?

Não demorou assim tanto tempo, e deu-me imenso gozo montar esta imagem. Abstive-me de pintar o Ernie, mas não que não me tivesse passado pela ideia - só que a certa altura achei que o que é demais é erro, e voltei ao trabalho "sério".

Randy Pausch

Hoje morreu Randy Pausch, o professor da CMU que ficou mundialmente famoso pela sua "ultima palestra". Além da palestra de uma humanidade extraordinária, que tinha visto não hà muito tempo, já me tinha "cruzado" com Pausch muito antes, a propósito de um documento dele sobre Time management que encontrei ainda antes de começar o doutoramento e que se tornou um dos meus favoritos (sumariado no célebre "kill your television!How badly do you want your degree?"). Hoje senti como se tivesse morrido alguém da familia, ou pelo menos alguém conhecido... mas como alguém dizia, danado mesmo é morrer sem ter vivido - o que definitivamente não é o caso....

Saturday, 26 July 2008

(des)Educação

O Knesset (parlamento israelita) aprovou esta semana uma lei que permite às escolas religiosas receber financiamento do Estado sem as obrigar a seguir o currículo do ministério. Parece que na prática o que acontecia é que as escolas religiosas, que não ensinam inglês, matemática ou ciências (mas essencialmente o talmude) recebiam financiamento por debaixo da mesa, e o que a nova lei faz é formalizar a prática. A nova lei, considerada uma vitória dos ultra-ortodoxos, foi aprovada por larga maioria não por reunir consenso, mas porque muito poucos querem comprar uma guerra com os ultra-ortodoxos, pelo que enquanto alguns nem compareceram na votação, outros votaram favoravelmente uma lei que consideram de alguma forma inevitável e um mal menor. A permissividade da comunidade não fundamentalista em relação à ultra-ortodoxia é uma tendência aflitivamente crescente. Porque são tolerantes, e querem mostrar que o são, muitos judeus não ortodoxos ou seculares vêm-se reféns de um fundamentalismo exarcebado que vai inexorávelmente ganhando terreno. A ideia parece ser de que como um não ortodoxo não se "importa muito", não custa "nada"(!) ser simpático em relação aos pináculos espirituais da nação. O discurso ultra-ortodoxo vai mais ou menos por estas linhas: "não é que sejamos extremistas mas como a vós (seculares) tanto faz que a comida seja kosher ou não, não vos custava nada fazer a gentileza e seguir algo que é importante para nós; e já agora, como para vocês tanto faz, vestem-se de qualquer maneira, não custava nada às raparigas andar de saias e manga comprida; e já agora, como a voçês tanto faz ir à frente ou atrás no autocarro, não vos custava nada pôr as raparigas atrás, e já agora..."

Uma das coisas que aprecio na maneira de ser israelita em geral é a cultura de trabalho sério, a tradição secular judaica de amor pelo saber, as artes e a ciência. Israel é um dos países onde em cada ano se publica e compra mais livros, é um país com um número invulgar (para a dimensão) de universidades prestigiadas, e pode gabar-se de possuir tecnologia invejável em vários domínios, desde agricultura à defesa. É por isso particularmente impressionante que uma lei permita que uma fracção considerável de crianças cresça sem um conhecimento básico de inglês, computadores, matemática e ciências naturais, sem as capacidades básicas para enfrentar o mundo moderno e entrar no mercado de trabalho... o mais grave, e criminoso mesmo, é negar intencionalmente aos cidadãos de Israel de amanhã a possibilidade de adquirir conhecimento, que sempre susteve e foi um dos pilares da comunidade judaica na diaspora... e que deveria continuar a sê-lo no Israel de hoje e do futuro.

Thursday, 24 July 2008

Yoga as medicine

Yoga as medicine: The Yogic prescription for Health & Healing, Timothy McCall


Em geral só costumo escrever sobre os livros depois de os ler... mas neste, apesar de ainda não ter passado das primeiras "páginas" (tenho como ebook, por isso o conceito de página fica um pouco difuso) achei o inicio só por si inspirador...
"...virtually anyone can do yoga, including those who start out with little strength, energy or flexibility. I say this not as a lifelong yoga teacher or someone who can readily bend his body into the shape of a square not- I'm not, not by a long shot. I am a physician, a board-certified specialist in internal medicine, who came to yoga in middle age and found it - and continues to find it - incredibly challenging. But in this challenge, I have seen steady growth in what I can do and how good I feel. My body has changed in ways I wouldn't have believed possible, as has my mental state. The more I put into my yoga practice, the greater the rewards have become.

[...] I started out incredibly stiff. I had great difficulty with even the most basic poses. With my legs straight, I couldn't touch the floor with my fingertips. I couldn't sit cross-legged without feeling discomfort in my upper back. I had difficulty just straightening my spine, let alone bending it backward. [...] With regular practice, amazing things began to happen. My friends and family noticed that my chronically slouching posture, from years of studying and computer work, was improving. The knots that I had thought were a permanent fixture in my upper back slowly melted away.

[...] I have gained muscle, lost fat and become a lot more flexible. When I'm warmed up, I can stand with my legs straight and place my palms flat on the floor. I can do some poses that I used to think would never be possible, though there are still plenty of them - including backbends - that I have great difficulty with. But these markers of physical prowess aren't what really counts. What's become more important to me is the mental peace that has come, the sense of gratitude, the gradual and sometimes sudden opening of some formerly inflexible area of my body or mind
"

Para quem como eu ainda está na fase "stiff", é encorajador!

Sunday, 20 July 2008

Discover Your Inner Economist

Discover Your Inner Economist: Use Incentives to Fall in Love, Survive Your Next Meeting, and Motivate Your Dentist, Tyler Cowen

É mais um daqueles livrinhos que faz com que a economia pareça um tópico mais interessante do que se julga habitualmente. Definitivamente, palavras como mercados, incentivos e sinais não voltam a ter o mesmo significado depois de ler este livro. Gostei mais de umas partes do que outras... apreciei a discussão sobre os incentivos não financeiros (não é nada de novo, mas acho giro ler de qualquer maneira) e sobre como ser verdadeiramente generoso (o exemplo dos pedintes em Calcutá é um bocadinho extremo, mas acaba por ser útil como paradigma)... Já as digressões pelo mundo da arte e da cozinha étnica já não achei tão apelativas, mas dava para notar que o autor era um entusiasta, e por isso acabam por funcionar bem como exemplos ilustrativos das teses do livro.

kbabel --> kaider

Estava à procura do kbabel para actualizar o ficheiro de localização do LyX, e... nada. Lá fui ao yum... será que não tenho o kbabel instalado no meu F9? também nada... Afinal, descobri depois de googlar a coisa um bocadinho, o kbabel agora passou a kaider! OK, funciona mais ou menos bem (deu para corrigir o ficheiro do LyX nun instantinho), mas o nome é ho-rro-ro-so! kbabel estava tão bem para um programa de edição de ficheiros po (tradução de software)... kaider faz-me lembrar penso rápido - pronto, não tem nada a ver, mas é o que eu acho - está dito ;)

Saturday, 19 July 2008

Vantagens das "férias"

Não, não vou falar das férias que estou a precisar, e que este ano não vou ter... como tenho dito ultimamente, a mais do que uma pessoa que se tem queixado do mesmo, é como se o sistema chegado a esta altura do ano soubesse que é altura de descanso e nos pusesse a suspirar pelas férias como uma miragem no mais árido deserto...

