Hoje fui até à cidade velha. Não é propriamente um dos meus sitios favoritos, mas pensei que estar em Jerusalem tanto tempo e não ficar a conhecer bem a cidade velha seria como morar em Roma e não saber onde fica o Vaticano... OK, a analogia não é perfeita, porque sei onde fica a cidade velha, e já lá estive várias vezes, mas dá para perceber a ideia... além de que queria fazer umas compritas (já que vou dar um saltinho a Portugal daqui a pouco tempo) e achei que nada melhor do que vestir a pele de turista à caça de souvenirs. Devia ter sabido melhor, mas enfim...

Hoje achei a cidade velha particularmente vazia, ou melhor, estava com muita gente, mas muito menos do que o costume. Em parte o ser sexta-feira explica alguma falta de movimento, mas mesmo no bairo judeu pareceu-me haver menos movimento do que o habitual...
Como queria ver "lojas", fui directamente para o souq árabe (em geral vou pelo lado do bairro arménio e depois pelo bairro judeu), porque honestamente não acho a parte do mercado árabe particularmente agradável... ou melhor é muito exótico e pitoresco, acho piada ao autêntico labirinto de ruinhas estreitas, às cores e cheiros das lojas que vendem tudo e mais alguma coisa, mas não gosto dos vendedores, em geral em frente às lojas, que chamam e tentam meter conversa. Não aconselho uma rapariga a ir sozinha pela primeira vez. No inicio fazia-me mais confusão, mas agora habituei-me a ignorar as "atenções"... é aborrecido mas acaba por ser inofensivo, basta ignorar e não perder a disposição. Hoje só me aconteceu uma vez um rapazito insistir em meter-se comigo mais do que uma vez, mas por acaso estava um grupo de soldados na rua e eu parei estratégicamente perto deles para beber água, e foi suficiente para me livrar do metediço.

Mas nem é isso que mais me chateia no mercado árabe, até porque achei que desta vez já estava bem "treinada" . É que acho muito chato o facto de os preços serem meramente indicativos, porque é suposto regatear (os turistas tó-tós é que não regateiam). Definitivamente não tenho queda para a coisa, em geral compro ou não compro, mas nunca discuto o preço, mas em Roma sê romano... Uma das estratégias que adoptei foi só entrar em lojas em que o vendedor não parecia particularmente interessado em vender, isto é se alguém me tentava mostrar alguma coisa ou me chamava era logo certo que aí não ía (aprendi isto num livro muito engraçado que estou a ler "Discover your inner economist"), e acho que resultou. Depois, nas lojas em que entrei, fiz um esforço para não ceder ao meu instinto de perguntar o preço e comprar (ou não) mas antes prolongar o processo (no tempo), olha aqui, vê acolá, pergunta o preço disto, o preço daquilo, hesita, volta para trás... como se fosse muito picuinhas e forreta. Um vendedor perguntou-me o que eu precisava ("need") e eu respondi-lhe logo que precisar não precisava de nada (claro!, quem é que "precisa" de alguma coisa numa loja de souvenirs?). Lá consegui comprar uma coisinha para o meu marido por menos 50 shekels (cerca de 10 euros) e fiquei muito orgulhosa da minha proeza, porque o preço inicial era 150; primeiro o tipo tentou manter o preço e oferecer-me um extra, mas eu recusei, depois foi aos 130, 120 e consegui trazer a coisa por 100 shekels. Foi a primeira vez na vida que regateei desta maneira, mas 150 shekels era um roubo - só mesmo para turistas ;)

Noutra loja, de esculturas em madeira de oliveira, como há imensas na cidade velha (aliás, há lojas tão parecidas que tenho alguma dificuldade em perceber como tantaa iguais conseguem fazer negocio, mas deve haver turistas para todas...) a estratégia era claramente contra-corrente. Mais uma vez, escolhi a loja precisamente porque não havia ninguém a chamar, e iniciei o processo de "escolha"; mas em vez do sistema habitual, em que o vendedor tenta ser ultra-prestavel, mostrar tudo e alguma coisa, e impingir-nos algo de bom e muito bom preço só porque somos uma pessoal especial (no souq, todo o cliente é sempre o mais especial do dia), este vendedor limitou-se a ficar sentado, no canto da loja, e só ía dizendo para eu escolher à vontade, que tomasse o tempo que precisasse, e que ali ninguém me forçava a comprar. Mentalmente gabei-lhe a estratégia, porque mesmo estando de alguma forma a ser "levada" na mesma, era bem mais agradável, e lá acabei por lhe comprar uma estatueta, que tenho a ceteza que noutras circunstâncias não traria. Quando perguntei o preço (era 80 shekels) lá franzi o nariz, mas mais uma vez o vendedor mostrou ser inteligente, e em vez de baixar o preço, e dizer que como era para mim era xx shekels (a conversa do costume), disse que era feito de um tronco de oliveira, mostrou-me os veios na madeira da estatueta que eu tinha escolhido e disse que era um trabalho que era feito por ele e pela família e que demorava cerca de 3 dias. Lá está, provavelmente fui levada na mesma, mas paguei os 80 shekels sem pestanejar, só pela "estrategia"...

