Frankfurt - a porta de embarque do voo para o Porto começa gradualmente a encher... de portugueses, audivelmente... Estou a trabalhar no computador, até está a correr bem, mas inevitavelmente estou passado pouco tempo ao corrente dos detalhes: quantos são, os parentescos, de onde vieram, o que compraram, quanto gastaram, até quando querem/vão à casa de banho! parece impossível, mas é verdade... Os telemoveis não param (um fartote para o roaming)... diligentemente, os atarefados passageiros informam os parentes e conhecidos do paradeiro actual da sua importante pessoa, e inquirem sobre o estado da nação... são pelo menos dois grupos, de professores (um rótulo exibido orgulhosamente)... infelizmente (para o país) o vocabulário e a gramática andam pelas ruas da amargura... não posso falar muito, que o meu portugues não é brilhante, mas há certas expressões que ferem mesmo os ouvidos menos puristas... e a pomposidade com que são proferidas, combinada com uma ligeireza que só a mais ingénua ignorância justifica, tornam a situação ainda mais grostesca... a confusão generalizada aumenta, se tal era possivel quando a comunicação passa a ser inter-grupos e não apenas intra-grupo, com as inevitáveis trocas de experiências, ou melhor, a "medição"- de quem teve a melhor agência, mais gastos, mais dias... aprecio o pitoresco (por isso quando a bateria acabou troquei o portatil pelo palm para tirar estas notas), mas este modo "portugês" não deixa de me causar uma profunda repulsa... neste aspecto particular, simpatizo bastante mais com o modo dinamarquês... parece-me que o ideal era um ponto intermédio, menos fechado e mais humano do que o dinamarquês, mas definitivamente mais "contido" do que o português...
Hoje estou mazinha... mas estou sem bateria no portátil e ainda falta meia hora para o embarque... entretanto, sou submetida a um update completo dos ultimos resultados futebolísticos, debitados para si próprio por um passageiro a inspeccionar um jornal, mas muito "generosamente" num tom que permite partilhar a informação com pelo menos metade da porta de embarque...
nestas alturas de férias é sempre pior... estou curiosa para ver como vai ser a chegada ao Porto... em geral, mal o avião toca na pista, e ainda em taxi, os telemoveis são ligados e os passageiros levantam-se, para desespero do pessoal de bordo (de companhias estrangeiras)... sim, porque em geral indicações que não na língua de Camões não são para ter em conta... e é preciso recorrer a gestos enfáticos para sentar os apressados passageiros, que manisfestam um contentamento ruidoso ao tocar em solo luso... mas o episódio mais engraçado foi uma vez quando alguém, não podendo pelos vistos aguentar mais, ligou o telemovel durante a aterragem e gritou (sim!) GOOLO seguido por um ansioso "de quem?" de um conterrâneo... e quando a resposta "DO PORTO" veio da outra parte da cabine os corações regojizaram... continuo a rir sempre que me lembro, foi muito genuíno e hilariante...
22:00... o embarque foi adiado... isto está mau...