Não é dessas férias, mas das férias das aulas de yoga de que vou falar... Devo começar por dizer, como disclaimer, que gostava muito de poder encurtar estas férias forçadas de dois meses sem aulas de Iyengar yoga, que já me arrependi amargamente de não me ter inscrito para as workshops de Julho, horário de trabalho ou não, e que dava tudo para ter uma aulinha, nem que fosse uma por mês. Por isso, não estou propriamente exultante com estas férias. Mas, tentando combater a minha tendência natural para o pessimismo, e porque o ficar com pena de não ter as aulas não adianta nada, tenho tentado aproveitar as "férias" e admito que noto alguns efeitos positivos (ou menos negativos).

Para começar, a minha prática em casa está bastante mais regular - no ultimo mês consegui chegar aos 86% de um total "ideal" de seis vezes por semana (já disse que tenho a panca dos logs?!), o que foi um record, porque muitas vezes, mesmo contando com as aulas 3 vezes por semana, ficava abaixo dos 50%. Em geral só tenho saltado a minha prática quando por qualquer motivo fora do habitual não posso à hora do costume (~18:30) ou quando troco a hora do lanche... muitas vezes os horarios das refeições acabam por me condicionar mais do que qualquer outra coisa...
Depois, a minha pratica está bastante mais sistemática. Acho que tem ajudado o seguir os "cursos" no fim do livro dos Mehta (é um livrinho fantástico e tem-me sido muito útil); o que faço é antes da minha prática sentar-me à secretária, com o meu bloquinho de notas, e só então escolho o que vou praticar; mas não é uma escolha aleatória, porque verifico no meu bloquinho qual a lição que se segue (alterno as lições no curso dos Mehta entre práticas com e sem posturas de pé) e em geral é essa a sequência que sigo, a não ser que opte por uma prática recuperativa ou específica para algum "achaque". Tenho-me sentido bem com este esquema, porque dá-me uma sequência de lições a seguir e uma sensação de estrutura e continuidade, mas ao mesmo tempo não é demasiado rígido e permite-me alguma flexibilidade.

É dificil explicar porque é tão importante a prática em casa. No outro dia estava a tentar explicar a uns colegas (que encaram com bonomia a minha "devoção" pelo yoga, que aceitam como excentricidade de cientista), que era como aprender matemática, não era possível fazê-lo sem trabalhos de casa e sem resolver sozinho as equações e os integrais... mas suponho que não foi uma analogia muito boa, porque os colegas são geólogos (para quem a matemática é mais ou menos um bicho papão) pelo que a prática de exercicios de matemática em casa deve soar mais como um sacrifício dispensável do que qualquer outra coisa... de qualquer modo acho dificil de explicar a quem não pratique yoga. De certo modo, acho as aulas mais fáceis; sem duvida mais exigentes em termos físicos, mas mais faceis do ponto de vista mental - há o professor, os colegas, e uma pessoa está atenta em seguir as aulas e todas as instruções e correcções. Quando se pratica sozinho é mais dificil manter a mente focada e a atenção, e é precisamente esse um dos desafios e "prazeres". Acho que quando pratico sozinha tenho mais noção do quanto me distraio - é impressionante! Perco-me com pedaços de e-mails que tenho de escrever (por vezes consigo imaginar o texto completo, desde a saudação à assinatura), também bocados de artigos, código (em particular quando ando particularmente embrenhada nalgum script), pedaços de conversas, aspirações, o que vou fazer para o jantar, tudo o que se possa imaginar numa teia retorcida de pensamentos. E no meio da confusão, há um instante mágico em que me apercebo que estou a divagar, e é esse o momento precioso, quando me apercebo que me perdi e volto ao presente ... até à próxima distracção.
Mesmo quando corre bem, quando sinto que uma postura em que tenho dificuldade (são quase todas, mas enfim) corre por qualquer motivo inesperadamente bem, quando parece que tenho os braços mais compridos ou as pernas mais curtas, mesmo aí acabo por me distrair. Porque corre tudo muito bem até ao momento em que digo para mim mesma "estou a fazer mesmo bem, tenho que me lembrar como estou a fazer agora" ou qualquer coisa do género) e pronto lá deixo de estar com atenção na postura (estou antes a comentar a minha performance) e o resultado imediato é escangalhar tudo, e em geral ficar ainda pior do que o costume... Mesmo em posturas simples e mais faceis, é impressionante como é dificil manter a atenção; mesmo quando julgo que estou a fazer "bem" passado algum tempo a rótula cai só por "preguiça mental" de a manter presa, ou melhor é um sinal claro de que entrei em modo divagante. Em halasana noto que o manter as pernas esticadas não é extremamente dificil fisicamente mas claramente a mente chateia-se de estar focada nessa tarefa, e é uma "luta" constante. Em posturas que demoram mais tempo instala-se por vezes uma espécie de claustrofobia mental, como se esperar mesmo que mais um minuto fosse quase insuportavel. Por isso a minha prática é mais ou menos isso, eu e a minha mente, em diálogo (muitas vezes de surdos).

Em resumo, sinto falta das aulas, estou ansiosa por recomeçar em Setembro, mas até lá vou tentando aproveitar a minha pratica em casa. A única coisa que me chateia mesmo é o calor, não tanto a temperatura em si, mas o suar... muito! a ponto de me perturbar a prática - os pés escorregam nas posturas de pé e só consigo fazer adho mukha svanasana com os dedos contra a parede, senão estou sempre a escorregar - até já pensei que tinha que arranjar o pózito que o pessoal da escalada usa para as mãos...