Hoje achei a cidade velha particularmente vazia, ou melhor, estava com muita gente, mas muito menos do que o costume. Em parte o ser sexta-feira explica alguma falta de movimento, mas mesmo no bairo judeu pareceu-me haver menos movimento do que o habitual...
Como queria ver "lojas", fui directamente para o souq árabe (em geral vou pelo lado do bairro arménio e depois pelo bairro judeu), porque honestamente não acho a parte do mercado árabe particularmente agradável... ou melhor é muito exótico e pitoresco, acho piada ao autêntico labirinto de ruinhas estreitas, às cores e cheiros das lojas que vendem tudo e mais alguma coisa, mas não gosto dos vendedores, em geral em frente às lojas, que chamam e tentam meter conversa. Não aconselho uma rapariga a ir sozinha pela primeira vez. No inicio fazia-me mais confusão, mas agora habituei-me a ignorar as "atenções"... é aborrecido mas acaba por ser inofensivo, basta ignorar e não perder a disposição. Hoje só me aconteceu uma vez um rapazito insistir em meter-se comigo mais do que uma vez, mas por acaso estava um grupo de soldados na rua e eu parei estratégicamente perto deles para beber água, e foi suficiente para me livrar do metediço.

Mas nem é isso que mais me chateia no mercado árabe, até porque achei que desta vez já estava bem "treinada" . É que acho muito chato o facto de os preços serem meramente indicativos, porque é suposto regatear (os turistas tó-tós é que não regateiam). Definitivamente não tenho queda para a coisa, em geral compro ou não compro, mas nunca discuto o preço, mas em Roma sê romano... Uma das estratégias que adoptei foi só entrar em lojas em que o vendedor não parecia particularmente interessado em vender, isto é se alguém me tentava mostrar alguma coisa ou me chamava era logo certo que aí não ía (aprendi isto num livro muito engraçado que estou a ler "Discover your inner economist"), e acho que resultou. Depois, nas lojas em que entrei, fiz um esforço para não ceder ao meu instinto de perguntar o preço e comprar (ou não) mas antes prolongar o processo (no tempo), olha aqui, vê acolá, pergunta o preço disto, o preço daquilo, hesita, volta para trás... como se fosse muito picuinhas e forreta. Um vendedor perguntou-me o que eu precisava ("need") e eu respondi-lhe logo que precisar não precisava de nada (claro!, quem é que "precisa" de alguma coisa numa loja de souvenirs?). Lá consegui comprar uma coisinha para o meu marido por menos 50 shekels (cerca de 10 euros) e fiquei muito orgulhosa da minha proeza, porque o preço inicial era 150; primeiro o tipo tentou manter o preço e oferecer-me um extra, mas eu recusei, depois foi aos 130, 120 e consegui trazer a coisa por 100 shekels. Foi a primeira vez na vida que regateei desta maneira, mas 150 shekels era um roubo - só mesmo para turistas ;)

Noutra loja, de esculturas em madeira de oliveira, como há imensas na cidade velha (aliás, há lojas tão parecidas que tenho alguma dificuldade em perceber como tantaa iguais conseguem fazer negocio, mas deve haver turistas para todas...) a estratégia era claramente contra-corrente. Mais uma vez, escolhi a loja precisamente porque não havia ninguém a chamar, e iniciei o processo de "escolha"; mas em vez do sistema habitual, em que o vendedor tenta ser ultra-prestavel, mostrar tudo e alguma coisa, e impingir-nos algo de bom e muito bom preço só porque somos uma pessoal especial (no souq, todo o cliente é sempre o mais especial do dia), este vendedor limitou-se a ficar sentado, no canto da loja, e só ía dizendo para eu escolher à vontade, que tomasse o tempo que precisasse, e que ali ninguém me forçava a comprar. Mentalmente gabei-lhe a estratégia, porque mesmo estando de alguma forma a ser "levada" na mesma, era bem mais agradável, e lá acabei por lhe comprar uma estatueta, que tenho a ceteza que noutras circunstâncias não traria. Quando perguntei o preço (era 80 shekels) lá franzi o nariz, mas mais uma vez o vendedor mostrou ser inteligente, e em vez de baixar o preço, e dizer que como era para mim era xx shekels (a conversa do costume), disse que era feito de um tronco de oliveira, mostrou-me os veios na madeira da estatueta que eu tinha escolhido e disse que era um trabalho que era feito por ele e pela família e que demorava cerca de 3 dias. Lá está, provavelmente fui levada na mesma, mas paguei os 80 shekels sem pestanejar, só pela "estrategia"...