Tuesday, 14 October 2008

10 minutos por dia

Há uma colecção de livros que se chama "10 minutes a day" - eu tenho o "Hebrew in 10 minutes a day", e de facto está bem apanhado. O conceito não é novo ou muito sofisticado, mas é surpreendentemente eficaz.

O problema é que o cérebro parece ser incapaz de fazer estimativas temporais muito precisas e tem tendência para sistemáticamente subestimar ou sobrestimar o tempo necessário a uma determinada tarefa. Talvez mais importante, a precisão da estimativa não é independente do estado emocional ou físico do indivíduo... obviamente que o cérebro não é uma maquina, e basta uma pessoa estar um bocadinho mais cansada ou com fome, por exemplo, para afectar a capacidade de estimar intervalos de tempo. E estamos sempre a fazer julgamentos temporais! per vezes apercebemo-nos disso - por exemplo quando conscientemente calculamos o tempo para uma tarefa - mas a maior parte das vezes é um processo que passa despercebido, por exemplo tomamos decisões baseadas em critérios temporais sem sequer ter noção de que houve um cálculo de tempo envolvido... mas a maior parte das vezes há... não um cálculo objectivo de tempo, mas a tal estimativazinha difusa que o nosso cérebro faz, a maior parte das vezes sem darmos por isso...

Voltando ao hebreu... como tenho deixado escapar, vai devagarinho... consta que tenho boa pronuncia, mas o vocabulário ainda é reduzido, e só agora comecei a conjugar os verbos. Uma das razões pelas quais não vai mais depressa, é que não estudo o suficiente - já pareço os miudos, mas é verdade... tanto posso passar um shabbat completo à volta do hebreu, a estudar o livro, ouvir cd's, etc... como posso estar mais de um mês sem sequer olhar para a coisa - ou melhor, a olhar de vez em quando com ar culpado para os livros a descansar em cima da secretaria...

Por isso aquando da ultima revisão mensal, enquanto ponderava semi-desconsolada o meu progresso no hebreu, decidi mudar de estratégia... e tenho praticado todos os dias, sem falhar, 10 minutos. Exactamente 10 minutos. Nem um minuto a mais nem a menos. Marco 10 minutos no telemovel e pego no meu material do hebreu. Quando o alarme toca, páro, obedientemente fecho os livros, e pronto... simples não é? Funciona muito bem para aprender uma língua - parece-me que há alguma vantagem em tomar o hebreu em colheres pequeninas, uma por dia - mas acho que funciona com tudo.

Claro que se se fizer batota não funciona - nada de dizer que são 10 minutos quando queremos estar meia hora a fazer algo, porque aí o nosso cerebrozinho nota que o queremos enganar e arranja mil e uma desculpas e artimanhas para nos afastar da tarefa. A ideia é não dar permissão ao cérebro de fazer qualquer estimativa, conjectura, julgamento; cortar a "criatividade" - nada de pesar diferentes alternativas, se vale a pena ou não, se não estamos antes com fome, ou cansados, ou com sono, ou... nada. Durante estes 10 minutos sou como um soldado, que não questiona ordens. Até indicação em contrário (até deixar de constar no meu korganizer e lista de projectos) estes 10 minutos são sagrados, cumpridos sem questionar e sem pestanejar. E isto só é possivel, porque são só 10 minutos - é essa a beleza da coisa! claro que desligar a função de pensar e manter só a de executar não é uma atitude muito inteligente de se tomar - mas por 10 minutos, é não só seguro, como pode ser essencial

Experimentem... só 10 minutos por dia dedicados a algo que se quer fazer mas nunca ha tempo... quando estiver fluente em hebreu, já tenho os "10 minutos de python" ou os "10 minutos de solfejo" ou os "10 minutos de DP" na manga (ou melhor na minha someday/maybe list)