Friday, 18 July 2008

Souq - cidade velha (Jerusalem)

Hoje fui até à cidade velha. Não é propriamente um dos meus sitios favoritos, mas pensei que estar em Jerusalem tanto tempo e não ficar a conhecer bem a cidade velha seria como morar em Roma e não saber onde fica o Vaticano... OK, a analogia não é perfeita, porque sei onde fica a cidade velha, e já lá estive várias vezes, mas dá para perceber a ideia... além de que queria fazer umas compritas (já que vou dar um saltinho a Portugal daqui a pouco tempo) e achei que nada melhor do que vestir a pele de turista à caça de souvenirs. Devia ter sabido melhor, mas enfim...


Hoje achei a cidade velha particularmente vazia, ou melhor, estava com muita gente, mas muito menos do que o costume. Em parte o ser sexta-feira explica alguma falta de movimento, mas mesmo no bairo judeu pareceu-me haver menos movimento do que o habitual...

Como queria ver "lojas", fui directamente para o souq árabe (em geral vou pelo lado do bairro arménio e depois pelo bairro judeu), porque honestamente não acho a parte do mercado árabe particularmente agradável... ou melhor é muito exótico e pitoresco, acho piada ao autêntico labirinto de ruinhas estreitas, às cores e cheiros das lojas que vendem tudo e mais alguma coisa, mas não gosto dos vendedores, em geral em frente às lojas, que chamam e tentam meter conversa. Não aconselho uma rapariga a ir sozinha pela primeira vez. No inicio fazia-me mais confusão, mas agora habituei-me a ignorar as "atenções"... é aborrecido mas acaba por ser inofensivo, basta ignorar e não perder a disposição. Hoje só me aconteceu uma vez um rapazito insistir em meter-se comigo mais do que uma vez, mas por acaso estava um grupo de soldados na rua e eu parei estratégicamente perto deles para beber água, e foi suficiente para me livrar do metediço.


Mas nem é isso que mais me chateia no mercado árabe, até porque achei que desta vez já estava bem "treinada" . É que acho muito chato o facto de os preços serem meramente indicativos, porque é suposto regatear (os turistas tó-tós é que não regateiam). Definitivamente não tenho queda para a coisa, em geral compro ou não compro, mas nunca discuto o preço, mas em Roma sê romano... Uma das estratégias que adoptei foi só entrar em lojas em que o vendedor não parecia particularmente interessado em vender, isto é se alguém me tentava mostrar alguma coisa ou me chamava era logo certo que aí não ía (aprendi isto num livro muito engraçado que estou a ler "Discover your inner economist"), e acho que resultou. Depois, nas lojas em que entrei, fiz um esforço para não ceder ao meu instinto de perguntar o preço e comprar (ou não) mas antes prolongar o processo (no tempo), olha aqui, vê acolá, pergunta o preço disto, o preço daquilo, hesita, volta para trás... como se fosse muito picuinhas e forreta. Um vendedor perguntou-me o que eu precisava ("need") e eu respondi-lhe logo que precisar não precisava de nada (claro!, quem é que "precisa" de alguma coisa numa loja de souvenirs?). Lá consegui comprar uma coisinha para o meu marido por menos 50 shekels (cerca de 10 euros) e fiquei muito orgulhosa da minha proeza, porque o preço inicial era 150; primeiro o tipo tentou manter o preço e oferecer-me um extra, mas eu recusei, depois foi aos 130, 120 e consegui trazer a coisa por 100 shekels. Foi a primeira vez na vida que regateei desta maneira, mas 150 shekels era um roubo - só mesmo para turistas ;)



Noutra loja, de esculturas em madeira de oliveira, como há imensas na cidade velha (aliás, há lojas tão parecidas que tenho alguma dificuldade em perceber como tantaa iguais conseguem fazer negocio, mas deve haver turistas para todas...) a estratégia era claramente contra-corrente. Mais uma vez, escolhi a loja precisamente porque não havia ninguém a chamar, e iniciei o processo de "escolha"; mas em vez do sistema habitual, em que o vendedor tenta ser ultra-prestavel, mostrar tudo e alguma coisa, e impingir-nos algo de bom e muito bom preço só porque somos uma pessoal especial (no souq, todo o cliente é sempre o mais especial do dia), este vendedor limitou-se a ficar sentado, no canto da loja, e só ía dizendo para eu escolher à vontade, que tomasse o tempo que precisasse, e que ali ninguém me forçava a comprar. Mentalmente gabei-lhe a estratégia, porque mesmo estando de alguma forma a ser "levada" na mesma, era bem mais agradável, e lá acabei por lhe comprar uma estatueta, que tenho a ceteza que noutras circunstâncias não traria. Quando perguntei o preço (era 80 shekels) lá franzi o nariz, mas mais uma vez o vendedor mostrou ser inteligente, e em vez de baixar o preço, e dizer que como era para mim era xx shekels (a conversa do costume), disse que era feito de um tronco de oliveira, mostrou-me os veios na madeira da estatueta que eu tinha escolhido e disse que era um trabalho que era feito por ele e pela família e que demorava cerca de 3 dias. Lá está, provavelmente fui levada na mesma, mas paguei os 80 shekels sem pestanejar, só pela "estrategia"...

Norah Jones & Dan McAlister

Hoje sonhei com musica da Norah Jones e achei engraçado, antes de mais por não ser habitual ter sonhos com banda sonora, e depois por me conseguir lembrar... suponho que tem a ver com o facto de eu ultimamente ter ouvido bastante Norah Jones, enquanto trabalho é tipo acaba a playlist e volta ao início, durante todo o dia...

Por falar em boa musica... o Dan McAlister vai cantar amanhã em Portel - para quem estiver em Portugal, vale a pena!

Thursday, 17 July 2008

Cabelos

Já contei que fui cortar o cabelo... e está muito catita. Gosto muito do meu corte super-curto, não só me sinto muito bem (esteticamente) como é muito prático (já não me lembro de pegar num pente hà meses!), basta só depois de lavar pôr o gel, um arranjinho com os dedos e está sempre bem (OK, como downside tenho que reconhecer também que agora tenho que lavar a cabeça todos os dias, e não "sobrevivo" sem gel)... mas mesmo assim estou muito contente com o corte.

Aqui em Jerusalém, é um estilo um bocado radical, mesmo muito radical... Os cabelos curtos são raros, parece que porque o cortar o cabelo curto está associado a sanção social, seria um dos castigos a que uma mulher estaria sujeita por comportamentos "impróprios", pelo que a ideia é que uma mulher "decente" tem o cabelo muito comprido, ou pelo menos não muito curto. Na comunidade religiosa as mulheres casadas têm que andar com a cabeça coberta (supostamente só o marido pode ter o privilégio de ver o cabelo) e é uma regra seguida por uma fracção considerável da população, mesmo entre a faixa mais jovem. O que eu acho caricato são as perucas. É que em alternativa a andar com o cabelo coberto uma mulher pode optar por uma peruca, dispensando qualquer outro acessório na cabeça... e é surpreendente o número de mulheres que optam por esta alternativa. Há em geral dois casos: as mulheres que compram uma peruca normal, mais ou menos standard, e fica horroroso (mesmo!) e as mulheres que fazem uma peruca com o próprio cabelo, e como alguém escrevia no outro dia no jornal fica dificil perceber bem qual o proposito da coisa, porque afinal estamos a ver na mesma o cabelo da senhora... nesse caso o aspecto é um bocadinho melhor, mas fica sempre com um ar excessivamente artificial.

Assim, o meu cabelito curto aqui não passa despercebido, sendo extremamente apreciado ou odiado, consoante a audiência... é uma sensação estranha porque de alguma forma o cabelo identifica-me como pessoa chamativa (eu que sou uma rapariga tímida e modesta) mas para mim identifica-me antes como estrangeira, e por isso sinto-me bem, não me sinto fora da minha pele. As reacções críticas são mais ou menos as do costume (aliás como ando de calças, manga curta e sandálias, o cabelo torna-se só mais um item na lista de infracções). O que eu acho piada (e se calhar fico um bocadinho vaidosa) são as reacções positivas, em geral de pessoas mais novas, que acham piada ao corte. Uma empregada de uma loja no shopping perguntou-me o que é que eu tinha feito ao meu cabelo (a típica frontalidade israelita) como se eu tivesse descoberto a pólvora ou inventado um novo penteado...

Hoje aconteceu-me uma coisa engraçada, e acho que também tem a ver, mesmo que indirectamente, com o cabelo. Fui a uma caixa automática para levantar dinheiro mas estava ocupada, pelo que esperei pela minha vez. Reparei que o banco estava aberto (os horários são completamente loucos, há um horário diferente quase para cada dia da semana e tanto pode fechar à uma da tarde como às seis e meia, como hoje). Estava precisamente a olhar para o horário à porta do banco, e nestas cogitações, quando reparei que o segurança do banco estava a olhar para mim (a porta é de vidro), mas não liguei, porque uma pessoa se habitua de tal modo à segurança que é normal ser "escrutinado" à porta de tudo, principalmente quando se anda com uma mochila às costas, como eu... Mas entretanto chegou a minha vez, lá tratei dos meus assuntos, e quando já estava a dar meia volta e a guardar a carteira na mochila, o segurança sai do banco e vem ter comigo. A minha primeira reacção foi entregar a mochila para a habitual revista (se parece muito paranóico, é só para quem nunca esteve em Israel) mas afinal ele só queria falar comigo, e eu lá usei a minha frasezinha-para-todas-as-situações "ló ivrit", que quer dizer textualmente "não hebreu" - eu nem sequer me dou ao trabalho de pôr o verbo, porque a mensagem passa muito bem só assim... o rapaz lá fez o switch para inglês, e afinal o que ele queria era dar-me um cartão de visita da banda dele de musica electrónica, chamada "synthezionrec"... caso eu estivesse interessada em fazer parte de uma banda lá tinha no cartãozinho o endereço no myspace. Lá agradeci, guardei o cartãozinho e achei muita piada à situação. No caminho para casa ainda vinha a pensar se o rapazinho só queria meter conversa, afinal eu e musica electronica não tem nada a ver!... mas acho que não, porque o rapaz falou da banda como eu falaria de um paper meu ou de uma parte empolgante do meu trabalho científico - acho que há um tom de voz muito particular quando se fala de algo de que se gosta, e em particular de um "bébé", seja ele um artigo, um quadro, um negócio ou uma banda...

Numa banda, eu? não me parece... mas estou a pensar seriamente em ter aulas de dança (não danças de salão, que essas não aprecio), dança contemporânea... pelo menos já está no meu someday/maybe para consideração...

Monday, 14 July 2008

O meu dia 12055

A pedido (OK, não de muitas) mas de algumas (importantes!) famílias aqui fica a descrição do meu dia 12055 (tenho um gadget na minha start page do google apps que se chama "How many days you have lived" e tenho-o precisamente como "lembrete" de que cada dia é um dia único, individual e especial)... mas claro que este dia, em que chego aos 33 é de algum modo ainda mais especial)

Em resumo: o dia de anos não é a mesma coisa quando se está sozinho, sem a família e os amigos, mas também não foi um dia que passei solitária e abandonada, como alguns mais preocupados manifestaram temer. Até foi giro e divertido :) OK, esta é a versão abreviada, e a informação principal... suponho que a maior parte do pessoal pode parar de ler por aqui ;) Para os mais interessados (ou cuscas) vem agora a versão completa.

Ontem quando cheguei a casa ao fim da tarde tinha uma carta à minha espera, um postal dos meus amigos, pelo que a celebração começou de alguma forma na véspera. Em defesa do rigor da narrativa, devo dizer que na sexta feira quando fui ao shopping me ofereci uns calções e uma blusa muito gira como prenda de anos (fazer anos sem prenda não tem tanta piada, certo?) pelo que em boa verdade as festividades começaram ainda antes. Hoje quando abri o meu e-mail tinha várias mensagens de parabéns, que o pessoal aproveitou a diferença horária entre Portugal e Israel para tentar ser o primeiro ;) Sem demérito dos restantes, gostei particularmente de receber um e-mail muito querido do meu pai, que tem um talento especial para a escrita (eu gosto de pensar, por interesse próprio, que é genético...)

Não sei bem porquê, tinha decidido que hoje seria um dia como outro qualquer, e que não iria dizer a ninguém que era o dia dos meus anos, precisamente para ser um dia "normal". Mas quando o meu vizinho (o colega do gabinete ao lado) que é muito, muito simpático veio perguntar-me se eu estava a ter um bom dia, respondi quase de imediato que sim e que era o dia dos meus anos, e pronto... foi-se num instante a resolução de manter a coisa low-profile, quando me apercebi já estava feito... Posso abrir um parêntesis para comentar que a etiqueta social aqui é particularmente informal e "warm", diferente de Portugal e a milhas da Dinamarca. Por exemplo, todos os dias quando chego de manhã por volta das sete, em geral esse colega já está a trabalhar, pelo que eu antes de abrir a minha porta "grito" um boker tov (bom dia) para o gabinete ao lado. Não me estou a ver a fazer isso em Portugal, mesmo com colegas próximos (pelo menos não todos os dias e desta forma) e na Dinamarca seria considerado rude e uma espécie de "faux pas", mas aqui é perfeitamente lícito (e socialmente desejável e aceitável) interromper o trabalho de um colega para desejar bom dia, e como eu costumo pensar, "em Roma sê romano"... Continuando, quando eu disse que era o meu dia de anos, logo o meu colega me deu dois beijinhos (teve o cuidado de perguntar antes se era OK, não fosse ser ofensivo para mim) e convidou-me para um café, no gabinete dele, onde além de ver as fotografias da mulher, dos filhos e dos seis netos, tive direito a canções de parabéns em hebreu (são várias!). Foi muito giro e o senhor é mesmo um querido (além de ser um excelente cientista e conseguir chegar ao trabalho antes de mim e sair depois, o que não é uma proeza acessível a muitos - se bem que aqui em Israel a competição é mais feroz, há muitos madrugadores)

A meio da manhã tive novamente a visita do meu vizinho, que me veio trazer um chocolate, para eu ter um " sweet day"; além de eu ser gulosa, e gostar de chocolate, apreciei principalmente o gesto de alguém deixar o ar condicionado para ir até à rua só para me comprar um chocolate! Como alguém dizia, talvez haja em Israel uma fracção ligeiramente mais alta do que nos outros lados de pessoas mais "problemáticas", mas os que são "nice" são mesmo muito, muito simpáticos... não podia estar mais de acordo é precisamente essa a minha impressão.

Na hora do café estava a conversar com os colegas do costume, e voltei a "bufar"... era chato dizer a uns que fazia anos e não a outros, até podia parecer menos consideração... por isso os colegas mais próximos tiveram "direito" à informação. Lá me desejaram os parabéns, e pronto... pensei eu... De tarde, depois do almoço, uma colega perguntou-me se eu estava no gabinete porque tinha umas dúvidas no trabalho e precisava da minha ajuda, e eu tó-tó acreditei... apareceram-me com um bolo e velas e lá tive uma festinha. Eles queriam que eu me sentasse na cadeira (aqui a tradição é que a pessoa que faz anos senta-se numa cadeira e é levantada no ar pelos restantes o número de vezes que faz anos mais um (para o próximo ano), mas eu não estava muito adepta de ser levantada, ainda para mais 34 vezes, e passei "a honra"...).

Em termos de trabalho, o dia não foi muito produtivo, e a tarde então foi quase por água abaixo... É que durante a hora de almoço fui até aos correios, e aproveitei a viagem para trazer falafel para o almoço (eu adoro falafel!), mas como um amigo meu diz, o falafel é uma coisa pesada... e então depois de um bom falafel... + duas fatias de bolo... fiquei quase "fora de combate"

Para terminar o dia, à noite fui com uma colega ver um espectaculo de dança moderna muito, muito giro
http://www.vertigo.org.il/white/engpages/white.html

E agora vou-me deitar, que aqui já é dia 15! :)

Sunday, 13 July 2008

Eric do Alaska

Hoje fui cortar o cabelo... e foi digamos... pouco ortodoxo, mas muito divertido. Na sexta feira tinha ido até ao shopping com esse proposito, sabia que lá havia um cabeleireiro, mas quando cheguei ao sitio não gostei nada do aspecto do dito... pareceu-me um ambiente um bocado para o queque (se calhar os sofás em violeta choque não ajudavam) e de alguma forma intimidante... desisti e resolvi cortar o cabelo "elsewhere"...

Hoje fui ao cabeireiro aqui próximo de casa, por cima do supermercado. Agora que penso nisso, imagino que o facto de o estabelecimento ter um grande anuncio em inglês "Cut the way you like it" contribuiu pelo menos subliminarmente para que eu achasse o sitio atractivo (convenhamos que se eu passasse por um sítio a dizer cabeleireiro em hebraico provavelmente me passaria completamente despercebido)... Por isso lá subi as escadinhas (por cima do supermercado tem uma espécie de galeria comercial), lá encontrei o cabeleireiro (de baixo só dá mesmo para ver o anuncio, em letras mais ou menos garrafais), mas depressa me apercebi que havia qualquer coisa de estranho... O cabeleireiro estava aberto mas a porta estava fechada e quando espreitei lá para dentro verifiquei que era minusculo (digamos que dava para duas pessoas no máximo) e estava vazio, só tinha um sofazito à entrada em que alguém estava deitado. Já estava a dar meia volta, e a pensar que ainda não era hoje que cortava o cabelo, quando o senhor se levantou e abriu a porta (pelos vistos apercebeu-se que eu estava a espreitar) e me convidou a entrar... hesitei, e perguntei se não era um cabeleireiro de homens, mas o senhor disse-me que cortava o cabelo tanto a homens como mulheres. Definitivamente pelo aspecto do sítio não parecia que cortasse o cabelo a senhoras (não estava mal arranjado, só que não tinha "ar") mas não inteiramente convencida resolvi arriscar... afinal o meu cabelo não é à homem mas quase, e pensei que com o meu corte habitual o risco era pequeno, nada que um bocadinho de gel não ajudasse a corrigir), e ainda não tinha que esperar, por isso havia algumas vantagens...

O cabeleireiro chama-se "Eric of Alaska" (se calhar se tivesse sabido o nome antes talvez me tivesse apercebido que não era um cabeleireiro de senhoras, não sei... ) e sim, o senhor é o Eric e é.. do Alaska (não admira que tivesse tudo em inglês, o que para mim é uma grande vantagem). Foi giro porque o senhor tinha umas fotografias muito bonitas do Alaska nas paredes, e tivemos uma conversa muito interessante sobre montanhas e ursos e salmões... Uma coisa engraçada em Israel é a diversidade de pessoas que se encontra, em geral pessoas com histórias compridas e uma cultura invulgar. Acabei por gostar do bocado que passei a cortar o cabelo, além de achar divertida a situação em si em que me vi "metida" - no caminho para casa ainda me vinha a rir sozinha ao lembrar-me de todo o processo. Paguei 100 NIS (cerca de 20 euros) e tive direito a um cartãzinho que voltava a ribombar "Haircuts by Eric of Alaska - Cut the way you like it" e acrescentava um igloozito catita como logotipo e em letras mais pequeninas USA professional (não fosse haver duvidas). Em relação ao corte em si... posso dizer que excedeu as minhas expectativas, e está óptimo. Fiel ao seu lema, o senhor lá cortou da maneira que eu queria, inicialmente pouco convencido (perguntou-me mais do que uma vez quando é que eu tinha cortado o cabelo da ultima vez), porque de facto estava até bastante curto... o problema é que com o meu penteado habitual, muito curto, quando começa a crescer um bocado já não fica tão bem, e sinto necessidade de o cortar (estou fã de cabelo ultra-curto) mas aqui não é muito habitual o cabelo curto, e o senhor estava claramente a achar estranho... mas lá se resolveu e agora estou com o cabelo mais curto (como eu queria) e tenho mais uma "aventura" para contar ;) Estou morta por ver a cara da mulher do meu chefe quando lhe disser onde cortei o cabelo - vai ter um colapso! :)

Saturday, 12 July 2008

Plano trimestral

Hoje estive a fazer o meu plano trimestral (de Julho a Setembro). Já está um bocadinho atrasado (deveria ter sido feito no fim de Junho, quando terminou o anterior) mas enquanto as revisões semanais (todas as sextas, agora que estou em Israel todas as quintas) e as mensais (no último dia de cada mês, ou no primeiro do mês seguinte, dependendo do dia da semana em que calha) estão religiosamente marcadas no meu calendário (e não costumo falhar) o timing do plano trimestral, por ser menos frequente, e em geral requerer talvez mais inspiração e também mais tempo (hoje estive mais de três horas só a trabalhar nisso) acaba por flutuar um bocadinho... mais do que devia... Hoje estive na prática toda a manhã a trabalhar no plano, e este nem era muito "complicado", porque a quantidade de coisas que já tenho marcadas para os próximos três meses deixa pouco espaço para grandes inovações e adições... mas mesmo assim é fundamental o adquirir uma perspectiva a maior altitude (na terminologia do D. Allen de altitudes de voo, de que não gosto particularmente, mas admito ser uma boa analogia), e acaba por ser um trabalho muito compensador, apesar de inicialmente poder parecer algo frio/calculista ou mesmo redundante. Apesar de muitas vezes não lhe ser dada a devida importância, por o sistema GTD se concentrar mais no imediato e no ter as things done a curto prazo, o planeamento mensal, trimestral, tri-anual é uma componente complementar mas essencial do sistema GTD. Não faz sentido estar a fazer sem saber porquê... aí é como o ratinho na roda da gaiola... Hoje acabei por ter também que alterar o plano mensal (que já tinha sido feito aquando da ultima revisão mensal) e também mexer na lista de projectos, por isso talvez seja mesmo mais pratico fazer uma revisão mensal mais extensa no fim de cada trimestre e fazer logo nessa altura o plano do próximo trimestre... eu tenho tendência a adiar o planeamento para um altura em que tenha mais tempo e mais inspiração, mas definitivamente talvez seja mais eficiente começar com a transpiração e venha a inspiração como by-product...
Estou contente com o meu plano, está catita (mas não mostro ;)... ha coisas que sao mesmo só para os nossos olhos :)

Friday, 11 July 2008

FFII

Hoje paguei a minha quota de membro da FFII (Foundation for a Free Information Infrastructure)

http://www.ffii.org/

Thursday, 10 July 2008

Reconstrução cerebral

Sabe-se que depois de uma trombose a recuperação cerebral é de tal modo eficaz que membros inicialmente paralisados podem voltar a ganhar mobilidade total. Um estudo em ratinhos(J. Neurosci. 28; Nature 454) conseguiu mostrar como é que o processo ocorre ao nível de neurónios individuais: inicialmente (no primeiro mês), os neurónios próximos da zona afectada trocam a especialização que têm por um dos membros e começam a processar informação de vários membros; no mês seguinte, quando a re-organização cerebral é mais definitiva, esses mesmos neurónios voltam a especializar-se num novo único membro. Não é uma máquina maravilhosa?

Yoga

"Yoga is controlling the movements of the mind says the definitional sutra of the definitional text of classical yoga, the Yoga Sutra of Patanjali. No matter how many ways the sutra is interpreted, that's basically what the main said"

source: YogaJournal

Wednesday, 9 July 2008

Tuesday, 8 July 2008

Nikkud

O meu hebreu vai devagarinho, mas vai... estou a aprender como as crianças, com as vogais representadas (nikkud); נִקּוּד pode parecer igual a נקוד, mas não tem nada a ver, tenho muito mais dificuldade em ler sem pontinhos... chato é que não consigo usar o nikkud no meu keyboard, mesmo com suporte para hebreu... lá me vou entendendo com o alef-bet, mas com o nikkud, não há maneira...

Monday, 7 July 2008

log - yoga

Eu tenho fama de ser organizada, e uma das razões é a minha autêntica "tara" por "log"s... que tem piorado com a idade... até tinha desculpa de ser deformação profissional, mas acho que é mais ao contrário - eu tenho por natureza queda para os logs, e tenho é a sorte de ter uma profissão onde essa característica dá muito jeito... Agora que penso nisso, acho que sempre gostei de logs. O que eu quero dizer com logs - ja estou a ver o meu pai especialista em português a torcer o nariz a tanto anglicismo, sorry ;) são registos escritos mais ou menos detalhados de... quase tudo, digamos... da minha vidinha, tipo diarios, mas de diferentes coisas, desde investigação cientifica ate as minhas actividades nos escoteiros. Se me perguntarem, por exemplo, em que trabalhei no dia 3 de Janeiro de 2000 ou assim, sei dizer (basta consultar o log do trabalho dessa altura)... se me perguntarem para que é que me adianta essa informação... nada. Na verdade nao tem utilidade quase nenhuma, mas a ideia é que me da gozo ter um registo escrito do que faço. O que é que isso tem a ver com yoga? quase nada... mas agora tenho um log para a minha pratica pessoal! Depois de varias experiencias (oscilei entre diferentes formas de registos digitais, inclusive usar aqui o blog) acho que finalmente consegui encontrar a forma ideal, um livrinho de notas - uma aproximação muito low-tech. A desvantagem de ser em papel é nao poder usar as yoga fonts, mas no inicio quando ainda estava a aprender a designação das posturas era mais critico ter os bonequinhos, agora ja passo bem sem os desenhos. Nao sei mesmo explicar para que me dou ao trabalho de escrever todos os dias a minha pratica, mesmo quando são sequencias repetidas... mas gosto de o fazer, nao sei explicar bem qual o efeito psicologico que tem (associo vagamente a conceitos de continuidade e compromisso) mas que tem um efeito nao tenho duvida... nao "serve para nada", ninguem vai ver, mas eu gosto muito do meu log (mesmo o design do dito nao sendo grande coisa... foi o que arranjei por aqui)

Sunday, 6 July 2008

Tempos

É curioso como pequenas diferenças de tempos podem ter efeitos engraçados... A diferença horária de Israel para Portugal é só de duas horas, mas acaba por parecer mais - é o suficiente, por exemplo, para por vezes o meu marido estar a deitar-se quando eu ja me estou a levantar (como acordo às cinco...) mas o mais interessante mesmo é a vantagem "psicológica" que sinto no trabalho. Em dias de semana, e como chego cedinho de manhã, por volta das sete, significa em geral que tenho uma janela de pelo menos um par de horas antes do pessoal na Europa começar a trabalhar, e normalmente até às dez, altura do nosso break oficial, posso contar com inbox vazio... e melhor ainda são os domingos, como hoje, tem as suas vantagens estar num país em que o domingo é dia de trabalho... o número de solicitações exteriores é nulo, o meu inbox está numa calma que só mesmo ao domingo, e eu a trabalhar em força - a encher o inbox dos meus colegas ;) ... dá-me uma sensação de "avanço"...

Saturday, 5 July 2008

Wish-list: Fedora 9 & KDE4.0


Eu adoro o Fedora 9 (não me entendam mal), e até já resmungo menos com o KDE4.0, mas gostava mesmo que:

- o dolphin não se queixasse sempre que vê uma pen ou um disco externo
[update: com o ultimo kernel já não se queixa! :) ]

- o flash funcionasse no firefox

- o dolphin mostrasse a tree da home

- o spellchecker do kwrite funcionasse

- o dolphin lidasse com ficheiros comprimidos como o konqueror

- o plasma mostrasse a mesma imagem durante mais do que alguns segundos

- a toolbar dos filtros não desaparecesse sempre que fecho o korganizer

- o menu file do editor de bookmarks do konqueror mostrasse mais opções além de "quit"

Friday, 4 July 2008

Cinema

Ontem fui ao cinema, no Malcha shopping. Já estava para ir à algum tempo, mas o meu hebreu não é famoso e como toda a informação está em hebreu, não é tão óbvio quanto pode parecer... mas agora compro o Jerusalem Post à sexta feira, descobri que tem uma revistinha de eventos que dá muito jeito, e fica um bocadinho mais fácil. Outra dificuldade foi arranjar um dia para ir... sexta à noite não dá, que é shabbat, ao sábado só há cinema muito tarde (depois do shabbat), além de que domingo é dia de trabalho, por isso percebi que o melhor dia era mesmo à quinta feira.

Os meus colegas ficaram muito espantados por eu querer ir ao cinema sozinha, mas a mim não me faz mesmo confusão nenhuma, acho mais estranho o contrário, se não fosse por estar sozinha é que era esquisito... Por isso ontem estava decidida a ir ao cinema mas ainda não tinha decidido exactamente qual o filme... so sabia que havia sessoes por volta das sete por isso resolvi ir até à bilheteira e escolher o filme dentro do que havia naquele horario. Na bilheteira correu tudo muito bem, e lá comprei o bilhete para ver "Forgetting Sarah Marshall" as 19H45 - ja tinha lido uma critica ao filme no jornal e pareceu-me bem... como ainda tinha tempo ainda dei um saltinho ao office depot (a minha loja favorita no shopping) e quando estava a chegar a hora lá fui até ao cinema, que estava... fechado.

A "entrada" para o cinema era uma parede de vidro, com uma unica portinha, guardada por um segurança "de peso" que se encarregava de não deixar entrar ninguém. À medida que a hora dos filmes se aproximava o espaço antes da portinha ía ficando cada vez mais cheio de pessoas, que se amontoavam sofregamente (mais ou menos como à porta do autocarro, só que aqui era à porta do cinema)... achei muito engraçado, e encostei-me a um cantinho, longe do centro de acção junto à porta, expectante com o que se seguiria, porque era mesmo caricato. O segurança só começou a deixar entrar o pessoal pontualmente às sete e meia, e era como conter um rio humano a irromper pelo cinema, num processo que envolveu atropelos e troca de "cumprimentos" (mais não posso dizer, que o meu hebreu ainda não chega para isso). Enquanto esperava perguntava-me qual a razão da pressa (explicaram-me que no autocarro o pessoal atropelava-se à entrada supostamente para arranjar lugar sentado), mas no cinema, ponderei, os lugares eram marcados... mas depois descobri... era para chegar primeiro à fila das pipocas! quando percebi isso desisti mentalmente do baldinho de pipocas que estava a namorar, e deixei-me ficar para o fim, longe da confusão...

Quando a coisa acalmou, lá fui até à porta mas o segurança olhou para o meu bilhete, disse qualquer coisa em hebreu e não me deixou entrar. Delicadamente lá disse que não percebia hebreu, e o senhor explicou-me que tinha que esperar 5 minutos (percebi que entram primeiro as pessoas dos filmes das 19h30, e como o meu era as 19h45 tive que esperar); obedientemente esperei, até que o segurança me chamou para entrar, e foi muito atencioso, com varios "pleases" pelo meio e ainda me indicou qual era a sala (suponho que não devem ter muitos não-locais a ir ao cinema, além de que as minhas maneiras mais delicadas por vezes compensam).

O cinema tem 8 salas, mas são todas pequenas, por isso o sitio não é grande, e não foi nada complicado chegar à sala - o problema era que no meu bilhete tinha dois números e não sabia qual era o da fila e qual era o do lugar, e não se via nenhum assistente... mas lá perguntei a alguém (estou a ficar especialista no "desculpe, eu não falo hebreu...") e la encontrei o meu lugarzito. Em relação ao filme (http://www.forgettingsarahmarshall.com/), recomendo, foi bastante melhor do que eu estava à espera; é uma comédia sem grandes ambições, mas tem mais conteúdo do que parece antever e umas subtilezas muito interesantes, achei até muito bem escrito e muito bem feito... e claro engraçado - eu que costumo ser mais séria ainda dei umas gargalhadas - também o ambiente era mais "descontraído" porventura do que numa sala europeia, a audiência manifestava-se ruidosamente e até houve palmas no final o que tornou a coisa ainda mas divertida...

Tuesday, 1 July 2008

Medos

Eu tenho uma verdadeira fobia... a cobras (até escrever a palavra me dá um arrepio), não é medo dos bichos é um autêntico terror irracional, que faz com que nem consiga os consiga ver, nem mesmo fotos, muito menos em filmes ou ao vivo. Chama-se ofidiofobia (descobri agora no google) - mas fiquei com as mãos suadas só de fazer a pesquisa, e estava a olhar para os resultados em estado de alerta, não fosse aparecer inesperadamente um texto mais vívido ou mesmo uma imagem...

E a semana passada, fiz uma descoberta perturbadora quando cheguei de manhã ao trabalho. Estava a descer as escadas, depois de ter ido deixar o meu iogurte do dia no frigorifico e senti medo, mas não percebi imediatamente porquê; primeiro só senti ansiedade e um formigueiro nas mãos e olhei com curiosidade para o que estava em cima do armário, porque apesar de o meu sistema ter disparado um alerta o meu cérebrozinho demorou uns segundos (que me pareceram uma eternidade, como se fosse em câmara lenta) a processar a informação, e a dar o veredicto... era uma espécie de esqueleto / cartilagem de uma cobra. Saí horrorizada, e bastante indignada... que ideia de pôr tamanho "objecto" em cima do armário! É verdade que eles têm rochas, fosseis e alguns esqueletos a funcionar como uma espécie de "bibelots", o que faz algum sentido numa instituição geológica, mas isto... achei "inadmissivel". A minha primeira reacção foi pensar que nunca mais punha os pés naquele edificio, mas percebi que não era uma estratégia muito praticavel, por um lado porque é onde estão os gabinetes de colegas próximos, com quem tenho que interagir (e sentia-me um bocado ridicula dizer que tinha medo de um esqueleto em cima do armario), por outro porque é onde está o frigorífico. Por isso, depois de ter de facto evitado entrar no edifício durante uns dias, retomei a minha rotina de deixar o lanche no frigorifico logo de manhã e depois ir busca-lo a tarde; primeiro precisava de me esforçar um bocadinho, usava o frigorífico (ao cimo das escadas) como "cenoura" e lá subia focada no "objectivo" e depois descia muito concentrada na minha respiração até passar o perigo (e junto ao armário iá mais rente à parede, para manter a distância), mas depois foi ficando mais fácil, até porque descobri que quando tinha que ir lá por razões profissionais era relativamente fácil - na verdade se estivesse distraída ou com alguém até me esquecia que o monstro lá estava...

A situação parecia resolvida, e eu estava muito orgulhosa de moi-même, mas há dois dias aconteceu algo ainda mais perturbador. O sitio onde trabalho é mais ou menos uma espécie de quinta (era um quartel) com varias casitas (numa delas esta o frigorifico) e um edificio maior de pedra (onde está o meu gabinete)... e porque não é um edificio único uma pessoa acaba por ter que andar frequentemente ao ar livre só para ir falar com um colega ou ir à biblioteca. Quando fazia o percurso entre uma dessas casitas e o meu gabinete (há uma espécie de carreiro e uma sebezita de arbustros com algumas árvores) ouvi um restolho no jardim e dei um dos meus "saltos" - em geral assusto-me com (demasiada) facilidade, por exemplo basta eu estar distraída e alguém entrar no meu gabinete sem eu contar para eu dar um salto na cadeira. Por isso lá dei um saltito mas não vi o que era e continuei sem ligar importância, porque já sei que o meu sistema tem uma taxa elevada de falsos alarmes... o problema foi que um colega que estava perto e se apercebeu que eu me tinha assustado com alguma coisa perguntou-me se era uma cobra; isso sim deixou-me apreensiva!, e ainda mais fiquei quando o senhor se lembrou de me dar um briefing completo sobre o tópico. Disse-me que devia ter cuidado, porque dois soldados tinham sido mordidos no dia anterior, e que havia dois tipos, umas compridas e fininhas que não faziam mal e umas grossas, que com essas sim devia ter cuidado... e ainda completou, para meu horror, que ainda tinha visto essa manhã, lá (!!!) uma enorme muito "bonita"... acho que fiquei em choque.

Ainda por cima nesse dia um amigo resolveu antes de irmos almoçar ir mostrar-me onde se podia apanhar as ervas para pôr no chá... bom, depois do que tinha acabado de ouvir nessa manhã, precisei de algum domínio para ir até ao canto do jardim onde estava a planta e só me aproximei muito renitentemente porque estava com uma pessoa que confiava e ele lá insistiu que eu cheirasse a planta para me ensinar a distingui-la... eu devia de estar com uma cara de quem queria fazer tudo menos estar no jardim, e não quis parecer mal agradecida, achei simpatico o meu colega querer ensinar-me a apanhar o chá, por isso lá expliquei que eu gostava muito de aprender sobre as ervas do chá, mas que estava um bocadinho amedrontada com a historia de haver la cobras no jardim... Durante o almoço, o meu colega explicou-me que este ano havia um numero anormal de cobras no país e de pessoas mordidas, aparentemente porque o inverno foi muito pouco chuvoso (ainda menos do que o costume), mas tentou tranquilizar-me. Disse-me que na cidade as probabilidades de ser mordido eram muito pequenas, no campo sim, e quando faziamos trabalho de campo tinha que se ter cuidado. Lá expliquei o melhor que podia que eu não tinha medo de ser mordidas (antes de chegar a vias de facto eu já tinha morrido de certeza de susto), o meu problema não era um medo (racional) de ser mordida, mas um pavor (irracional) sequer de ver o bicho, ou mesmo sem ver saber que pode estar perto... suponho que pareça disparatado para quem não tem a fobia, mas lá tentei explicar o melhor que podia. E o meu colega lá tentou acalmar-me, explicou-me que elas (os bichos) precisavam de comer, por isso era muito improvável estarem lá dentro, o que longe de me tranquilizar adicionou uma nova dimensão à minha angustia - porque eu estava a assumir que a probabilidade de entrarem num edificio era zero, e não muito pequena!

Evitei resolutamente os caminhos pela sombra (até as minhas adoradas figueiras passei a encarar com suspeição e receio, não fossem albergar um bicharoco, qual Cá no livro da Selva), e mesmo nos caminhos abertos andava com 8 olhos e em autêntico estado de alerta e digamos... pânico controlado. Mas lá está uma pessoa tem que de alguma forma habituar-se, porque é impossível de outra forma. De tarde telefonaram-me para ir ter com uma pessoa que tem o gabinete numa das casitas e lá tive que ir pelo carreirito, relutantemente, sim, mas como não há outro caminho... e tal como aconteceu com a situação junto ao frigorifico torna-se controlável.

E hoje posso dizer que antes do café consegui ir até ao jardim buscar a erva para o chá. Em estado de alerta, com respiração acelerada e um formigueiro nas mãos, mas lá usei a planta do chá como "cenoura" e consegui! OK, na volta corri um bocadito, nos ultimos metros do carreiro... mas sinto-me mesmo assim vitoriosa, e estou convencida que vou conseguir dominar o meu medo pelo menos o suficiente para que não se manifeste "exageradamente".

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